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Q1814692 Português

Juiz concede liberdade provisória a mulher presa por injúria racial contra taxista em BH

O magistrado estipulou uma fiança de R$ 10 mil que deve ser paga pela mulher antes de ser liberada.

 

    A Justiça concedeu liberdade provisória a Natália Burza Gomes Dupin, de 36 anos, presa depois de ofender um taxista negro no Bairro Santo Agostinho, na Região Centro- -Sul da cidade. Em audiência de custódia, realizada na manhã deste sábado no Fórum Lafayette, o Juiz determinou o pagamento de fiança de R$ 10 mil para liberar a ré. Os advogados de defesa informaram que vão se posicionar sobre o caso ainda nesta tarde.

    As audiências de custódia consistem na apresentação do preso em flagrante a um juiz no prazo de 24 horas. Após a audiência, o magistrado decide se o custodiado deve responder ao processo preso ou em liberdade, podendo ainda decidir pela anulação da prisão em caso de ilegalidade.

    A mulher foi autuada em flagrante por injúria racial, desacato, desobediência e resistência após dizer ao motorista que “não andava com negros” e de se confessar racista. Ela foi levada para uma unidade do sistema prisional, mas poderá ser solta. Segundo o registro policial, o taxista Luis Carlos Alves Fernandes, há 16 anos na profissão, estava parado na Avenida Álvares Cabral, em frente ao prédio da Justiça Federal.

    Ele teria presenciado a mulher, identificada como Natália Gomes, se aproximando com um idoso e aparentemente procurando um táxi. Segundo o motorista, ele se dirigiu à mulher para perguntar se precisava do serviço. Segundo relato da vítima que consta do boletim de ocorrência, no momento ele foi interrompido pela mulher, que teria dito: “Precisando de um táxi estou mesmo, mas não ando com negros”.

    O taxista disse que questionou se a mulher sabia que estava cometendo um crime. Nesse momento ela respondeu, segundo o relato do condutor: “Não gosto de negro mesmo. Sou racista”. E cuspiu no seu pé, contou ele. Ela chegou a entrar em um dos táxis, mas foi impedida de seguir com a corrida. A vítima narrou que todos ficaram muito revoltados e tentaram agredi-la. Entretanto, a polícia chegou muito rápido. “Até então, ela estava muito calma. Ela se exaltou ao chegar à delegacia, onde precisou ser algemada”, completou.

    De acordo com a PM, quando os militares chegaram ao local, a mulher os ignorou. Acabou sendo conduzida para a Delegacia Adjunta ao Juizado Especial Criminal (Deajec). Mesmo detida, segundo o boletim de ocorrência, a mulher continuou exaltada. De acordo com a PM, uma sargento pediu para ela se sentar na delegacia. Como resposta, foi chamada de “sapata”.

    O taxista conta que exerce a profissão há 16 anos como taxista e nunca havia sofrido nenhum tipo de preconceito, mas agora está revoltado. Segundo a vítima, desde o primeiro momento, a mulher foi muito arrogante e tinha certeza da impunidade. “Ela achou que diria o que disse e sairia impune. Disse que o pai é delegado e repetia ‘você não sabe com quem está falando’”. Luis Carlos ainda disse que é importante ficar atento: “O racismo não está só nas palavras usadas pela mulher. Pode ser muito sutil, mas precisamos denunciar”, disse o homem, que espera que o caso seja classificado como racismo.

 

(João Henrique do Vale; postado em 07/12/2019. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2019/12/07/interna_gerai s,1106594/juiz-concede-liberdade-provisoria-mulher-presa-injuriaracial-taxista.shtml.)

Em “Os advogados de defesa informaram que vão se posicionar sobre o caso ainda nesta tarde.” (1º§), a expressão destacada sugere:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão aborda a interpretação de textos, com foco em semântica — ou seja, o sentido de uma expressão temporal (“ainda nesta tarde”) no contexto do texto jornalístico.

Justificativa da alternativa correta (A): A expressão “ainda nesta tarde” é um marcador temporal que indica previsibilidade de um evento futuro próximo, ou seja, sinaliza que os advogados vão se manifestar em breve, dentro do mesmo dia. De acordo com gramáticas como Bechara e Cunha & Cintra, advérbios e locuções adverbiais temporais, como “ainda hoje” ou “ainda neste semestre”, atribuem à frase uma expectativa de brevidade e antecipação de um fato.

O emprego do advérbio “ainda” sugere rapidez ou iminência; portanto, a alternativa A — “Previsibilidade temporal que remete ao desejo de uma rápida elucidação do posicionamento assumido” — é a resposta correta, pois interpreta corretamente a intenção comunicativa do trecho.

Análise das alternativas incorretas:

B) Fala em “intensificação do debate provocado por ato racista”, mas a expressão destacada não faz referência ao debate social, e sim ao fato objetivo de os advogados sinalizarem manifestação em momento determinado.

C) Afirma atenuação das consequências e condição de anular o ocorrido. Erro: o texto apenas indica previsão de tempo, não traz nenhuma informação sobre anulação dos fatos.

D) Alega morosidade nas questões judiciais, porém o emprego de “ainda nesta tarde” sugere agilidade, oposto da ideia expressa na alternativa.

Orientação estratégica: Sempre que encontrar uma expressão temporal em questões de interpretação, atente-se à função dela no contexto. Pergunte-se: indica ideia de urgência, postergação, rotina, surpresa? Foque nas palavras-chave e elimine alternativas que distorcem o sentido imediato do texto.

Resumo: Expressões como “ainda nesta tarde” são usadas para reduzir a expectativa de espera e informar ação rápida e previsível. A correta leitura desses marcadores temporais faz diferença no acerto em provas de interpretação.

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Gabarito: A. A persistência leva ao êxito! Nunca desista!

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