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Q3916089 Português

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As estações do metrô de Moscou ganharam o apelido de “catedrais subterrâneas” porque, em muitos casos, foram concebidas para impressionar tanto quanto para transportar. Inaugurado em 1935, o sistema nasceu num período em que a infraestrutura era também linguagem política: o subsolo deveria expressar ordem, grandeza e promessa de futuro. Em vez de corredores utilitários, surgiram salões amplos, colunas ritmadas, abóbadas e luminárias que lembram naves de templos — não para sugerir religiosidade, mas para elevar o cotidiano à condição de espetáculo urbano.


A estética dessas estações dialoga com o realismo socialista e com tradições arquitetônicas russas e europeias, combinando mármores, granitos, bronze, vitrais, mosaicos e relevos. O resultado é uma arquitetura narrativa: cada estação parece “contar” algo por meio de materiais e símbolos, como se o percurso fosse também uma galeria. Essa intenção se revela na escala e no detalhe — do brilho das cúpulas às molduras das portas, do desenho dos pisos aos frisos com cenas históricas —, tudo organizado para conduzir o olhar e, ao mesmo tempo, disciplinar o fluxo de pessoas.


Algumas estações tornaram-se ícones justamente por condensarem esse projeto de monumentalidade. Em Komsomolskaya, a sensação é a de um grande salão cerimonial; em Mayakovskaya, a elegância das linhas e os painéis no teto criam um efeito quase cinematográfico; em Ploshchad Revolyutsii, esculturas em tamanho real aproximam o passageiro de figuras idealizadas do imaginário soviético; em Novoslobodskaya, vitrais e iluminação compõem um clima raro para um espaço de circulação rápida. São ambientes pensados para serem atravessados, mas também para serem vistos, como se a pressa tivesse de conviver com a contemplação.


A profundidade de várias linhas e a robustez da engenharia também carregam história. Durante a Segunda Guerra Mundial, o metrô serviu como abrigo e espaço estratégico pensado, o que reforçou a percepção de que aquele subterrâneo não era apenas trânsito, mas refúgio e cidade paralela. Assim, a beleza não aparece isolada: ela se apoia em soluções técnicas, ventilação, escadas rolantes longas e estruturas capazes de sustentar tanto a rotina quanto momentos de crise, mantendo a sensação de permanência mesmo em tempos instáveis.


Com o passar das décadas, novos trechos e estações foram incorporando estilos diferentes, do monumental ao mais sóbrio e funcional, conforme mudavam as prioridades estéticas e econômicas. Ainda assim, a imagem das “catedrais subterrâneas” persiste porque o metrô de Moscou preserva uma ideia rara: a de que a infraestrutura pode ser, simultaneamente, ferramenta e símbolo. No vai e vem diário, a arquitetura não serve apenas de fundo; ela participa do gesto de atravessar a cidade, lembrando que, às vezes, o caminho é tão expressivo quanto o destino.

No primeiro parágrafo, o autor opera uma desambiguidade ao esclarecer que o uso de elementos típicos de templos não visava "sugerir religiosidade". Segundo o texto, o objetivo dessa escolha estética, no contexto da infraestrutura como linguagem política, era:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a estrutura contrastiva "não..., mas..." no primeiro parágrafo, que afasta a leitura religiosa e fixa a finalidade da escolha estética no trecho "não para sugerir religiosidade, mas para elevar o cotidiano à condição de espetáculo urbano."

Tema central: finalidade da escolha estética
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque paraphraseia o trecho decisivo ao indicar que a intenção era tornar o cotidiano urbano mais marcado esteticamente. O texto não fala em religiosidade; ao contrário, explicita que a aparência de templo serve para "elevar o cotidiano à condição de espetáculo urbano."
B
Errada
Está errada porque o texto não afirma nem sugere que a ornamentação servia para esconder precariedade técnica. Ao contrário, há apoio textual para a coexistência entre beleza e solidez funcional, já que as estações foram "concebidas para impressionar tanto quanto para transportar" e, mais adiante, a engenharia é valorizada como robusta. A alternativa introduz uma finalidade inexistente no texto.
C
Errada
Está errada porque confunde comparação descritiva com finalidade de cópia. A imagem de "catedrais subterrâneas" caracteriza o efeito visual e espacial das estações, mas o trecho decisivo afasta a leitura literal de templo ao dizer "não para sugerir religiosidade". Além disso, o texto fala em diálogo com tradições arquitetônicas russas e europeias, não em mimetização de catedrais europeias.
D
Errada
Está errada porque extrapola a ideia de "linguagem política" para uma finalidade que o texto não enuncia. O primeiro parágrafo resolve a ambiguidade ao afirmar "não para sugerir religiosidade, mas para elevar o cotidiano à condição de espetáculo urbano." Não há, nesse ponto, referência a sacralização de líderes soviéticos. A alternativa cria um sentido não autorizado pelo texto.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de ler "catedrais subterrâneas" em sentido literal ou ideológico amplo e ignorar a correção explícita feita pelo autor na estrutura "não..., mas...", que elimina a leitura religiosa e define a finalidade estética correta.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto usar a estrutura "não..., mas...", trate a segunda parte como a correção semântica da primeira.
  • Em questões de interpretação, prefira a alternativa que parafraseia o trecho decisivo em vez da que acrescenta uma finalidade historicamente plausível, mas não dita.
  • Diferencie imagem descritiva de intenção textual: comparar a templo não significa copiar templo nem produzir religiosidade.

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