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Q3914632 Português
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ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO


   Usado para tratar a ansiedade, um medicamento comum que vem poluindo os cursos d’água mundo afora parece agora estar influenciando o comportamento migratório do salmão selvagem do Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia. Publicado na revista Science, o estudo descobriu que o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos quando exposto ao medicamento psicoativo clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso, por sua vez, teria mudado a forma como os peixes migram.

   “Os salmões expostos ao clobazam tiveram maior probabilidade de completar sua migração para o mar e passaram por barreiras artificiais, como represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal autor do estudo.

   “Embora um aumento no sucesso da migração possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer disrupção nos comportamentos naturais pode ter consequências negativas que se alastram pelos ecossistemas”, ponderou Brand.

   Pesquisas em rios do mundo inteiro encontraram contaminação por fármacos em cursos d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo na Antártida. Quase mil medicamentos ativos distintos foram detectados no meio ambiente, prejudicando desde a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.

   Para estudar os efeitos do clobazam no comportamento do salmão, os pesquisadores conduziram amplos estudos de campo e experimentos controlados em laboratório. Em experimentos de campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo de rastreamento telemétrico em 279 salmões selvagens, juntamente com um implante que liberava lentamente pequenas quantidades de clobazam.

   Os salmões tiveram seu trajeto rastreado enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia, passando por duas represas hidrelétricas e, em seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores descobriram que um grupo de controle, que não havia sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens hidrelétricas mais lentamente do que os peixes expostos à droga.

   “Suspeitamos que essas mudanças observadas na migração podem resultar de mudanças induzidas pela droga na dinâmica social e no aumento do comportamento de risco – efeitos que podem ser explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse Brand.

   Experimentos de laboratório também descobriram que o clobazam alterou a maneira como o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram cardumes menos compactos, principalmente na presença de predadores, o que poderia aumentar os riscos que eles enfrentavam na natureza.

   “Alterações no ritmo da migração podem fazer com que os peixes cheguem ao mar em condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas mudanças sutis podem alterar a dinâmica populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do ecossistema”, alerta Brand.

   O estudo não revelou quaisquer efeitos a longo prazo da poluição farmacêutica em cursos d’água sobre as populações de salmão. “Os pesquisadores acompanharam os peixes durante o período de migração, que foi de aproximadamente 10 dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e que não teve participação no estudo.

   “Não sabemos se ou como os salmões jovens foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo é o mais recente a destacar o impacto ecológico da poluição farmacêutica.

  Pesquisadores já investigaram os efeitos de mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos. Os fármacos entram no meio ambiente por meio de águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se acumulando nos corpos e cérebros de animais selvagens.

   Em 2006, experimentos realizados no Canadá revelaram que populações de peixes estavam sendo expostas a um estrogênio sintético comum, usado em pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos e ao quase colapso das populações locais de peixes.

 “Muitos estudos, mas não todos, constataram que o medicamento testado teve efeito no comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla presença de substâncias farmacêuticas em cursos d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem circular por toda a cadeia alimentar.

   “Isso pode afetar não apenas a vida aquática, mas também os animais terrestres que se alimentam de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados, mostrando o quão abrangente esses efeitos podem ser”, disse Brand.

   Os métodos convencionais de tratamento de água nem sempre são eficazes na remoção de produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o vazamento de vestígios desses compostos em águas naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de águas residuais, como novos processos de filtração por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes na redução da contaminação farmacêutica.

 No entanto, eles permanecem inacessíveis em muitas partes do mundo devido à infraestrutura insuficiente e aos custos associados. É por isso que a modernização dos sistemas de tratamento de águas residuais é parte da solução, mas não é a única, afirmou Brand.

 Cientistas destacaram o potencial da “química verde” na redução da poluição causada por medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de medicamentos que se biodegradem mais rapidamente no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o uso.

 “Do ponto de vista político, regulamentações mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte podem ajudar a limitar a quantidade de poluição farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.

 “Nenhuma solução isolada será suficiente, mas ao combinar esforços entre ciência, política e tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição farmacêutica representa para a vida selvagem”, acrescentou. 


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Assinale a alternativa que destaca CORRETAMENTE um termo regido.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a identificação de termo regido por regência nominal/prepositiva. No trecho "Eles permanecem inacessíveis em muitas partes do mundo devido à infraestrutura insuficiente e aos custos associados.", a locução "devido a" exige complemento preposicionado; por coordenação, "aos custos associados" mantém essa mesma regência, o que confirma a alternativa B.

Tema central: termo regido
Análise das alternativas
A
Errada
"a longo prazo" não completa o sentido de um termo regente; indica circunstância temporal. Seu valor é de adjunto adverbial de tempo, e a preposição "a" não transforma a expressão em termo regido.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o segmento destacado integra uma estrutura de regência nítida: "devido a" seleciona complemento preposicionado, e "aos custos associados" aparece coordenado a "à infraestrutura insuficiente", mantendo a mesma exigência sintática. Portanto, não se trata de mera circunstância acrescentada ao enunciado, mas de termo subordinado à locução regente e necessário para completar seu sentido causal.
C
Errada
"no Canadá" apenas localiza onde os experimentos foram realizados. É adjunto adverbial de lugar, não complemento exigido por regência.
D
Errada
"de vista" foi destacado como parte interna da locução cristalizada "do ponto de vista político". Isoladamente, esse recorte não identifica o termo regido pedido no comando; a expressão funciona como locução fixa, e o destaque parcial compromete a análise.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre termo preposicionado e termo regido: nem toda expressão com preposição é complemento exigido por regência. Também cobrou atenção ao fato de que, em coordenação, o segundo termo pode manter a mesma regência do primeiro.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o trecho destacado completa um termo que exige preposição ou se apenas acrescenta circunstância de tempo, lugar ou modo.
  • Não trate toda expressão preposicionada como termo regido; primeiro identifique se há exigência sintática real.
  • Em estruturas coordenadas, confirme se o segundo elemento mantém a mesma regência do primeiro.
  • Desconfie de destaques que recortam apenas parte de uma locução fixa, porque isso pode invalidar a identificação sintática.

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Comentários

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Termo regido é aquele que completa o sentido de um nome ou verbo que exige preposição (regência nominal ou verbal).

Na letra B:

Eles permanecem inacessíveis A+A infraestrutura insuficiente e A+OS custos associados.

GAB B

"Devido" funciona principalmente como adjetivo (variável) ou parte de locução prepositiva ("devido a" - invariável com sentido causal).

  • Como adjetivo, flexiona em gênero/número (devido/devida/devidos/devidas).
  • Como locução (sinônimo de por causa de), é invariável e exige a preposição "a" (devido ao/à).

Portanto, a preposição "A" é REGIDA pela locução "devido a".

Sempre identifique quem manda (regente) e quem completa (regido).

Verbos transitivos, substantivos abstratos e adjetivos costumam ser regentes.

O termo regido quase sempre vem introduzido por preposição (de, em, com, para, a).

não desista uma vitória apaga todas as derrotas

O termo regido é aquele que completa o sentido de um termo regente (como verbo, substantivo ou adjetivo).

Na alternativa B, o substantivo "insuficiente" exige o complemento introduzido pela preposição "a", formando "aos custos associados", que completa o sentido da expressão anterior. . As demais opções apresentam adjuntos adverbiais ou outras estruturas que não configuram uma relação direta de regência de complemento.

Portanto, a alternativa correta é a B

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