Quintigesta com quatro partos vaginais anteriores, internada...

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Q4237449 Medicina
Quintigesta com quatro partos vaginais anteriores, internada com 38 semanas de gravidez e trabalho de parto espontâneo, com recém-nascido nativivo, 4.020 g, Apgar 7-9-10 após 3 horas de trabalho de parto. Após a dequitação, apresenta atonia uterina com sangramento vaginal e, em 4 minutos, o monitor revela PA de 76×54 mmHg e FC de 120 bpm. São tomadas medidas adequadas, como acesso venoso, reposição de cristaloide, coleta de exames, aquecimento e oxigenioterapia. Em paralelo, medidas para corrigir a atonia. Do ponto de vista hemodinâmico, deve-se 
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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é choque hemorrágico obstétrico definido clinicamente: sangramento puerperal ativo por atonia uterina associado a hipotensão importante (PA 76×54 mmHg) e taquicardia (FC 120 bpm) poucos minutos após a dequitação. Nesse cenário, a conduta hemodinâmica correta é iniciar precocemente protocolo de transfusão maciça, em paralelo ao controle da fonte, sem esperar Hb/Ht e sem tratar a hipotensão apenas com cristaloide ou vasopressor.

Tema central: Choque hemorrágico obstétrico
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque manter reanimação apenas com Ringer lactato é insuficiente diante de hemorragia pós-parto com choque já estabelecido. Cristaloide pode compor as medidas iniciais, mas não é a estratégia principal quando há sangramento ativo com hipotensão grave e taquicardia; nesse ponto, é necessária reposição precoce com hemocomponentes.
B
Errada
Está errada porque a decisão transfusional imediata no choque hemorrágico agudo é clínica e hemodinâmica, não condicionada ao resultado de Hb/Ht. Em perda aguda, hemoglobina e hematócrito iniciais podem não refletir prontamente a magnitude da hemorragia, e aguardar esses exames atrasa o tratamento de uma paciente já instável.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro já é de hemorragia pós-parto por atonia uterina com instabilidade hemodinâmica franca. Em choque hemorrágico obstétrico, a reposição precisa deixar de ser apenas volêmica e passar a ser hemostática, com liberação rápida e estruturada de hemocomponentes. A ativação precoce do protocolo de transfusão maciça evita atraso terapêutico e não depende de hemoglobina ou hematócrito iniciais, já que a gravidade aqui é determinada pelo contexto clínico e hemodinâmico.
D
Errada
Está errada porque noradrenalina não corrige a fisiopatologia central deste quadro, que é perda sanguínea aguda com redução de volume circulante e de transporte de oxigênio. Como medida principal inicial, vasopressor pode mascarar a hipovolemia sem corrigir a causa e sem substituir reposição sanguínea e controle do sangramento; seu papel, quando existe, é adjuvante após reposição adequada em choque refratário.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre medida inicial útil e medida suficiente: cristaloide já foi iniciado, mas os sinais clínicos mostram que isso não basta. Também testa se o candidato erra ao esperar Hb/Ht ou ao tratar a hipotensão do choque hemorrágico como indicação primária de vasopressor.
Dica para questões semelhantes
  • Em hemorragia pós-parto, hipotensão e taquicardia com sangramento ativo definem gravidade clínica mesmo sem volume estimado de perda.
  • Hb/Ht iniciais não devem atrasar transfusão quando o quadro já é de choque hemorrágico.
  • Cristaloide entra no início do manejo, mas choque hemorrágico obstétrico exige escalonamento rápido para hemocomponentes.
  • Se a questão já informa controle da fonte em paralelo, o próximo passo hemodinâmico em instabilidade franca costuma ser ressuscitação hemostática protocolizada.

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