Homem, 53 anos de idade, tem esquistossomose hepatoesplênic...

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Q4237347 Medicina
Homem, 53 anos de idade, tem esquistossomose hepatoesplênica e comparece em consulta ambulatorial de seguimento. Nota edema nos tornozelos desde a última consulta. Já teve episódios prévios de encefalopatia hepática. Faz uso crônico de lactulose. Sinais vitais com PA de 154×86 mmHg, FC de 89 bpm, FR de 16 irpm, SpO2 de 98%. Ao exame clínico, apresenta bom estado geral, vigil, orientado no tempo e no espaço, tônus normais, abdome plano, lobo esquerdo do fígado palpável, baço palpável, edema perimaleolar de 2+/4+. 
• Exames laboratoriais: Hb:12,9 g/dL Leucócitos: 4.230/mm3 Plaquetas: 98 mil/mm3 TGO/AST: 37 U/L TGP/ALT: 43 U/L Albumina: 3,1 g/dL INR: 1,8 Cr: 1,37 mg/dL Na+ : 130 mEq/L Urina tipo 1: normal
Endoscopia digestiva alta com duas varizes esofágicas de grosso calibre, sem sinais de sangramento recente. Ultrassonografia de abdome superior com líquido livre em pequena quantidade na cavidade, aumento do lobo esquerdo do fígado e aumento do baço. Com base no caso clínico apresentado, assinale a alternativa que indica a melhor conduta terapêutica a ser realizada neste momento.
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O achado decisivo é a presença de varizes esofágicas de grosso calibre sem sinais de sangramento recente, em paciente com hipertensão portal por esquistossomose; nesse cenário, a profilaxia primária de hemorragia varicosa está indicada, e entre as alternativas isso corresponde ao carvedilol.

Tema central: Profilaxia primária de varizes esofágicas
Análise das alternativas
A
Errada
Albumina não está indicada apenas por edema perimaleolar, albumina sérica de 3,1 g/dL e pequena ascite. Os contextos clássicos de benefício citados na base são paracentese de grande volume, peritonite bacteriana espontânea em cenários definidos e síndrome hepatorrenal. O caso não descreve nenhum desses contextos. Portanto, usar albumina aqui seria tratar hipoalbuminemia/edema como indicação automática, o que está incorreto.
B
Certa
O carvedilol é a melhor conduta porque o problema de maior relevância terapêutica e prognóstica já demonstrado no caso é a presença de varizes esofágicas de grosso calibre em contexto de hipertensão portal, sem sangramento prévio. Nessa situação, há indicação de profilaxia primária com betabloqueador não seletivo. O carvedilol se encaixa nesse objetivo por reduzir a pressão portal por bloqueio beta não seletivo e também por atividade alfa-1. As outras alterações do caso, como edema periférico, pequena ascite e sódio de 130 mEq/L, não superam essa indicação nem tornam outra alternativa mais apropriada neste momento.
C
Errada
Paracentese terapêutica não se indica porque a ascite não é volumosa nem tensa: a ultrassonografia mostra apenas pequena quantidade de líquido livre e o exame físico não descreve abdome distendido. A base também não sustenta necessidade diagnóstica evidente neste momento. Logo, a alternativa erra ao transformar pequena ascite em indicação de procedimento.
D
Errada
Restrição hídrica não é a melhor conduta porque o sódio de 130 mEq/L caracteriza hiponatremia leve, sem sintomas neurológicos descritos. Pela base, essa medida costuma ser reservada para hiponatremia mais importante, geralmente abaixo de 125-128 mEq/L ou sintomática. Além disso, essa alternativa não aborda o principal risco atual já documentado, que é o sangramento varicoso.
Pegadinha da questão
A banca tenta desviar a atenção para edema, pequena ascite e sódio de 130 mEq/L, mas o achado que realmente define a conduta é a presença de varizes esofágicas de grosso calibre sem sangramento recente, que impõe profilaxia primária.
Dica para questões semelhantes
  • Quando houver varizes esofágicas de médio ou grosso calibre sem sangramento prévio, procure a alternativa que faça profilaxia primária da hemorragia varicosa.
  • Não indique albumina apenas por edema, pequena ascite ou hipoalbuminemia moderada; confirme se há um contexto clássico de indicação.
  • Ascite pequena ao ultrassom, sem abdome tenso ou distendido, não caracteriza indicação de paracentese terapêutica.
  • Hiponatremia leve e assintomática não costuma ser a prioridade terapêutica quando há uma complicação portal maior claramente tratável.

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