De acordo com Dalgalarrondo (2008), assinale a alternativa C...
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Alternativa correta: C - Normalidade como ausência de doença, normalidade ideal e normalidade como bem-estar.
Tema central da questão:
A pergunta aborda os principais critérios de normalidade em psicopatologia segundo Dalgalarrondo (2008). Compreender esses critérios é fundamental para diferenciar o que pode ser considerado normal ou patológico no contexto da avaliação psicológica e psiquiátrica.
Resumo teórico:
Dalgalarrondo destaca que normalidade é um conceito multifacetado em psicopatologia. Os principais critérios para defini-la são:
- Normalidade como ausência de doença: Ser considerado normal quando não há sinais ou sintomas de doença mental.
- Normalidade ideal: Refere-se a um padrão ou modelo considerado perfeito ou desejável, porém muitas vezes inatingível na vida real.
- Normalidade como bem-estar: Relaciona-se à ideia de saúde mental como um estado de equilíbrio, satisfação e funcionamento adequado.
Esses critérios são amplamente citados em manuais de psicopatologia, como Dalgalarrondo (2008), e em documentos da OMS sobre saúde mental.
Justificativa da alternativa correta (C):
A alternativa C traz exatamente esses três critérios tradicionais e reconhecidos pela literatura científica e prática clínica.
Análise das alternativas incorretas:
- A: Termos como “normalidade egóica” e “normalidade transgressiva” não são critérios reconhecidos pela psicopatologia.
- B: “Normalidade simbiótica” e “normalidade transgeracional” não fazem parte dos conceitos clássicos.
- D: “Normalidade psíquica” e “normalidade subjetiva” são conceitos vagos, não presentes entre os principais critérios segundo Dalgalarrondo.
- E: “Normalidade transgeracional” e “responsabilidade” não são critérios utilizados na classificação psicopatológica.
Dicas para interpretação:
Ao se deparar com questões desse tipo, busque alternativas que tragam termos consagrados na literatura. Fique atento a palavras desconhecidas ou inventadas, pois costumam indicar pegadinhas.
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Normalidade como ausência de doença. O primeiro critério que geralmente se utiliza é o de saúde como “ausência de sintomas, de sinais ou de doenças”. Segundo expressiva formulação de um dos fundadores das pesquisas médicas de intervenção sobre a dor física, René Leriche (1879-1955), “a saúde é a vida no silêncio dos órgãos” (Leriche, 1936). Normal, do ponto de vista psicopatológico, seria, então, aquele indivíduo que simplesmente não é portador de um transtorno mental definido. Tal critério é 2. 3. 4. bastante falho e precário, pois, além de redundante, baseia-se em uma “definição negativa”, ou seja, define-se a normalidade não por aquilo que ela supostamente é, mas por aquilo que ela não é, pelo que lhe falta (Almeida Filho & Jucá, 2002).
Normalidade ideal. A normalidade aqui é tomada como certa “utopia”. Estabelece-se arbitrariamente uma norma ideal, aquilo que é supostamente “sadio”, mais “evoluído”. Tal norma é, de fato, socialmente constituída e referendada. Depende, portanto, de critérios socioculturais e ideológicos arbitrários e, às vezes, dogmáticos e doutrinários. Exemplos de tais conceitos de normalidade são aqueles com base na adaptação do indivíduo às normas morais e políticas de determinada sociedade (como nos casos do macarthismo nos Estados Unidos e do pseudodiagnóstico de dissidentes políticos como doentes mentais na antiga União Soviética).
Normalidade estatística. A normalidade estatística identifica norma e frequência. Trata-se de um conceito de normalidade que se aplica especialmente a fenômenos quantitativos, com determinada distribuição estatística na população geral (como peso, altura, tensão arterial, horas de sono, quantidade de sintomas ansiosos, etc.). O normal passa a ser aquilo que se observa com mais frequência. Os indivíduos que se situam estatisticamente fora (ou no extremo) de uma curva de distribuição normal passam, por exemplo, a ser considerados anormais ou doentes. Esse é um critério muitas vezes falho em saúde geral e mental, pois nem tudo o que é frequente é necessariamente “saudável”, assim como nem tudo que é raro ou infrequente é patológico. Tomem-se como exemplo fenômenos como as cáries dentárias, a presbiopia, os sintomas ansiosos e depressivos leves, o uso pesado de álcool, os quais podem ser muito frequentes, mas que evidentemente não podem, a priori, ser considerados normais ou saudáveis.
Normalidade como bem-estar. A Organização Mundial da Saúde (WHO, 1946) definiu, em 1946, a saúde como o “completo bem-estar físico, mental e social”, e não simplesmente como ausência de doença. É um conceito criticável por ser muito amplo e impreciso, pois bem-estar é algo difícil de se definir objetivamente. Além disso, esse completo bem-estar físico, mental e social é tão utópico que poucas pessoas se encaixariam na categoria “saudáveis”.
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