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Especialista em relações internacionais analisa vitória de

Trump na eleição presidencial dos EUA e diz que tom das

relações diplomáticas com o Brasil ainda não é claro

Por Renato Coelho



    O político Republicano Donald Trump venceu a eleição presidencial dos Estados Unidos, ocorrida na terça feira (5/11/2024), ao conquistar a maioria dos 538 votos no Colégio Eleitoral e derrotar a candidata democrata, a vice-presidente Kamala Harris. A vitória foi anunciada a partir de projeções da imprensa norte-americana. Até a manhã desta sexta-feira (8), o número de votos no Colégio Eleitoral alcançado por Trump chegava a 301 delegados, e o de Harris, 226.


    Trump venceu em mais da metade dos 50 estados do país, inclusive entre estados-pêndulo, grupo que inclui Carolina do Norte, Geórgia, Pensilvânia e Wisconsin. A apuração dos votos continua. Aos 78 anos, ele chega para seu segundo e último mandato na Casa Branca. Nos EUA, diferentemente do Brasil, a Constituição dos EUA impede que uma pessoa assuma a presidência por mais de duas vezes, mesmo que não consecutivas. Essa regra foi estabelecida na 22ª emenda, promulgada em 1951, depois de o democrata Franklin D. Roosevelt cumprir 4 mandatos consecutivos (1933-1945). Primeiro presidente eleito condenado judicialmente


    A vitória traz o bilionário de volta à cadeira presidencial após ter protagonizado um mandato repleto de polêmicas e escândalos (2016-2020). Ele também será o primeiro presidente na história do país a assumir o cargo após receber uma condenação judicial. Em junho, ele foi condenado por 34 acusações de irregularidades cometidas envolvendo pagamentos para silenciar a ex-atriz pornô Stormy Daniel antes das eleições de 2016. Trump ainda enfrenta outros processos judiciais, incluindo um por incitar a invasão ao Capitólio em 2020, acontecimento que marcou o fim do seu mandato.


    Apoiado pela ala mais conservadora do Partido Republicano e por figuras controversas como o bilionário Elon Musk (dono da rede social X, da Tesla e da SpaceX), Trump conduziu sua campanha apostando em um discurso agressivo contra a imigração e martelando os problemas econômicos que os EUA enfrentaram nos últimos anos.


    Na véspera da eleição, o republicano voltou a mencionar uma possível fraude eleitoral, o que suscitou temores de que não reconheceria o resultado em caso de derrota, como fez em 2020 após ser derrotado por Joe Biden.


    Em 13 de julho, Trump sobreviveu a uma tentativa de assassinato durante um comício na cidade de Butler, no estado da Pensilvânia. Ele ficou ferido na orelha direita, ao ser alvejado por tiros disparados por um homem que estava em um terraço. Após algumas semanas, ele retornou a Butler para um grande comício ao lado de Musk.


    Neusa Maria Pereira Bojikian, especialista em política econômica e internacional dos EUA, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas ligado ao IPPRI – Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Unesp e pesquisadora e integrante Coordenação do INCT-INEU, analisa o cenário político dos EUA e os fatores que culminaram na vitória de Donald Trump.


    “Ë preciso destacar que, além da vitória de Trump, os Republicanos também ganharam o controle do Senado. Por enquanto, a Câmara ainda não tem a liderança definida, mas há a possibilidade de que isso também venha a acontecer. De forma geral, Trump venceu graças a uma combinação de fatores estratégicos e contextuais. Ele fez uma campanha muito bem feita, a partir de uma operação política mais disciplinada e mais organizada do que as campanhas dele do passado. Ele usou um tom apelativo ao projetar cenários econômicos e imigratórios catastróficos. E atacou Kamala, depreciando sua capacidade de administrar o país. Ele acionou a alavanca do medo, e fez uma campanha no corpo a corpo para arrastar os eleitores às urnas. Também apoiou-se no uso muito intenso das mídias sociais, aproveitando-se de seus apoiadores, em especial o Elon Musk, e de grupos engajados”, analisa.


