Com base no poema, a afirmação fui o único poeta da Naturez...

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Q2577258 Português
Responda à questão com base no seguinte texto:

Se Depois de Eu Morrer

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.


Autor: Fernando Pessoa. 
Com base no poema, a afirmação fui o único poeta da Natureza sugere: 
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto, com foco na análise do sentido contextual e figuras de linguagem, especialmente a hipérbole (exagero para ênfase).

Justificativa para a alternativa correta (C):

A frase “fui o único poeta da Natureza” utiliza hipérbole, intensificando a singularidade da relação do eu-lírico com a Natureza. Não se trata de exclusividade literal, mas de destacar a autenticidade e simplicidade com que ele vivencia e expressa seu contato com o mundo natural.

No decorrer do poema, o sujeito afirma “Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma” e “Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras”, apontando para uma relação profunda e espontânea, sem artificialismos. Assim, a alternativa C — “Um vínculo profundo e autêntico com o mundo natural, sem artifícios ou excessos sentimentais” — é a interpretação que se ajusta perfeitamente ao contexto e ao sentido pretendido pelo autor.

Análise das alternativas incorretas:

A) Afirma ser uma crítica às demais expressões poéticas. Não há nenhuma menção, direta ou indireta, de menosprezo ou comparação depreciativa às obras alheias; o foco do poema é na própria experiência, não em outras correntes ou autores.

B) Propõe um desprezo pelas emoções humanas e uma visão de dominação racional. O texto não apresenta imagem de conquista ou controle da Natureza, tampouco despreza as emoções — ele apenas afirma viver sem exageros sentimentais.

D) Interpreta como abordagem científica/analítica. O poema é nitidamente sensorial e direto; não há método científico, coleta de dados, nem busca teórica. A compreensão é pela vivência e contemplação.

Estratégia de interpretação:

Atenção às palavras-chave (“sem sentimentalidade”, “com os olhos”), à intenção hiperbólica e ao contexto das afirmações. Evite interpretações literais absolutas ou projeções externas ao texto.

Referência: Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), deve-se considerar o uso contextual das expressões e o valor estilístico das figuras de linguagem para interpretar adequadamente sentidos na poesia.

Resumo: A alternativa C é a correta, pois reflete a relação genuína e profunda entre o eu-lírico e a Natureza, desprovida de exageros emocionais ou artifícios, expressando sua visão pessoal e autêntica.

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