Assinale a alternativa em que o uso dos “porquês” está COR...
A PALAVRA COMO LIMITE DO MUNDO
Dizer é delimitar. Sempre que nomeamos algo, traçamos contornos, selecionamos sentidos e, inevitavelmente, excluímos possibilidades. A linguagem, longe de ser um espelho fiel da realidade, funciona como um filtro: organiza o caos do mundo em categorias compreensíveis, ainda que imperfeitas.
Nesse processo, não apenas comunicamos, mas também construímos aquilo que julgamos compreender. Uma mesma situação pode ser descrita de múltiplas formas, e cada escolha lexical carrega uma perspectiva implícita. Não é por acaso que debates acalorados muitas vezes não decorrem de fatos distintos, mas de palavras diferentes para nomear o mesmo fenômeno.
Há, portanto, uma dimensão de poder na linguagem. Quem nomeia, define; quem define, orienta o olhar. Expressões aparentemente neutras podem carregar juízos de valor, e termos técnicos podem conferir uma aura de legitimidade a ideias que, em essência, não são menos controversas.
Isso não significa que a linguagem deva ser abandonada ou desacreditada, mas compreendida em sua complexidade. Ao tomar consciência de seus mecanismos, o falante torna se menos refém das palavras e mais capaz de utilizá-las com precisão e responsabilidade.
Entretanto, em um cenário marcado pela pressa e pela simplificação, tende-se a ignorar essa dimensão crítica. Palavras são repetidas sem reflexão, conceitos são utilizados de maneira imprecisa e, pouco a pouco, o discurso perde densidade. Não se trata apenas de falar menos, mas de dizer pior.
Tal empobrecimento não é apenas estilístico. Ele compromete a própria capacidade de pensar, uma vez que o raciocínio se estrutura linguisticamente. Quando o vocabulário se estreita, o pensamento também se contrai, e o mundo, antes múltiplo, parece reduzir-se a versões simplificadas de si mesmo.
Talvez, por isso, o desafio contemporâneo não seja apenas falar, mas reaprender a dizer.
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Gabarito comentado
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Gabarito: B
Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a regra normativa dos porquês: em “Gostaria de entender por que você decidiu isso.”, a expressão introduz interrogativa indireta com valor de “por qual razão”, o que exige a forma separada “por que”; por isso, B é a única alternativa compatível com a norma-padrão.
- Se a expressão puder ser trocada por “por qual razão”, use “por que”, inclusive em interrogativa indireta.
- Se houver artigo antes da expressão, como em “o”, a forma correta é o substantivo “porquê”.
- Reserve “por quê” para final de frase ou antes de pausa forte.
- Quando a ideia for causal ou explicativa, a forma adequada é “porque”, escrita junto.
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Comentários
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A alternativa B está correta pois o "por que" é utilizado em perguntas indiretas.
Minha contribuição:
Por que (separado e sem acento) pode ser usado para introduzir uma pergunta ou para estabelecer uma relação com um termo anterior da oração.
O "por que" da letra B está no contexto de conjectura, uma pergunta indireta.
Meu bizu no uso dos “porquês”
É preciso aprender essa historinha:
"No inicio do casamento só separa quando tem um bom motivo ou razão"
Por que (por qual razão)
Ex Por que você não ficou?
No final da separação todo mundo quer a casinha " ^ " (motivo/ fianal da estrutura)
Por quê (por qual razão)
Ex: Você esta indo por quê?
"E para passar muitos anos juntos precisa de uma boa explicação"
Porque (Causa / explicação)
Ex: Não quero ficar porque (pois) não gostei do lugar.
Já o porquê é O MOTIVO ou A RAZAO (quando conseguir substituir por motivo ou razão)
Ex: Não explicou o porquê da decisão
Não explicou o motivo da decisão
Não explicou a razão da decisão
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