Vai ter pra todo mundo?Se tudo der certo, na noite deste dom...

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Ano: 2008 Banca: CONSULPLAN Órgão: Prefeitura de Riachuelo - SE
Q1199573 Português
Vai ter pra todo mundo?
Se tudo der certo, na noite deste domingo, precisamente às 8h38, hora de Brasília, a sonda Phoenix vai pousar na região norte de Marte, num pedaço ainda não explorado do planeta vermelho. Sua missão será cavar a superfície em busca de água líquida e bactérias ou outros sinais que denunciem a possibilidade de existir vida em Marte. Na mesma hora, precisamente às 8h38 da noite, o número de crianças mortas no mesmo dia em todo o planeta Terra por causas relacionadas à fome terá chegado a 14856. Só no domingo. A fórmula macabra é a seguinte: a cada cinco segundos morre uma criança no mundo em decorrência de problemas provocados pela carência de calorias e proteínas mínimas para a sobrevivência. É dramático que a humanidade, em meio a progressos estupendos como a capacidade de escavar o solo de outro planeta em busca de vida pregressa, ainda seja assombrada pelo fantasma da fome – que ceifa a vida presente e futura na Terra. O mais dramático é que, durante os dez meses em que a Phoenix rasgou o éter em direção a Marte, a situação aqui embaixo ficou ainda pior. O trigo, o milho, o leite, o açúcar, o ovo, o frango – tudo subiu. Em alguns casos, como o do arroz, esse cereal que alimenta metade dos habitantes do planeta, o preço dobrou em um ano. Pela primeira vez na história, o custo global de importar alimentos passará de 1 trilhão de dólares. Os pobres do mundo estão inquietos.
(...)
Um relatório da FAO, a entidade da ONU que cuida dos alimentos e da agricultura no mundo, acabou de sair do forno em Roma, trazendo previsões sombrias. O documento divulgado diz que os alimentos não voltarão a ser baratos como antes. A comida mais cara, portanto, chegou para ficar. É uma situação que deixa ainda mais vulneráveis 850 milhões de pessoas ao redor do planeta, uma massa cronicamente subnutrida que vive sempre sob o espectro da fome. Antes, uma análise elaborada por uma equipe do Banco Mundial já fazia previsões parecidas. Dizia que os preços ficarão altos até 2009, quando então começarão a cair. A queda, porém, não será acentuada e os preços ficarão “bem acima” do nível registrado em 2004. O Banco Mundial calcula que a situação ficará como está, ameaçadora e preocupante, pelo menos até 2015. E em 2015 a população mundial terá cerca de 600 milhões de bocas a mais para alimentar. É o equivalente a quase três Brasis a mais. Vai dar?
(...)
A crise atual decorre de uma combinação de causas: colheitas ruins, especulação de preços, aumento excepcional do barril de petróleo e a explosão dos biocombustíveis. Mas o que ajudará a perpetuar o problema é o aumento do consumo de alimentos, sobretudo na China e na Índia, as locomotivas asiáticas que, juntas, têm, mais de um terço da população mundial. A China, em especial, tem peso fenomenal.
(...)
Não há receita pronta para superar a atual crise, mas duas medidas são inevitáveis. A primeira, de curto prazo, é despachar ajuda imediata aos milhões ameaçados pela fome, de modo a evitar uma crise humanitária de grandes proporções. A segunda é voltar a jogar dinheiro na agricultura.
(...)
A fome nunca se ausentou da vida humana, seja por fúria da natureza, que criou o fungo da batata que matou 1 milhão de irlandeses em meados do século XIX, seja como conseqüência da bestialidade humana. Na II Guerra Mundial, além da bomba atômica, a fome foi uma arma poderosa. No gueto de Varsóvia, onde cada judeu tinha direito a uma ração de menos de 200 calorias diárias – o recomendado é em torno de 2500 –, a fome estava à espreita em cada esquina dos 100 quarteirões que abrigavam meio milhão de judeus. A fome também matou milhares de soviéticos no cerco nazista a Leningrado, que ficou nove meses sem receber comida. Contando-se a história da fome, conta-se a história da humanidade. A fome está na guerra. A fome está na política, na forma (sempre pública e barulhenta) da greve de fome. A fome está na religião, na forma (sempre reservada e silenciosa) do jejum, seja para judeus, católicos, muçulmanos ou hindus. A fome está no centro da tragédia humana, mas sempre fomos salvos pelo engenho científico do próprio homem. A ciência que fertilizou a terra, controlou pestes, reinventou sementes. A ciência terá, mais uma vez, de nos salvar.
Se tudo der certo, a sonda Phoenix vai tirar uma fotografia de sua aterrissagem sobre o solo de Marte. A imagem percorrerá 680 milhões de quilômetros e, em duas horas, chegará ao centro da Nasa, nos Estados Unidos. Durante a viagem da foto, morrerão 1440 crianças de fome no mundo.
(Veja, 28 de maio de 2008 (com adaptações))
Pode-se depreender do texto que o autor:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a inferência da posição final do autor pela progressão argumentativa do texto, especialmente no trecho: "Não há receita pronta para superar a atual crise, mas duas medidas são inevitáveis. (...) A ciência terá, mais uma vez, de nos salvar." A adversativa "mas" afasta a ideia de fatalismo e, ao mesmo tempo, as medidas inevitáveis e a confiança na ciência indicam possibilidade de enfrentamento, o que sustenta a alternativa A.

