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Q2487007 Medicina

        Uma paciente com 50 anos de idade procurou um serviço médico para avaliação clínica de rotina. Ela informou se sentir saudável e negou a presença de sintomas; nunca fumou ou fez uso de bebidas alcoólicas; não pratica exercícios físicos e disse ter uma alimentação normocalórica. O pai dela é portador de hipertensão arterial e a mãe faz tratamento para diabetes. O exame físico dessa paciente mostrou peso de 90 kg e altura de 1,60 m. Os exames laboratoriais realizados na consulta mostraram glicemia de jejum de 200 mg/dL e hemoglobina glicada de 8%. O hemograma, o lipidograma e as funções renal, hepática e tireoidiana apresentaram resultados dentro do limiar de normalidade. Sorologias para hepatite e HIV foram negativas.         


Acerca desse quadro clínico hipotético, julgue o item que se segue. 


O caso em apreço impõe a necessidade da busca de causas secundárias de diabetes melito, cujo tratamento pode promover melhora do controle metabólico.

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Tema central: diagnóstico de diabetes melito (DM) e necessidade de investigar causas secundárias que, se tratadas, podem melhorar o controle glicêmico.

Raciocínio clínico: A paciente tem IMC ≈ 35 kg/m² (obesidade) e exames com glicemia de jejum = 200 mg/dL e HbA1c = 8%, ambos em faixa diagnóstica para DM. Segundo a ADA 2024 (Standards of Care) e Harrison’s, quando dois métodos diferentes estão concordantemente alterados, o diagnóstico de DM está estabelecido, mesmo em assintomáticos.

Por que a assertiva é correta? Diretrizes (ADA 2024; UpToDate) recomendam, na avaliação inicial do DM recém-diagnosticado, considerar causas secundárias, pois sua identificação e tratamento podem reduzir a hiperglicemia. Exemplos:

  • Fármacos: glicocorticoides, tiazidas/loop, antipsicóticos atípicos, inibidores de protease.
  • Endocrinopatias: síndrome de Cushing, acromegalia, feocromocitoma, hipertiroidismo.
  • Doença pancreática exócrina: pancreatite crônica, neoplasias, hemocromatose.
  • Formas específicas: LADA (autoimune em adultos), MODY (monogênica), pós-transplante.

Tratar a causa pode melhorar o controle glicêmico (ex.: suspender/ajustar corticoide, tratar Cushing/acromegalia, flebotomias na hemocromatose), alinhado à boa prática clínica.

Aplicando ao caso: Embora o fenótipo sugira DM2, a anamnese dirigida e o exame físico devem buscar sinais/uso de drogas hiperglicemiantes, estigmas cushingoides/acromegaloides, história de pancreatite, antecedentes familiares atípicos (MODY). Alguns rastreios já foram feitos e normais (tireoide, função hepatorrenal), mas isso não exclui outras causas secundárias relevantes.

Conduta inicial (resumo útil para prova): confirmar DM (teste repetido se necessário), iniciar mudança de estilo de vida e metformina (se não houver contraindicação), avaliar complicações: PA, UACR e TFG, fundo de olho, monofilamento, perfil lipídico e imunizações (ADA 2024/SBM).

Pegadinha: Obesidade e história familiar não dispensam a busca de causas secundárias. O enunciado já excluiu algumas (tireoide, hepatopatias, HIV/hepatites), mas outras devem ser investigadas clinicamente.

Alternativa C – certo: Correta, pois a investigação de causas secundárias no diagnóstico inicial de DM é recomendada e seu tratamento pode melhorar o controle metabólico (ADA 2024; UpToDate; Harrison’s).

Alternativa E – errado: Errada, pois ignora a necessidade de avaliação etiológica ampla no início do DM, o que pode levar à perda de oportunidades terapêuticas potencialmente reversíveis.

Referências essenciais: ADA Standards of Care in Diabetes 2024; UpToDate – Initial management of hyperglycemia in adults with type 2 diabetes mellitus; Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed.

Gabarito: C

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Comentários

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A afirmativa apresentada sugere a investigação de causas secundárias de diabetes mellitus, contudo, com base no quadro clínico descrito, não há informações suficientes que justifiquem tal busca. A paciente, com 50 anos, apresentou uma glicemia de jejum de 200 mg/dL e hemoglobina glicada de 8%, valores que sugerem o diagnóstico de diabetes mellitus, principalmente no contexto da ausência de sintomas e de resultados normais nos outros exames, sem sinais aparentes de doenças que poderiam causar diabetes secundariamente (como doenças pancreáticas, endocrinopatias, uso de medicamentos, entre outras). Além disso, ela possui histórico familiar de diabetes, o que aumenta o risco de diabetes tipo 2. Portanto, a resposta correta para essa questão é que não há indicação imediata para a busca de causas secundárias de diabetes, devendo-se iniciar a abordagem e manejo padrão para o diabetes tipo 2, que inclui mudança no estilo de vida e, se necessário, tratamento farmacológico para controle glicêmico.

É RECOMENDADO utilizar, como critérios de diagnóstico de DM, a glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dl, a HbA1c maior ou igual a 6,5%, a glicemia no TTGO-1h maior ou igual a 209 mg/dl ou a glicemia no TTGO- 2h maior ou igual a 200 mg/dl. Se somente um exame estiver alterado, este deverá ser repetido para confirmação.

O paciente não precisa de pesquisar causas secundárias de DM2

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