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Q4237360 Medicina
Mulher, 35 anos de idade, previamente hígida, procura o ambulatório. Há 3 meses, queixa-se de calafrios ocorrendo 3 vezes por semana, além de prurido generalizado, sem melhora com uso de hidratantes. Relata edema facial leve ao despertar, com melhora ao longo do dia. Notou gânglio aumentado à direita e passou em odontologista que atribuiu a um procedimento feito no mês anterior. Ao exame clínico, apresentou PA de 113×66 mmHg, FC de 112 bpm, temperatura de 37,1 ºC, FR de 18 irpm, SpO2 de 97% em ar ambiente. Linfonodo cervical direito aumentado, firme, indolor, não aderido, medindo cerca de 2,5 cm. Turgência jugular discreta. Sem sinais de congestão pulmonar ou derrame pleural. Ausência de estertores ou sibilos. Abdome flácido, indolor, sem visceromegalias. Assinale a alternativa que apresenta a conduta apropriada neste momento.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é o padrão de linfonodomegalia suspeita de neoplasia: linfonodo cervical de 2,5 cm, firme, indolor e persistente por 3 meses, associado a prurido generalizado, calafrios recorrentes e sinais venosos cervicofaciais sugestivos de possível comprometimento mediastinal, exige confirmação tecidual; por isso, a conduta apropriada é biópsia do linfonodo.

Tema central: Linfonodomegalia suspeita
Análise das alternativas
A
Errada
Sorologia para mononucleose é insuficiente porque restringe a investigação a uma hipótese viral que não explica adequadamente o conjunto do caso. O enunciado não traz síndrome mononucleósica típica, e o peso clínico está na adenomegalia de alto risco para malignidade: 2,5 cm, firme, indolor, persistente por 3 meses, com prurido generalizado e sinais venosos cervicofaciais. O critério decisivo aqui não é excluir primeiro virose benigna, e sim obter diagnóstico histológico diante de suspeita de linfoma.
B
Errada
Amoxicilina/clavulanato empírico está errado porque não há elementos de linfadenite bacteriana aguda nem de infecção odontogênica ativa. Faltam dor, sinais flogísticos, flutuação, febre infecciosa alta, evolução curta ou foco bacteriano atual. O antecedente odontológico funciona como distrator, mas não sustenta adenopatia persistente por 3 meses com sintomas sistêmicos e sinais sugestivos de compressão venosa. Tratar empiricamente aqui atrasa a investigação de uma adenomegalia potencialmente neoplásica.
C
Certa
A alternativa correta é a biópsia porque o quadro reúne sinais de alarme para doença linfoproliferativa, especialmente linfoma: adenomegalia cervical persistente, maior que 2 cm, firme e indolor, somada a sintomas sistêmicos/paraneoplásicos como prurido generalizado e calafrios recorrentes. Além disso, edema facial matinal e turgência jugular discreta aumentam a preocupação com possível componente compressivo venoso mediastinal. Nessa situação, exames inespecíficos ou tratamento empírico não resolvem a hipótese principal; o diagnóstico depende de confirmação histológica por amostra tecidual adequada do linfonodo.
D
Errada
Prednisona antes do diagnóstico etiológico é inadequada porque, em suspeita de linfoma, pode reduzir temporariamente o volume linfonodal e aliviar o prurido, mas mascarar a apresentação e prejudicar a interpretação anatomopatológica. Isso cria risco técnico de atrasar ou dificultar a confirmação diagnóstica. A base só admite exceção em situações específicas de urgência com comprometimento maior, o que não foi descrito no enunciado.
Pegadinha da questão
A banca tenta induzir adenite infecciosa ou complicação odontológica pelo antecedente dental e pela idade jovem, mas o padrão decisivo é de adenomegalia suspeita de linfoma: persistente, >2 cm, firme, indolor, com prurido e sinais venosos cervicofaciais.
Dica para questões semelhantes
  • Em adenomegalia cervical, valorize como sinais de alarme: persistência, tamanho acima de 2 cm, consistência firme, indoloridade e sintomas sistêmicos associados.
  • Se a hipótese principal for doença linfoproliferativa, a etapa que define o diagnóstico é obtenção de tecido; sorologia isolada ou antibiótico empírico não substituem biópsia.
  • Evite escolher corticosteroide empírico antes da biópsia quando houver suspeita de linfoma, porque isso pode mascarar o quadro e atrapalhar a histologia.

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