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Q1686038 Português
A família humana

   Não acho que tudo tenha piorado nos dias atuais. Nunca fui saudosista. Prefiro a comunicação imediata pela internet a cartas que levavam meses. Gosto mais de trabalhar no computador do que de usar a velha máquina de escrever (que tinha lá seu charme). No whats ou outros, falo instantaneamente com amigos e familiares aqui perto, do outro lado do mundo – os afetos se multiplicam, se consolidam, circulam mais emoções. Nossa qualidade de vida melhorou em muitas coisas, mas serviços essenciais entre nós andam deteriorados, uma vasta parcela da humanidade ainda vive em nível de miséria.
   São as contradições inacreditáveis de um sistema onde cosmólogos investigam espaços insuspeitados, cada dia trazendo revelações intrigantes, mas ainda sofre e morre gente nos corredores de hospitais sobrecarregados, milhões de crianças morrem de fome, outros milhões nunca chegam à escola, ou brincam diante de barracos com barro feito de água e esgoto. 
   Minhas repetições são intencionais, aqui, nos romances, até nos poemas. Retorno a temas sobre os quais eu mesma tenho incertezas. Que envolvem antes de mais nada ética, moralidade, confiança. Decência: pois é neles que eu aposto, nos decentes que olham para o outro – que somos todos nós, do gari ao intelectual, da dona de casa à universitária, dos morenos aos louros de olhos azuis – com atenção e respeito.
   Estudos recentes sobre história das culturas revelam dados sobre tempos em que a parceria predominou sobre a dominação: entre povos, entre grupos, entre pessoas. Mas o mesmo ser humano que busca o amor anseia pela dominação nas relações pessoais, internacionais, de gênero, de idade, de classe.
   E se tentássemos mais parceria? Na verdade não acredito muito nisso, a não ser que a gente dê uma melhorada em si mesmo. É possível que em algumas décadas, ou mais, a miscigenação será generalizada, superados os conflitos raciais às vezes trágicos. Teremos uma miscigenação densa de cores, formas, idiomas e culturas.
   Origem, dinheiro ou tom de pele vão interessar menos do que caráter e lealdade, a produtividade e competência menos do que a visão de mundo e a abertura para o outro, a máquina importará tanto quanto o sonho, a hostilidade não vai esmagar a esperança, e não teremos de dominar o outro tentando construir uma civilização.
    Talvez eu hoje tenha acordado feito uma visionária ingênua: não é inteiramente ruim, isso se chama esperança de que um dia predomine, sim, a família humana. “E aí?”, perguntarão. “Sem conflito, sem cobiça, sem alguma opressão e alguma guerrinha, qual a graça?”
    Aí, não vamos bocejar como anjos entediados, mas crescer mais, e mais, em caráter, sabedoria, harmonia, e – por que não? – algum tipo de felicidade.
(LUFT, Lya. A família humana.Disponível em: https://gauchazh.clicrbs. com.br/colunistas/lya-luft/noticia/2019/06/a-familia-humana-cjx6p12 mq01ro01o9obgwdbq6.html. Acesso em: 06/04/2020.)
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Vamos analisar a questão apresentada, que envolve principalmente a interpretação de texto. O objetivo aqui é identificar a mensagem central que a autora Lya Luft transmite em seu texto sobre a família humana.

Alternativa A: "A autora apresenta uma visão pessimista sobre os dias atuais."

Essa alternativa está incorreta. Embora a autora mencione aspectos negativos, como os serviços essenciais deteriorados e a miséria, ela também destaca melhorias e expressa esperança no futuro. Portanto, a visão não é exclusivamente pessimista.

Alternativa B: "As pessoas decentes olham com atenção e respeito para o outro."

Esta é a alternativa correta. No texto, a autora afirma que aposta nos "decentes que olham para o outro – que somos todos nós, do gari ao intelectual, da dona de casa à universitária, dos morenos aos louros de olhos azuis – com atenção e respeito". Esse trecho ressalta a importância da atenção e do respeito entre as pessoas.

Alternativa C: "O ser humano busca o amor incondicional; porém, não anseia pela dominação."

Esta alternativa está incorreta. O texto menciona explicitamente que "o mesmo ser humano que busca o amor anseia pela dominação nas relações pessoais, internacionais, de gênero, de idade, de classe", contrariando a afirmação da alternativa.

Alternativa D: "A palavra 'miscigenação' significa a segregação das raças e dos desejos humanos."

Esta alternativa é incorreta. A palavra "miscigenação" refere-se à mistura de raças, e não à segregação. O texto fala sobre uma "miscigenação densa de cores, formas, idiomas e culturas", o que indica integração e não separação.

Alternativa E: "A autora admite ser ruim acordar esperançosa como uma visionária ingênua que é."

Esta alternativa também está incorreta. Embora a autora se refira a si mesma como uma "visionária ingênua", ela não considera isso ruim, mas sim uma forma de esperança: "não é inteiramente ruim, isso se chama esperança".

Para interpretar um texto, é fundamental identificar as palavras-chave e os elementos de coesão que indicam o tom e a intenção do autor. Nesse caso, a expressão de esperança de Lya Luft é crucial para responder corretamente.

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Minhas repetições são intencionais, aqui, nos romances, até nos poemas. Retorno a temas sobre os quais eu mesma tenho incertezas. Que envolvem antes de mais nada ética, moralidade, confiança. Decência: pois é neles que eu aposto, nos decentes que olham para o outro – que somos todos nós, do gari ao intelectual, da dona de casa à universitária, dos morenos aos louros de olhos azuis – com atenção e respeito.

letra B

A meu ver, essa questão é recorrível.

Não entendi que todas as pessoas decentes necessariamente olharão para as outras com atenção e respeito para o outro; compreendi que existiria um grupo de pessoas decentes, dentro do conjunto "pessoas decentes", que olha para o próximo com atenção e respeito.

"[...] é neles que eu aposto, nos decentes que olham para o outro – que somos todos nós, do gari ao intelectual, da dona de casa à universitária, dos morenos aos louros de olhos azuis – com atenção e respeito."

Não necessariamente todos os decentes seriam assim; apenas alguns deles, em uma oração adjetiva restritiva. Faz sentido?

Além do mais, apresentar a ideia de que a miséria é visível em qualquer esquina, mesmo o mundo estando hiperglobalizado, não é apresentar uma visão pessimista dos dias atuais e ansiar por dias melhores no futuro (letra A)?

Me corrijam se eu estiver errado, por favor.

O argumento do Joao Pedro e válido, mas na pratica essa era a alternativa mais certa e acredito que a banca nao aceitaria o recurso.

✅Letra B.

Cheguei à resposta lendo essa parte do texto...

...pois é neles que eu aposto, nos decentes que olham para o outro – que somos todos nós, do gari ao intelectual, da dona de casa à universitária, dos morenos aos louros de olhos azuis – com atenção e respeito.

Lute por vc, continue por vc. RESISTA NA JORNADA MESMO DÍFICIL!!! ✍✿

nos decentes que olham para o outro => o "que" não é um pronome relativo? logo, oração subordinada adjetiva restritiva? isso tornaria a B incorreta

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