Malala afirma que “O primo riu, atônito.” É CORRETO afirmar ...
TEXTO 1
NASCE UMA MENINA
No dia em que nasci, as pessoas da nossa aldeia tiveram pena de minha mãe, e ninguém deu os parabéns a meu pai. Vim ao mundo durante a madrugada, quando a última estrela se apaga. Nós, pachtuns, consideramos esse um sinal auspicioso. Meu pai não tinha dinheiro para o hospital ou para uma parteira; então uma vizinha ajudou minha mãe. O primeiro bebê de meus pais foi natimorto, mas eu vim ao mundo chorando e dando pontapés. Nasci menina num lugar onde rifles são disparados em comemoração a um filho, ao passo que as filhas são escondidas atrás de cortinas, sendo seu papel na vida apenas fazer comida e procriar.
Para a maioria dos pachtuns, o dia em que nasce uma menina é considerado sombrio. O primo de meu pai, Jehan Sher Khan Yousafzai, foi um dos poucos a nos visitar para celebrar meu nascimento e até mesmo nos deu uma boa soma em dinheiro. Levou uma grande árvore genealógica que remontava até meu trisavô, e que mostrava apenas as linhas de descendência masculina. Meu pai, Ziauddin, é diferente da maior parte dos homens pachtuns. Pegou a árvore e riscou uma linha a partir de seu nome, no formato de um pirulito. Ao fim da linha escreveu “Malala”. O primo riu, atônito. Meu pai não se importou. (...)
Meu nome foi escolhido em homenagem a Malalai de Maiwand, a maior heroína do Afeganistão. Os pachtuns são um povo orgulhoso, composto de muitas tribos, dividido entre o Paquistão e o Afeganistão. Vivemos como há séculos, seguindo um código chamado Pachtunwali, que nos obriga a oferecer hospitalidade a todos e segundo o qual o valor mais importante é nang, a honra. A pior coisa que pode acontecer a um pachtum é a desonra. A vergonha é algo terrível para um homem pachtum. Temos um ditado: “Sem honra, o mundo não vale nada”.
YOUSAFZAI, MALALA; LAMB, CHRISTINA. Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã. São Paulo:
Companhia das Letras, 2013, pp. 21-22.
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Comentário do Gabarito – Interpretação de Texto
Tema central: A questão trata de interpretação de texto, com foco na análise semântica de expressões e na compreensão de comportamentos culturais implícitos no enredo. É fundamental identificar informações implícitas e analisar as emoções envolvidas na cena descrita.
Análise do texto: No trecho destacado — “O primo riu, atônito.” — a palavra atônito significa "surpreso, espantado", conforme define Evanildo Bechara em sua Moderna Gramática Portuguesa. Logo, a risada não decorreu de alegria, mas de surpresa diante de algo inesperado.
O texto mostra que em determinada tradição dos pachtuns apenas os homens têm seus nomes registrados na árvore genealógica. Quando o pai de Malala desenha uma linha com o nome dela, desafia explicitamente essa tradição, rompendo uma expectativa centenária daquele grupo.
Justificativa – Alternativa D (correta):
A atitude inovadora do pai ao escrever o nome de Malala, uma mulher, na árvore de descendência masculina contraria a regra cultural, gerando surpresa no primo. Por isso, ele riu, atônito, ou seja, espantado com a quebra da tradição, não por qualquer outro motivo.
Análise das alternativas incorretas:
A) A doação de dinheiro não causou a reação surpresa, pois foi um gesto de celebração, não o que chamou a atenção do primo.
B) O desenho de pirulito é uma metáfora usada na narração para mostrar o traço feito na árvore genealógica; não é por sua forma que se deu a risada, mas pelo significado da inclusão de uma mulher.
C) A alegria pelo nascimento de Malala não é compatível com "atônito". A expressão demonstra surpresa e não alegria simples ou comemoração espontânea.
Estratégia recomendada: Fique atento a adjetivos qualificadores (como “atônito”) e a informações culturais ou implícitas. Analise sempre se a impressão do personagem está vinculada a algo positivo, negativo ou inusitado.
Conclusão: O gabarito está correto ao indicar a alternativa D, pois exige a compreensão do contexto cultural descrito no texto e o valor semântico do termo "atônito".
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Comentários
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Resposta correta letra D.
"mostrava apenas as linhas de descendência masculina". "Pegou a árvore e riscou uma linha a partir de seu nome, no formato de um pirulito. Ao fim da linha escreveu “Malala”. O primo riu, atônito. Meu pai não se importou."
Eu tenho, um N.O.J.O de pa-í-ses que subjugação a s mulheres... não faz sentido...
Muito justo o fim do pacto migratório
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