    Neusa ressalta também a virada do eleitorado latino, que mostrou uma maior tendência de apoio aos Republicanos. “Essa mudança de padrão revela a importância de não tratar esse grupo demográfico como monolítico. Trump conseguiu reconhecer as complexidades e as variações internas e, portanto, a necessidade de customizar mais as campanhas. A essa nova tendência de crescimento junto aos latinos se somou à perda de apoio da classe trabalhadora aos Democratas. E o senador Bernie Sanders, que é independente, mas apoiou Harris e o Partido Democrata, já tinha chamado a atenção para isso. Ele criticou os Democratas, dizendo que não estavam em sintonia com as aspirações da maioria dos cidadãos. Ele disse que não seria nenhuma surpresa se o Partido Democrata, que abandonou a classe trabalhadora, viesse a descobrir que a classe trabalhadora também o abandonou. Isso acabou se concretizando”, diz. [...]


Adaptado de https://jornal.unesp.br/2024/11/08/especialista-em-relacoes-

internacionais-analisa-vitoria-de-trump-na-eleicao-presidencial-dos-eua-e-diz-

que-tom-das-relacoes-diplomaticas-com-o-brasil-ainda-nao-e-claro/

De acordo com o texto, é possível afirmar que 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O comando “De acordo com o texto” restringe a resposta ao que foi dito ou a inferências diretamente autorizadas. O trecho “Apoiado pela ala mais conservadora do Partido Republicano e por figuras controversas como o bilionário Elon Musk (...) Trump conduziu sua campanha apostando em um discurso agressivo contra a imigração (...) Após algumas semanas, ele retornou a Butler para um grande comício ao lado de Musk.” sustenta a alternativa B e invalida as demais, que ou atribuem causa única à vitória, ou invertem o sentido sobre imigração, ou negam fato expressamente afirmado.

Tema central: Inferência textual autorizada
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por extrapolação causal. O texto diz que Musk foi apoiador relevante e que Trump “apoiou-se no uso muito intenso das mídias sociais”, “em especial o Elon Musk”, mas a especialista afirma que a vitória ocorreu por “uma combinação de fatores estratégicos e contextuais”. Portanto, o enunciado não autoriza concluir que esse apoio, sozinho, “garantiu sua vitória”.
B
Certa
A alternativa B se sustenta porque não afirma um dado externo ao texto nem contradiz o que foi dito: ela decorre da qualificação de Elon Musk como “figura controversa” e de sua presença destacada ao lado de Trump. Se a figura é controversa, a associação pública com ela pode mobilizar apoiadores e também rejeição em outra parcela do eleitorado. Essa não é reprodução literal do texto, mas é inferência compatível e diretamente autorizada por ele.
C
Errada
Está errada por contradição semântica literal. O texto afirma expressamente que Trump conduziu a campanha com “um discurso agressivo contra a imigração”. A alternativa inverte esse sentido ao dizer que ele se mostrou mais favorável à imigração.
D
Errada
Está errada por contrariar fato expresso e por acrescentar motivação não informada. O texto diz: “Após algumas semanas, ele retornou a Butler para um grande comício ao lado de Musk.” Logo, é falso afirmar que ele não apareceu mais em público. Além disso, o suposto “temendo novos ataques” não aparece no texto e é inferência indevida.
Pegadinha da questão
A banca opõe inferência autorizada e extrapolação: B não está escrita literalmente, mas decorre de “figuras controversas”; já A, C e D parecem plausíveis à leitura apressada, porém inventam causalidade, invertem sentido ou negam informação expressa.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando trouxer “De acordo com o texto”, elimine alternativas que acrescentem causa única, intenção ou consequência não afirmada.
  • Diferencie inferência autorizada de extrapolação: adjetivos avaliativos como “controversas” podem sustentar conclusão de efeito ambivalente.
  • Confronte palavras decisivas da alternativa com o texto: “favorável” não cabe diante de “discurso agressivo contra a imigração”; “não apareceu mais” cai diante de “retornou a Butler”.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

eu e o chat gpt anularíamos essa questão.

Achei que fosse A...

Essa é a pior questão que eu já vi, no texto menciona que o Elon Musk é uma figura incontroversa mas o texto não menciona que atrai e afasta eleitores. O fato dele ser uma figura incontroversa não significa de forma automática e perceptível que ele teria poder em influenciar em decisões políticas.

Logo, no último parágrafo fala "Trump conseguiu reconhecer as complexidades e as variações internas e, portanto, a necessidade de customizar mais as campanhas. A essa nova tendência de crescimento junto aos latinos se somou à perda de apoio da classe trabalhadora aos Democratas". Ou seja, que ele teve uma visão mais ampla em relação ao povo latino. Presume-se que Trump teve uma inclinação mais favorável ao povo latino.

questão horrorosa

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