Ainda assim, algumas pessoas continuam "a usá-lo" com entus...

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Q3836333 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As pessoas que não abrem mão dos disquetes


O último disquete foi fabricado há mais de uma década e não tem capacidade para armazenar sequer uma foto produzida por um celular moderno. Ainda assim, algumas pessoas continuam a usá-lo com entusiasmo. Entre elas está Espen Kraft, músico e YouTuber norueguês, que recorre a caixas cheias de disquetes sempre que uma nova ideia musical surge. Para ele, o ritual de escolher um disco, inseri-lo no sintetizador e aguardar o carregamento faz parte do processo criativo, despertando uma sensação de nostalgia e expectativa que considera essencial.

Os disquetes surgiram por volta de 1970 e, durante cerca de trinta anos, foram o principal meio de armazenamento de dados em computadores. Programas e sistemas eram instalados a partir deles e, apesar de hoje representarem uma tecnologia ultrapassada, mantêm apelo duradouro para determinados grupos. Com o avanço do século XXI, foram gradualmente substituídos por CDs graváveis, outros dispositivos e, posteriormente, pelo armazenamento em nuvem. Seu uso tornou-se inviável para o público geral, já que a capacidade máxima não compete com os padrões atuais.

Mesmo assim, disquetes continuam presentes em sistemas industriais e governamentais. Alguns equipamentos de transporte urbano, aeronaves e máquinas de fábrica ainda dependem deles para operar, inclusive para carregar atualizações críticas de software. Como não são mais fabricados desde 2011, existe um número limitado desses discos em circulação, o que os torna um recurso cada vez mais escasso. Empresários como Tom Persky mantêm esse mercado ativo, vendendo disquetes a entusiastas e usuários industriais em diversas partes do mundo.

Uma das razões para a permanência desse formato está relacionada à segurança. Por se tratar de um meio físico, isolado de redes digitais, o disquete reduz as possibilidades de ataques externos, já que qualquer interferência exigiria acesso direto ao disco. Ainda assim, muitas instituições vêm planejando a substituição definitiva desses sistemas por soluções digitais mais modernas, baseadas em conexões sem fio.

Para usuários como Espen Kraft, porém, o valor dos disquetes vai além da funcionalidade. Ele conserva milhares deles, com amostras sonoras raras coletadas ao longo de décadas, muitas das quais seriam impossíveis de recriar. O contato físico com o suporte, os ruídos do carregamento e a limitação técnica ajudam-no a produzir músicas que soam autênticas, como se realmente pertencessem ao passado.

Pesquisadores e entusiastas compartilham desse apego. Universidades reúnem arquivos de disquetes com jogos, dados e registros de antigas subculturas digitais, enquanto comunidades de fãs de computadores antigos continuam a desenvolver e distribuir novos softwares nesse formato. Para muitos, os disquetes simplesmente funcionam e cumprem o propósito para o qual foram criados, sem exigir investimentos caros em atualização tecnológica.

Embora seja cada vez mais difícil manter sistemas baseados em disquetes, o formato persiste na vida de algumas pessoas por suas características únicas.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy94nqlnqgeo.adaptado.
Ainda assim, algumas pessoas continuam "a usá-lo" com entusiasmo.

Quanto à colocação pronominal presente na forma destacada, assinale a alternativa correta:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O trecho decisivo é "a usá-lo": o pronome oblíquo átono "lo" vem posposto ao verbo no infinitivo "usar", com hífen, o que caracteriza ênclise e confirma o gabarito C.

Tema central: colocação pronominal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque chama de próclise uma forma em que o pronome aparece depois do verbo. Em "usá-lo", o pronome não está anteposto; está posposto ao infinitivo "usar". Além disso, "Ainda assim" não autoriza classificar a forma destacada como próclise ao verbo que recebe o pronome.
B
Errada
Está errada porque a classificação pertinente, no conteúdo cobrado, é próclise, ênclise ou mesóclise, e a forma efetivamente presente no trecho é ênclise. A descrição da construção perifrástica não altera o fato central de que, em "usá-lo", o pronome vem depois do verbo.
C
Certa
A alternativa C está correta porque identifica exatamente a estrutura presente na forma destacada: o pronome não aparece antes do verbo nem no interior dele, mas depois do infinitivo "usar", na forma "usá-lo". O ponto decisivo é observar o verbo ao qual o pronome está ligado: não é "continuam", e sim "usar". Como há pronome oblíquo átono posposto ao verbo no infinitivo, a classificação correta é ênclise.
D
Errada
Está errada porque não há pronome intercalado no interior de forma verbal. Em "a usá-lo", o pronome aparece após o verbo "usar"; isso exclui mesóclise. A preposição "a" não transforma a estrutura em forma verbal com pronome no meio.
E
Errada
Está errada porque a colocação pronominal não é livre nem sem restrições sintáticas ou normativas. No trecho, há uma realização concreta e classificável: ênclise ao infinitivo. Portanto, não se pode tratar a posição do pronome como circulação irrestrita entre os verbos.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de olhar para "Ainda assim" ou para o verbo "continuam" e esquecer o elemento decisivo: o pronome está ligado ao infinitivo "usar", na forma "usá-lo", o que define ênclise.
Dica para questões semelhantes
  • Localize primeiro o verbo ao qual o pronome está preso; em locução verbal, ele pode não estar ligado ao primeiro verbo.
  • Classifique pela posição real do pronome na forma destacada: antes do verbo, próclise; depois do verbo, ênclise; dentro do verbo, mesóclise.
  • Não deixe conectores ou advérbios desviarem a análise se a forma destacada mostra claramente a posição do pronome.
  • Desconfie de alternativa com termo técnico fora da tríade normativa usual: próclise, ênclise e mesóclise.

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