Sobre a canção lida, é CORRETO dizer que:

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Q2540520 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Texto II - Assum Preto - Luiz Gonzaga

Tudo em vorta é só beleza

Sol de Abril e a mata em frô

Mas Assum Preto, cego dos óio

Num vendo a luz, ai, canta de dor


Mas Assum Preto, cego dos óio

Num vendo a luz, ai, canta de dor


Tarvez por ignorança

Ou mardade das pió

Furaro os óio do Assum Preto

Pra ele assim, ai, cantá mió


Furaro os óio do Assum Preto

Pra ele assim, ai, cantá mió


Assum Preto veve sorto

Mas num pode avuá

Mil vez a sina de uma gaiola

Desde que o céu, ai, pudesse oiá


Mil vez a sina de uma gaiola

Desde que o céu, ai, pudesse oiá


Assum Preto, o meu cantar

É tão triste como o teu

Também roubaro o meu amor

Que era a luz, ai, dos óios meus

Também roubaro o meu amor

Que era a luz, ai, dos óios meus


Fonte: Disponível em: www.letras.mus.br/luiz-gonzaga/47082/. Acesso em: 19 mai. 2024.

Sobre a canção lida, é CORRETO dizer que:
Alternativas

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Tema central: Interpretação de textos literários, com foco em figuras de linguagem (especialmente metáfora e simbolismo) e crítica social implícita.

Justificativa da alternativa correta:

Alternativa C – O texto traz, de forma subjetiva, uma crítica social à insensibilidade e à exploração da natureza e dos seres vivos para o prazer humano.

Analisando a canção “Assum Preto”, percebemos o uso marcante de metáfora ao associar a dor do pássaro (furar os olhos para cantar melhor) à dor humana diante da perda (roubaram o amor, “a luz dos óios meus”). É uma construção simbólica e subjetiva, que revela uma crítica social à prática cruel e ao egoísmo que submete seres vivos ao sofrimento para atender ao desejo humano. Esse tipo de leitura requer habilidade para perceber o não dito – o implícito –, uma competência valorizada nos concursos, em especial para o cargo de professor, conforme orientam gramáticas como a de Bechara e Cunha & Cintra.

Análise das alternativas incorretas:

A) Limita-se a dizer que há “apenas uma comparação entre a cegueira do pássaro e o amor humano”. O texto vai além disso ao construir crítica social por meio dessa comparação. Generalizações desse tipo costumam ser pegadinhas: desconfie sempre do termo “apenas”.

B) Diz que a canção “trata de forma objetiva”, quando o tratamento é claramente subjetivo, construído por metáforas e sentimentos.

D) Afirma que a prática narrada é “apenas ficcional”. Trata-se de erro factual: a canção denuncia uma prática real e cruel, reforçando assim o teor de crítica social.

E) Declara haver “alusão ao equilíbrio ambiental”, o que não ocorre no texto. A letra não trata do equilíbrio dos ecossistemas, mas sim da dor oriunda da exploração dos animais.

Elementos-chave da interpretação:

Palavras e expressões como “furaro os óio”, “pra ele cantá mió”, “num vendo a luz” e o paralelo com o sofrimento humano são essenciais para perceber a crítica. Use sempre a estratégia de buscar o sentido subentendido e identificar símbolos em textos literários.

Dica final: Em questões de interpretação textual, atenção a generalizações (“só”, “apenas”, “todo”) e a termos que indiquem sentido literal ou metafórico, pois muitos erros residem aí, segundo orientações de grandes gramáticos como Evanildo Bechara.

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Comentários

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Gab. C

Não sabia dessa prática cruel com esses animais. Fui pesquisar e ainda é comum na atualidade.

Se você não tiver conhecimento prévio sobre essa crueldade, fica mais difícil de acertar.

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