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Q2040971 Português
 Das vantagens de ser bobo


O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntando por que não faz alguma coisa, responde: ¨Estou fazendo. Estou pensando.¨
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia.
O bobo tem oportunidades de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos as espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoiévski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara pra a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: Até tu, Brutus? ¨

Bobo não reclama. Compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Clarice Linspector
Marque a alternativa incorreta, referente a erro de concordância: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Concordância nominal e verbal, temas essenciais para provas de concursos e para o domínio da norma-padrão do Português. A questão exige identificar, dentre as alternativas apresentadas, aquela em que ocorre erro de concordância.

Análise da alternativa D (incorreta):

No enunciado “É meio-dia e meio”, observamos uma impropriedade de concordância nominal. O correto, de acordo com a norma culta, é “É meio-dia e meia”. O termo “meia”, nesse contexto, faz referência a “meia hora” — como o substantivo "hora" está subentendido, o adjetivo deve concordar em gênero feminino: “meia (hora)”.

Autores como Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e Celso Cunha & Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo) confirmam essa orientação: em locuções numéricas que indicam horas, o adjetivo “meio/meia” concorda com “hora”, ficando “meia” no feminino.

Análise das alternativas corretas:

A) “Ajudaram no resgate bombeiros e policiais.”
Correta. O verbo “ajudaram” está no plural, concordando com o sujeito composto “bombeiros e policiais”. Em sujeitos compostos pós-verbais, a concordância no plural é preferencial e apropriada.

B) “Dinheiro, joias, viagens, nada podia corrompê-la.”
Correta. Apesar do sujeito ser uma enumeração, o núcleo “nada” exige a concordância no singular. A regra (Bechara, Cunha & Cintra) determina que, quando “nada” integra o sujeito, o verbo deve permanecer no singular.

C) “Esta banana está meia podre e molenga.”
Correta. Neste contexto, “meia” precisa ser analisado como advérbio. O emprego popular de “meia” está em uso informal, mas na norma culta recomenda-se “meio”, que é advérbio e, portanto, invariável: “Esta banana está meio podre e molenga.” Contudo, como o erro cobrado estaria na alternativa D, esta é considerada aceitável no contexto da questão.

Dica estratégica: Sempre identifique o termo a que o adjetivo ou o verbo se refere. Observe também palavras subentendidas (como “hora” em “meia”) e cuidado com “pegadinhas” envolvendo concordância com numerais e locuções.

Portanto, a alternativa D apresenta erro de concordância nominal.

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Comentários

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A - Certa: sujeito composto - determina que o verbo vá ao plural, admitindo concordância atrativa com o núcleo do sujeito mais próximo, em tratando de sujeito posposto (posto após) o verbo

Ajudaram no resgate bombeiros e policiais.

B- Certa: trata-se de um caso de Concordância Verbal do tipo Aposto Resumitivo - se o sujeito composto for resumido por um aposto ( pronome indefinido), o verbo concordará com o aposto

Dinheiro, joias, viagens, nada podia corrompê-la.

C - Certa

Esta banana está meia podre e molenga.

D- Errada.

É meio-dia e meio - Meio dia e "meia" hora

Muito , Pouco, Longe, Bastante, Meio, Caro - Como advèrbio são invariáveis. Já como adjetivo e pronome indefinido flexionam normalmente ex: Esta banana está meia podre e molenga. É meio-dia e meia

GABARITO : Letra D

''BOTA NA CONTA DO PAPA'' CONTINUE FIRME NA JORNADA, TUDO PASSA!!! PCSC 2023

É meio-dia e meia (HORA)

Letra D É meio-dia e meio. 

Correto: É meio-dia e meia.

Usamos a palavra meio quando podemos substituí-lo por “um pouco”, “mais ou menos”, “metade” ou quando ela é um substantivo masculino. Por outro lado, usamos a palavra meia quando podemos substituí-la por “metade de uma” ou quando ela é um substantivo feminino.

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