Tema central: posição do autor diante da crise da fome
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é sustentada pela conclusão argumentativa do texto. O autor reconhece a gravidade da fome, mas não a apresenta como problema sem saída: aponta medidas concretas de enfrentamento e encerra com a afirmação de que "A ciência terá, mais uma vez, de nos salvar", o que expressa confiança na capacidade humana e científica de superar a crise. A inferência correta, portanto, é a de crença em solução possível, ainda que difícil.
B
Errada
Está errada porque confunde diagnóstico grave com pessimismo absoluto. O texto usa vocabulário forte e expõe um cenário severo, mas isso não define a posição final do autor. Ao afirmar que "duas medidas são inevitáveis" e que "A ciência terá, mais uma vez, de nos salvar", ele não conclui em desesperança.
C
Errada
Está errada porque o texto não adota otimismo excessivo. O autor insiste na gravidade da crise, menciona mortes, alta de preços, previsões sombrias e vulnerabilidade de milhões de pessoas. Há confiança em solução, mas essa confiança é compatível com a seriedade do problema, não com euforia ou ingenuidade.
D
Errada
Está errada porque o texto não traz marca de desespero pessoal do autor. A argumentação é organizada: expõe dados, cita causas, apresenta relatórios e propõe medidas. O tom é dramático e crítico, mas isso não autoriza inferir estado emocional extremo como desespero.
E
Errada
Está errada porque reduz indevidamente o foco do texto. A alta dos alimentos aparece como uma das causas ou agravantes da crise da fome, não como objeto exclusivo de revolta do autor. O centro argumentativo é a crise humanitária global e a possibilidade de enfrentá-la, não uma indignação específica com preços.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre tom dramático de denúncia social e posição final do autor: o léxico grave do texto pode induzir a marcar pessimismo, desespero ou revolta, mas a conclusão reorienta o sentido para a crença em solução.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões de "pode-se depreender", a resposta deve vir da orientação global do texto, não de palavras impactantes isoladas.
  • Observe conectivos adversativos como "mas": eles frequentemente corrigem uma expectativa inicial e mostram a posição decisiva do autor.
  • Diferencie tom de denúncia ou gravidade temática de juízo final do autor sobre haver ou não saída para o problema.

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Comentários

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Este Gabarito não tem sentido: A Acredita em uma solução para a crise da fome.

O Texto é claro com o problema da fome com o desperdício de dinheiro para levar o homem para Marte, o texto fala o tempo todo da Fome e nunca e nenhum momento acreditou em uma solução para a crise da fome.

GABARITO ERRADO!!!

Letra A.

"A fome está no centro da tragédia humana, mas sempre fomos salvos pelo engenho científico (solução para a crise da fome) do próprio homem. A ciência que fertilizou a terra, controlou pestes, reinventou sementes. A ciência terá, mais uma vez, de nos salvar".

A partir deste trecho é possível inferir que há solução, e a solução está na ciência.

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