A prática diária da reumatologia leva a diferentes desafios ...
A prática diária da reumatologia leva a diferentes desafios para o especialista, e nos últimos anos, com um melhor conhecimento da patogenia e das mudanças da legislação em relação à fibromialgia, tais desafios são cada vez mais crescentes.
Do ponto de vista conceitual, assinale a alternativa mais adequada para o seu entendimento.
Gabarito comentado
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Tema central: Fibromialgia (FM) – síndrome de dor crônica generalizada, fadiga, sono não reparador e queixas cognitivas, sem processo inflamatório estrutural. A fisiopatologia envolve sensibilização central (amplificação da dor no SNC) e disfunções neuroquímicas (serotonina/noradrenalina ↓, glutamato/substância P ↑), além de alterações do sono e do eixo HHA. Critérios ACR 2010/2016: WPI + SSS, sintomas por ≥3 meses e ausência de outra causa explicativa (Harrison’s; UpToDate; EULAR 2016/2017).
Alternativa correta: C – “Há uma forte associação com ansiedade.”
Justificativa: Transtornos de ansiedade e depressão são altamente prevalentes na FM (30–60%), influenciando intensidade da dor, fadiga e incapacidade. Diretrizes EULAR e revisões do UpToDate reforçam a necessidade de rastrear e manejar comorbidades psiquiátricas, pois isso melhora desfechos clínicos e adesão ao tratamento. Logo, reconhecer a associação com ansiedade é conceitualmente central para o entendimento e a condução da FM.
Análise das alternativas incorretas
A) “Exercícios aeróbicos progressivos são contraindicados.” – Falso. Exercício aeróbico e fortalecimento graduais são terapias de primeira linha, reduzindo dor e melhorando função e humor. A piora inicial pode ocorrer se a progressão for rápida demais, mas a recomendação é prescrever, não contraindicar (EULAR; ACR).
B) “Maior frequência em homens de ambiente industrial.” – Falso. FM é mais frequente em mulheres (2–4:1) e não há evidência de maior prevalência específica em homens de linhas de produção. Fatores ocupacionais podem exacerbar sintomas, mas não definem maior frequência diagnóstica.
D) “Evitar analgésicos e preferir AINEs.” – Falso. AINEs têm benefício limitado na FM por não haver inflamação periférica significativa. Analgésicos simples e agentes de ação central (ex.: duloxetina, milnaciprano, amitriptilina, pregabalina; tramadol em casos selecionados) podem ajudar. Evitar opioides fortes crônicos (EULAR/UpToDate).
E) “Evitar encaminhamento para psicoterapia.” – Falso. Intervenções psicológicas, especialmente terapia cognitivo-comportamental, são recomendadas e melhoram dor, sono e coping. Não “mascaram” resposta; são parte do cuidado multimodal.
Dicas de prova: Em FM, procure por: 1) ênfase em exercício e educação como base; 2) pouco papel de AINEs; 3) comorbidades psiquiátricas frequentes (ansiedade/depressão); 4) ausência de inflamação laboratorial. Desconfie de enunciados com termos absolutos como “contraindicado” ou “evitar sempre”.
Conclusão: A alternativa C é a mais adequada, pois reflete a evidência de forte associação entre fibromialgia e ansiedade, pilar importante no manejo clínico.
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