O resultado positivo da pesquisa de anticorpos anticitoplasm...
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Tema central: A questão aborda os anticorpos anticitoplasma de neutrófilos (ANCA) e seus padrões de imunofluorescência. Além dos clássicos c-ANCA (PR3) e p-ANCA (MPO), existe o padrão atípico de p-ANCA, frequentemente associado a doenças não vasculíticas, especialmente retocolite ulcerativa (RCU) e colangite esclerosante primária.
Alternativa correta: B - Retocolite ulcerativa
Justificativa: Na RCU, é comum a presença de p-ANCA atípico (também chamado de atypical p-ANCA), que na maioria das vezes não é direcionado a MPO, mas a antígenos como lactoferrina, elastase e cathepsina G. A positividade pode ocorrer em ~50–80% dos casos e fortalece a suspeita clínica quando associada a sintomas intestinais (diarreia crônica, sangramento retal, dor abdominal) e inflamação contínua iniciando no reto à colonoscopia. Diretrizes e textos de referência (Harrison’s, UpToDate) destacam essa associação e recomendam confirmar com ELISA para MPO/PR3 e avaliação endoscópica.
Raciocínio diagnóstico útil: Em ANCA positivo com padrão atípico e MPO/PR3 negativos, pense em RCU/PSC. Para confirmar RCU: colonoscopia com biópsias, calprotectina fecal elevada e exames inflamatórios (PCR).
Análise das incorretas:
A - Rosácea refratária: Doença dermatológica crônica sem associação estabelecida com ANCA. Não há indicação de pesquisar ANCA para diagnóstico ou manejo.
C - Blefaroespasmo idiopático: Distúrbio do movimento (distonia focal) sem base autoimune humoral com ANCA. Avaliação é neurológica, não imunológica.
D - Hipertrigliceridemia familiar: Transtorno metabólico genético (ex.: LPL, ApoC-II). Diagnóstico por perfil lipídico e genética; ANCA não tem papel.
E - Hemocromatose: Sobrecarga de ferro por mutações (HFE). Diagnóstico por ferritina, saturação de transferrina e genética; não relacionada a ANCA.
Pegadinha clássica: Muitos associam “ANCA positivo” automaticamente a vasculites ANCA-associadas (c-ANCA/PR3 na granulomatose com poliangiíte; p-ANCA/MPO na poliangiíte microscópica/eosinofílica). Porém, o padrão atípico orienta para RCU/PSC, não para vasculite.
Conduta quando suspeitar de RCU: Confirmar com colonoscopia e biópsia; avaliar atividade com calprotectina fecal e PCR. Tratamento (resumo): 5-ASA para doença leve a moderada; corticosteroides para indução em surtos; imunomoduladores/biológicos (anti-TNF, vedolizumabe, ustekinumabe) conforme diretrizes atualizadas.
Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (ANCA testing; Ulcerative colitis: epidemiology, pathogenesis, diagnosis); consensos internacionais sobre ANCA (IF + ELISA MPO/PR3).
Gabarito: B
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