“A IA é apenas um reflexo de nós mesmos. É o
resultado da nossa própria busca pela eficiência, pela
evolução e pela perfeição. E, ao mesmo tempo em que
nos permite alcançar novos patamares, também
nos obriga a enfrentar novos desafios e a repensar nossa
própria existência. (…) Espero que vocês, caros leitores,
estejam prontos para embarcar nessa jornada.”
O parágrafo acima foi escrito pelo ChatGPT. Pedi
“um texto para a seção ‘carta ao leitor’, da revista
Superinteressante, sobre inteligência artificial”, e esse foi
o melhor pedaço. Um texto adequado ao estilo da Super.
E inédito. A frase mais inspirada ali, “a IA é apenas um
reflexo de nós mesmos”, não aparece em português no
Google. Em inglês (AI is just a reflection of ourselves), são
só duas menções. O ponto é que o algoritmo sabe
reconhecer palavras que costumam aparecer no mesmo
contexto com muita frequência, caso do trecho “apenas
um reflexo de nós mesmos” (zilhões de menções no
Google, em qualquer idioma). E consegue aplicá-las a um
assunto aleatório (inteligência artificial, nesse caso) de
forma lógica – graças ao poder de examinar
instantaneamente bilhões de textos produzidos ao longo
da história da humanidade e mapear as relações entre as
palavras dentro de cada um deles.
A real é que o ChatGPT escreve sobre
basicamente qualquer assunto, em qualquer estilo. E
cada pedido entrega um resultado distinto. Requisite mil
vezes um soneto sobre a relatividade geral, e você terá
mil poemas diferentes a respeito da teoria de Einstein, já
que cada resultado nasce de um novo mergulho no
arcabouço do conhecimento humano.
VERSIGNASSI, Alexandre. “ChatGPT, escreve uma Carta ao Leitor”.
Na coluna assinada pelo diretor de redação da Revista
Superinteressante, Alexandre Versignassi, evidencia-se o
uso de um modalizador discursivo muito recorrente na
escrita do gênero carta ao leitor, mas simulado pelo sistema
de inteligência artificial ChatGPT. Esse modalizador, forjado
pela tecnologia referenciada, é representado pelo uso da