No litoral de Alagoas, estudos etnomatemáticos revelam que ...

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Q3955385 Pedagogia

No litoral de Alagoas, estudos etnomatemáticos revelam que pescadores artesanais utilizam a “braça”, medida baseada na envergadura dos braços abertos, como unidade fundamental para a confecção e a comercialização de redes de pesca. Ao transpor essa realidade para o ambiente escolar, sob a perspectiva da Etnomatemática proposta por D’Ambrosio, o papel do professor de matemática deve ser de 

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

O que precisava saber: Era necessário saber que, na perspectiva de D'Ambrosio, a Etnomatemática reconhece que práticas matemáticas emergem de contextos culturais concretos. Por isso, o professor não deve inferiorizar o saber local nem simplesmente substituí-lo pelo saber formal, mas promover diálogo entre o conhecimento construído na prática social/cultural e o saber escolar, discutindo critérios, limites e finalidades de cada sistema de medida.

Critério decisivo: A perspectiva de D'Ambrosio exige que o professor reconheça o conhecimento produzido na prática social/cultural dos sujeitos e o coloque em diálogo com a matemática escolar, sem desqualificar o saber local nem transformá-lo em substituto automático do conhecimento institucional.

Tema central: Etnomatemática na prática pedagógica: valorização do saber local, diálogo com o conhecimento escolar e mediação crítica entre culturas matemáticas.
Análise das alternativas
A
Errada
Está incorreta porque defende que a escola deve "corrigir" os saberes informais, demonstrando a ineficácia da braça. A base afirma o contrário: a Etnomatemática não autoriza desqualificar o saber local nem tratá-lo como erro ou atraso; o foco é compreender sua lógica de uso, sua função social e colocá-lo em diálogo com a matemática escolar.
B
Certa
A alternativa B é correta porque explicita exatamente o papel docente indicado na base: promover o diálogo entre o saber ad hoc e o saber institucional. Além disso, ela incorpora dois pontos centrais da abordagem etnomatemática presentes na base: compreender as razões socioculturais da persistência da unidade usada pelos pescadores e discutir padronização, precisão e variabilidade. Isso corresponde à mediação pedagógica proposta, em que o saber local é respeitado e articulado ao conhecimento escolar, sem ser tratado como erro, folclore ou algo a ser simplesmente substituído.
C
Errada
Está incorreta porque troca a mediação crítica pela substituição do sistema institucional por uma prática local. A base sustenta que o professor deve articular o saber tradicional ao saber escolar, ajudando a comparar critérios, limites e finalidades de cada sistema de medida. Valorizar o saber local não significa institucionalizá-lo como unidade oficial nem rejeitar a padronização.
D
Errada
Está incorreta porque retira a prática dos pescadores do campo da matemática e rejeita a interdisciplinaridade. A base afirma que práticas matemáticas emergem de contextos culturais concretos e que a Etnomatemática faz justamente a leitura cultural da matemática, integrando o saber da prática social ao trabalho pedagógico matemático.
E
Errada
Está incorreta porque reduz o saber do pescador a uma curiosidade motivadora e, depois, afirma a superioridade absoluta do SI. A base veda essa hierarquização simplista dos saberes: o conhecimento local não deve ser tratado como mero adereço folclórico nem abandonado assim que aparece o saber formal; ele deve ser objeto de articulação pedagógica e comparação crítica.
Pegadinha da questão
A pegadinha foi sugerir dois desvios comuns: tratar o saber local como erro a ser corrigido ou, no extremo oposto, substituir o currículo formal por ele. Pela base, a Etnomatemática não faz nenhuma dessas coisas: ela valoriza o saber local e o coloca em diálogo com o conhecimento escolar, inclusive para discutir padronização, precisão e variabilidade.
Dica para questões semelhantes
  • Em Etnomatemática, procure alternativas que reconheçam o saber produzido em contextos culturais concretos e proponham articulação com a matemática escolar.
  • Descarte opções que tratem o conhecimento local como erro, atraso, folclore ou simples motivação inicial sem valor pedagógico próprio.
  • Também descarte alternativas que confundam valorização do saber local com rejeição do sistema formal ou substituição da padronização escolar.
  • Quando aparecerem práticas culturais de medida, observe se a proposta permite discutir função social, limites de uso, padronização, precisão e variabilidade.

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