Mulher, 39 anos de idade, refere cólica em epigástrio e hip...

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Q4237387 Medicina
Mulher, 39 anos de idade, refere cólica em epigástrio e hipocôndrio direito com irradiação para dorso há 2 dias, que melhora com o uso de analgésicos e antiespasmódicos. Nega febre. Sem comorbidades. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, corada, hidratada, ictérica +/++++, afebril; abdome distendido, flácido, doloroso em epigástrio e hipocôndrio direito sem sinais de peritonite. 
• Exames laboratoriais: Hb: 11,5 g/dL Leucócitos: 9.500/mm3 TGO/AST: 230 U/L TGP/ALT: 310 U/L FA: 430 U/l GGT: 352 U/L Amilase: 110 U/L Lipase: 72 U/L Bilirrubina total: 4,5 mg/dL PCR: 8 mg/L 
Com base no caso clínico descrito, assinale a alternativa que apresenta a principal hipótese diagnóstica. 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que define a questão é a combinação de dor biliar com icterícia e padrão colestático, com bilirrubina total, FA e GGT elevadas, sugerindo obstrução do colédoco por cálculo; a ausência de febre, leucocitose importante e toxemia afasta colangite e torna coledocolitíase a principal hipótese.

Tema central: Coledocolitíase
Análise das alternativas
A
Errada
Cólica biliar simples não explica a icterícia nem o perfil laboratorial obstrutivo. A presença de bilirrubina total elevada e de FA/GGT aumentadas indica síndrome colestática por obstrução extra-hepática, achado que vai além de obstrução transitória vesicular/cística.
B
Errada
Colangite exige obstrução biliar associada a infecção. Aqui há dor e icterícia, mas faltam os elementos que sustentam o componente infeccioso: não há febre, não há leucocitose importante e não há toxemia descrita. Portanto, há obstrução biliar, mas sem base suficiente para fazer de colangite a principal hipótese.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o conjunto clínico-laboratorial é de obstrução da via biliar principal: dor em epigástrio e hipocôndrio direito com irradiação para dorso, icterícia ao exame físico, bilirrubina total de 4,5 mg/dL e elevação de FA e GGT. Esse padrão é compatível com coledocolitíase. Além disso, o caso não traz febre, leucocitose relevante nem quadro infeccioso sistêmico, o que favorece coledocolitíase não complicada, e não colangite. Amilase e lipase sem padrão de pancreatite mantêm o foco na via biliar.
D
Errada
Colecistite aguda costuma ter predomínio de inflamação vesicular, com dor persistente, frequentemente febre, leucocitose e sinais locais compatíveis. Neste caso, o eixo do quadro é obstrutivo, marcado por icterícia e colestase laboratorial significativa, sem síndrome inflamatória que sustente inflamação vesicular aguda como hipótese principal.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre dor biliar isolada e obstrução do colédoco: se o candidato olhar apenas a cólica em hipocôndrio direito, tende a marcar cólica biliar ou colecistite; o dado que muda o diagnóstico é a icterícia com padrão colestático. Outra armadilha é confundir dor + icterícia com colangite e esquecer que falta febre e resposta inflamatória sistêmica.
Dica para questões semelhantes
  • Dor biliar com icterícia e elevação de bilirrubina, FA e GGT deve ser lida primeiro como obstrução da via biliar principal.
  • Para chamar de colangite, não basta obstrução: procure evidência clínica de infecção sistêmica, especialmente febre e resposta inflamatória.
  • Colecistite aguda é quadro inflamatório vesicular; quando predominam icterícia e colestase, pense mais em colédoco do que em vesícula.
  • Irradiação para dorso não fecha pancreatite se amilase e lipase não têm padrão compatível.

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