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Q1860894 Português
Atenção: Para responder à questão, considere o trecho do livro O elogio do vira-lata e outros ensaios, de Eduardo Giannett.


   A ciência destrói o seu passado. Os clássicos da literatura científica, como os tratados hipocráticos, o Le Monde de Descartes ou a Philosophia Botanica de Lineu, foram obras que marcaram época, mas que a passagem do tempo reduziu à condição de peças de antiquário e objeto de interesse restrito a especialistas em história da ciência. Nenhum cientista que se preze aprende o seu ofício destrinchando os clássicos de sua disciplina. 

    Com a filosofia é diferente. Os clássicos da literatura filosófica, como os diálogos platônicos, as Meditações de Descartes ou o Leviatã de Hobbes, são obras que parecem dotadas do dom da eterna juventude. Embora também se prestem à lupa antiquária do historiador de ideias, elas conseguem de algum modo driblar o tempo e falar diretamente aos espíritos vivos das novas gerações. A filosofia, como a arte, não enterra o seu passado.

     A diferença, é certo, resulta em parte da ausência de um critério bem definido de progresso na história da filosofia. Mas não é só. A consciência da nossa ignorância cresce de mãos dadas com o avanço do saber científico. Como observa com certa malícia Adam Smith na Teoria dos Sentimentos Morais, ao comentar a dificuldade de refutar conclusivamente teorias no campo da ética, a progressividade das ciências naturais também reflete a sua maior vulnerabilidade e propensão ao erro.

(GIANNETTI, Eduardo. O elogio do vira-lata e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2018)
Considerando o contexto em que se insere, está empregada em sentido depreciativo a seguinte expressão:
Alternativas

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TEMA CENTRAL: A questão exige interpretação de texto e análise do sentido depreciativo de uma expressão. Sentido depreciativo é aquele que reduz, diminui ou desvaloriza o objeto referido (Bechara, 2003; Cunha & Cintra, 2008).

ALTERNATIVA CORRETA: C) "peças de antiquário"

No texto, o autor diz que os clássicos da literatura científica se tornaram “peças de antiquário”, ou seja, obras antigas, de interesse restrito e sem utilidade presente real, comparáveis a objetos guardados somente por seu valor histórico. Pela norma-padrão e conforme as gramáticas referenciais, o uso expressa que esses textos perderam valor atual, numa clara intenção de depreciação. O próprio contexto compara o esquecimento das obras científicas ao vigor permanente dos clássicos filosóficos.

COMO CHEGAR À RESPOSTA:

O fundamental é perceber o uso metafórico e a intenção do autor. O trecho diz: “foram obras que marcaram época, mas que a passagem do tempo reduziu à condição de peças de antiquário e objeto de interesse restrito...”. O verbo “reduzir” já evidencia a perda de valor, cumprindo a definição de sentido depreciativo.

ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS:

  • A) "novas gerações": Expressão neutra, sem carga negativa ou pejorativa, apenas aponta para um grupo de pessoas.
  • B) "campo da ética": Também neutra, refere-se a uma área de estudo.
  • D) "espíritos vivos": Positiva, indica vitalidade e renovação, nunca deprecia.
  • E) "dom da eterna juventude": Elogiosa, enaltece o vigor permanente dos textos filosóficos.

DICA DE PROVA: Em questões desse tipo, observe o contexto e os verbos empregados. Palavras como “reduzir”, “restringir”, “esquecer”, geralmente acompanham sentidos depreciativos. Peça cuidado com alternativas atrativas, mas que não trazem nenhum valor semântico negativo!

Referências: Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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GABARITO C

ANÁLISE DO TEXTO

Sentido Depreciativo consiste em aquilo que se apresenta com a intenção de afrontar ou de promover insultos.

JUSTIFICANDO

a) [ERRADO] "(...) elas conseguem de algum modo driblar o tempo e falar diretamente aos espíritos vivos das novas gerações" = Não apresenta sentido de afronta ou insulto.

b) [ERRADO] "(...) ao comentar a dificuldade de refutar conclusivamente teorias no campo da ética (...)" = Não apresenta sentido de afronta ou insulto.

c) [CERTO] "(...) a passagem do tempo reduziu à condição de peças de antiquário e" = Apresenta sentido de afronta ou insulto, pois estabelece a ideia de algo ultrapassado.

d) [ERRADO] "(...) elas conseguem de algum modo driblar o tempo e falar diretamente aos espíritos vivos das novas gerações" = Não apresenta sentido de afronta ou insulto.

e) [ERRADO] "(...) são obras que parecem dotadas do dom da eterna juventude" = Não apresenta sentido de afronta ou insulto.

BONS ESTUDOS E NUNCA DESISTAM!

GAB C

Significado de Antiquário: substantivo masculino Comerciante que vende objetos antigos. Loja de coisas antigas. Estudioso ou colecionador de antiguidades.

O texto fala que esses livros científicos "ultrapassados" com o passar do tempo e novas descobertas, no fim, se tornam peças de lojas de objetos antigos e peças de estudo aos especialistas em história da ciência.

" A ciência destrói o seu passado. Os clássicos da literatura científica, como os tratados hipocráticos, o Le Monde de Descartes ou a Philosophia Botanica de Lineu, foram obras que marcaram época, mas que a passagem do tempo reduziu à condição de peças de antiquário e objeto de interesse restrito a especialistas em história da ciência. Nenhum cientista que se preze aprende o seu ofício destrinchando os clássicos de sua disciplina." (1° parágrafo).

peças de antiquário: Remonta antiguidade, coisa ultrapassada, pouco usada, depreciada.

fui pelo contexto, deu pra entender que sempre ficam lá esquecidos.Como algo antigo

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