Recomenda-se o acompanhamento clínico anual do paciente, co...
Um paciente assintomático, com trinta e dois anos de idade, compareceu a uma consulta de rotina. Seus antecedentes pessoais incluíam descolamento de retina e luxação de cristalino. Ao exame físico, ele apresentava pressão arterial = 122 mmHg × 76 mmHg (média de três medidas), frequência cardíaca = 68 bpm, pectus carinatum, ictus visível e palpável no 5.º espaço intercostal na linha hemiclavicular esquerda com ritmo cardíaco regular em dois tempos e bulhas cadíacas normofonéticas com sopro diastólico de +/4 no 4.º espaço intercostal na linha paraesternal à esquerda. Os demais dados do exame físico foram normais. O ecocardiograma revelou função sistólica do ventrículo esquerdo preservada e raiz da aorta com 57 mm e Z-Score de 6.71.
A partir do caso clínico apresentado, julgue o item seguinte.
Gabarito comentado
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Tema central da questão: Aneurisma de raiz aórtica em paciente com síndrome de Marfan.
Análise do caso clínico: Paciente jovem, assintomático, com sinais típicos de doença do tecido conjuntivo (descolamento de retina, luxação de cristalino, pectus carinatum), compatível com síndrome de Marfan. Sopro diastólico sugere insuficiência aórtica, e o ecocardiograma mostra raiz da aorta 57 mm (Z-score 6,71), valores bastante superiores ao limite seguro.
Justificativa para a alternativa correta (“Errado”):
Em pacientes com síndrome de Marfan, a principal ameaça à vida é a dissecção ou ruptura da aorta, cujo risco aumenta consideravelmente quando o diâmetro da raiz aórtica atinge ≥5,0 cm. Segundo o UpToDate e o Guidelines da American College of Cardiology/American Heart Association (ACC/AHA), a cirurgia profilática está indicada para diâmetros da raiz igual ou superiores a 5,0 cm. (UpToDate, "Management of Marfan syndrome and related disorders", 2023).
No Brasil, as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e o Ministério da Saúde também recomendam intervenção cirúrgica nessa faixa de diâmetro.
Por que a alternativa está errada?
A conduta correta não é apenas acompanhamento anual, pois o atraso cirúrgico aumenta o risco de complicações fatais. Nestes casos, o acompanhamento pode ser trimestral enquanto tramita encaminhamento cirúrgico, mas não se deve aguardar!
Análise de pegadinhas: A palavra “assintomático” pode induzir a erro, mas em Marfan, a indicação de cirurgia é pelo risco anatômico e não pelo aparecimento de sintomas.
Estratégia para futura leitura de questões:
- Identifique contexto genético: associação de sinais sistêmicos (ectopia de cristalino, descolamento de retina) → pense em Marfan ou displasia do tecido conjuntivo.
- Achado chave: diâmetro da aorta igual ou superior a 5,0 cm = indicação cirúrgica.
- Em síndromes do tecido conjuntivo, critérios de intervenção são mais rigorosos do que em aneurismas degenerativos do idoso.
Resumo final: Pacientes com Marfan e raiz aórtica ≥5,0 cm: cirurgia indicada! Acompanhamento anual está incorreto e pode ser fatal. Fundamental dominar este conceito para provas e, mais importante, prática clínica.
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