O tempo ou a temporalidade dos verbos, assim como o modo ve...

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Q3831767 Português
Como toda lenda, é impossível dizer com exatidão como surgiu a história da Perna Cabeluda. O primeiro registro é de uma matéria que surgiu na edição de 10 de dezembro de 1975 do Diário de Pernambuco, o jornal mais antigo em circulação na América Latina. A manchete anunciava: Perna fantasma surge em moradia de Tiúma. Publicada sem assinatura de repórter, a notícia relatava que um homem chamado José Luís Borges (seria ele o célebre escritor argentino?) havia visto "uma perna caminhar pelas paredes" da casa onde morava com o filho, Wanderley Borges, no bairro de Tiúma, em São Lourenço da Mata, a cerca de 50 km do Recife. Apavorados, pai e filho chamaram dois médiuns, um padre e um pastor protestante para tentar afastar a maldição, além de estarem dispostos a abandonar a residência caso as "visagens" continuassem. O episódio, de acordo com a matéria, provocou "um rebuliço no município".

(Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/lenda-perna-cabeluda-agente-secreto/. Acesso em 10 nov. 2025. Adaptado.)
O tempo ou a temporalidade dos verbos, assim como o modo verbal não são escolhidos aleatoriamente na construção textual. Enquanto o tempo verbal marca a posição que os fatos enunciados ocupam no tempo, o modo exprime sentidos diversos, desde ideias mais certas, concluídas, a incertezas, dúvidas instruções ou ordens. Tendo isso em consideração, analise as sentenças a seguir:

I. No texto há predomínio de dois tempos verbais: pretérito perfeito e pretérito imperfeito, ambos no modo indicativo, considerando os fatos a que eles se referem em sua certeza de acontecimento.
II. Em "A manchete anunciava", o verbo está no pretérito imperfeito do indicativo e exprime, para o leitor, a ideia de um fato passado, mas não concluído, dando uma ideia de continuidade. O mesmo ocorre em: "seria ele o célebre escritor argentino?".
III. Em "além de estarem dispostos a abandonar a residência caso as 'visagens' continuassem", a escolha pelo pretérito do subjuntivo para a conjugação do verbo continuar se dá porque, nesse contexto, apesar de a ação estar localizada no passado, ela se refere a uma possibilidade, a uma hipótese.

É correto o que se afirma em: 
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A resolução depende de reconhecer, no excerto, o valor de uso dos tempos e modos verbais: predominam pretérito perfeito e pretérito imperfeito do indicativo para narrar fatos passados, enquanto "seria" expressa conjectura no futuro do pretérito do indicativo e "continuassem", em "caso as \"visagens\" continuassem", marca hipótese no pretérito imperfeito do subjuntivo. Esse conjunto sustenta a validade de I, II e III e, por consequência, da alternativa E.

Tema central: Tempos e modos verbais
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque exclui a sentença II. Pela base, a II deve ser aceita, já que o item cobra o valor semântico-discursivo dos verbos no contexto: "anunciava" exprime passado em desenvolvimento/descritivo, e "seria" exprime conjectura, isto é, não certeza. Eliminar II ignora esse critério.
B
Errada
Está errada porque exclui a sentença I. O texto efetivamente apresenta predominância de pretérito perfeito e pretérito imperfeito do indicativo na narração: "surgiu", "chamaram" e "provocou" são exemplos de perfeito; "anunciava" e "relatava", de imperfeito. A presença de outros tempos não desfaz essa predominância.
C
Errada
Está errada porque limita a correção à sentença I. A III também está correta, pois "continuassem" é pretérito imperfeito do subjuntivo e, com a conjunção "caso", expressa hipótese. Além disso, a II é aceita pela questão em razão do valor de não conclusão/conjectura identificado no contexto.
D
Errada
Está errada porque considera correta apenas a II e desconsidera duas afirmações sustentadas diretamente pelo texto. A I se confirma pela predominância de pretérito perfeito e imperfeito no excerto; a III se confirma pela estrutura hipotética "caso as \"visagens\" continuassem", em que o subjuntivo marca possibilidade, não fato certo.
E
Certa
A alternativa E está correta porque as três sentenças se ajustam ao funcionamento verbal do excerto. A I procede ao reconhecer a predominância de pretérito perfeito e pretérito imperfeito do indicativo, visível em formas como "surgiu", "chamaram", "provocou", "anunciava" e "relatava", usadas para narrar fatos passados apresentados no plano do indicativo. A II está correta no critério adotado pela questão porque "A manchete anunciava" traz pretérito imperfeito com valor de fato passado em curso, descritivo, sem foco no término, e "seria ele o célebre escritor argentino?" é futuro do pretérito do indicativo com valor de conjectura, isto é, afastamento de certeza e não conclusão. A III também está correta porque, em "caso as \"visagens\" continuassem", o pretérito imperfeito do subjuntivo, introduzido por "caso", marca possibilidade ou hipótese, mesmo em um quadro narrativo passado.
Pegadinha da questão
A armadilha está na sentença II: "seria" não é pretérito imperfeito do indicativo, mas futuro do pretérito do indicativo. Ainda assim, a questão a considera correta pelo valor contextual de conjectura e não conclusão; o foco, portanto, é a tensão entre classificação morfológica estrita e efeito de sentido no texto.
Dica para questões semelhantes
  • Não decida só pela etiqueta do tempo verbal; confira também o valor que ele produz no texto narrativo.
  • Em narração, diferencie verbos que apresentam fatos concluídos dos que funcionam como pano de fundo, descrição ou continuidade.
  • Quando aparecer "caso", verifique se o verbo está marcando hipótese ou possibilidade, mesmo que a frase esteja em contexto passado.

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