O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Qual a luz mais antiga do Universo que já
observamos
Existem expressões tão comuns que deixam de causar
impacto, mas, ao serem reconsideradas, revelam
dimensões surpreendentes. É o caso das descobertas
de astros a bilhões de anos-luz de distância. Quando se
lembra que um ano-luz equivale a cerca de nove trilhões
de quilômetros, torna-se evidente a imensidão do
percurso da luz até a Terra. Embora seja uma unidade
de distância, o ano-luz também indica o tempo de
viagem da luz.
A tecnologia permite observar vestígios do passado
remoto do Universo graças a uma luz extremamente
antiga que atravessou o espaço até chegar a nós. Isso
suscita questões fundamentais: a luz é eterna? Qual é a
mais antiga já observada?
A luz mais antiga detectada provém do fundo cósmico de
micro-ondas, emitido quando o Universo tinha cerca de
trezentos mil anos.
No início, o Universo era extremamente quente e
composto por um plasma denso. Nesse período, os
fótons não podiam se deslocar livremente devido às
constantes colisões com partículas carregadas.
Com a expansão e o resfriamento do Universo, prótons e
elétrons se combinaram, formando átomos de
hidrogênio. Esse processo, chamado recombinação,
permitiu que os fótons passassem a viajar livremente,
marcando o momento em que o Universo se tornou
transparente. A radiação liberada nesse instante
permanece até hoje e constitui um registro essencial da
formação do cosmos.
Essa radiação está presente em todo o espaço e é
percebida, em parte, no ruído visual de antigos
televisores analógicos, resultado da radiação cósmica de
fundo que percorreu bilhões de anos até chegar à Terra.
Ao considerar objetos individuais, estrelas antigas
próximas não fornecem a luz mais antiga observada,
pois sua proximidade faz com que a radiação recebida
seja relativamente recente. O caso de uma estrela muito
antiga, cuja luz leva cerca de duzentos anos para chegar
até nós, ilustra essa diferença entre idade do objeto e
idade da luz.
As luzes mais antigas observadas provêm, na verdade,
de galáxias muito distantes, cuja radiação foi emitida
quando o Universo ainda possuía apenas algumas
centenas de milhões de anos. Essa luz viajou por bilhões
de anos até ser detectada.
Entre esses registros, há galáxias cuja luz foi emitida
quando o Universo tinha cerca de trezentos milhões de
anos, resultando em uma radiação com mais de treze
bilhões de anos.
Ao observar essas luzes, não vemos os objetos como
são atualmente, mas como eram no momento da
emissão da radiação. Trata-se, portanto, de uma
observação do passado.
Quanto à natureza da luz, as leis da física indicam que a
energia não se perde, apenas se transforma. Como a luz
é uma forma de energia, ela não desaparece. Os fótons
podem ser convertidos em matéria, absorvidos por
átomos ou transferir energia para elétrons, mas essa
energia permanece no sistema.
Mesmo quando deixa de existir como partícula
independente, a energia associada à luz pode ser
novamente emitida sob outra forma. Em uma situação
ideal, sem interação com outras partículas, um fóton
poderia existir indefinidamente.
Assim, conclui-se que a luz não possui prazo de
validade: ela pode se transformar, mas nunca é
completamente destruída, permanecendo como parte
contínua da dinâmica energética do Universo.