De acordo com o texto, a “crise das relações humanas” pode s...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2349388 Português
No lugar do outro

   Estamos vivendo uma crise intensa: a das relações humanas. Todos os dias testemunhamos ou protagonizamos, tanto na vida presencial quanto na virtual, comportamentos e atitudes que vão do ódio declarado ou sutil ao desdém em relação ao outro. As relações humanas, sempre tão complexas, exigem, no entanto, delicadeza, atenção e compromisso social. Tem sido difícil manter a saúde mental e a qualidade de vida no contexto atual.

   Crianças e adolescentes já dão sinais claros de que têm aprendido muito com nossa dificuldade em conviver com as diferenças e de respeitá-las, de tentar colocar-se no lugar do outro para compreender suas posições e atitudes; de ter compaixão; de conflitar em vez de confrontar, de agir com doçura, por exemplo. Conseguir fazer isso é ter empatia com o outro.

  Pais e professores têm reclamado de comportamentos provocativos desrespeitosos, desafiadores e desobedientes dos mais novos. Entretanto, se pudéssemos nos dedicar por alguns momentos à auto-observação, constataríamos essas características também em nós, adultos. 

  Mas são os mais novos que levam a pior nessa história: Crianças e adolescentes que desobedecem, desafiam e têm comportamentos considerados agressivos, como os nossos, podem receber diagnósticos e orientação para tratamento. Conheço famílias com filhos diagnosticados com “Transtorno Desafiador Opositivo”, porque têm comportamentos típicos da idade. Há uma grande preocupação global com a nossa atual falta de empatia. Um sinal disso foi a inauguração, em Londres, do primeiro Museu da Empatia.

  Nele, os visitantes são convocados a experimentar/enxergar o mundo pelo olhar de um outro – não próximo ou conhecido, mas um outro com quem eles não têm qualquer relação. A expressão que deu sentido ao museu é a expressão inglesa “in your shoes” (em seus sapatos), que em língua portuguesa significa “em seu lugar”. Os visitantes se deparam, na entrada, com uma caixa com diferentes pares de sapatos usados. Escolhem um de seu número para calçar e recebem um áudio que conta uma parte da história da pessoa que foi dona daquele par.

   Desenvolver a empatia é uma condição absolutamente necessária para ensiná-la aos mais novos.

   Aliás, eles podem tê-la mais facilmente do que nós. Um pai me contou, comovido, que conversava com um amigo a respeito da situação de muitos refugiados de países em guerra e que comentou que não adiantava a busca por outro local, já que a crise de empregos era mundial. Seu filho, de sete anos, que estava por perto, perguntou de imediato: “Pai, se tivesse guerra aqui, você preferiria que eu morresse?”. Ele mudou de ideia.

   Estacionar o carro em vaga de idosos, grávidas e portadores de deficiência é mais do que contravenção: é falta de empatia. Reclamar da lentidão dos velhos é mais do que desrespeito: é falta de empatia. Agredir ostensivamente o outro por suas posições é mais do que dificuldade em lidar com as diferenças: é falta de empatia. Do mesmo modo, reclamar do comportamento dos mais novos é falta de empatia.

   A empatia pode provocar uma grande mudança social, diz Roman Krznari, estudioso do tema. Vamos desenvolvê-la para ensiná-la? 

(SAYÃO, Rosely. Folha de S. Paulo. Em: 22 de setembro de 2015.) 

De acordo com o texto, a “crise das relações humanas” pode ser justificada considerando-se: 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito Comentado – Interpretação de Texto: Auditor Fiscal do Município

Tema central da questão: Interpretação de texto – identificação da ideia principal, coesão e coerência textual.

A questão exige que o candidato reconheça o motivo central da crise das relações humanas segundo o texto. O foco aqui está na habilidade de resumir a mensagem principal do autor, observando exemplos, argumentos e situações apresentadas, conforme preconizado por Bechara e Cunha & Cintra em suas gramáticas: é fundamental buscar, no texto, as ideias recorrentes que se conectam ao tema proposto.

Justificativa da alternativa correta (D):

A alternativa D aponta “a ocorrência corriqueira de situações conflitantes que envolvem posicionamentos contrários a fatores que devem ser considerados para que haja um fortalecimento da qualidade de vida”. Essa construção resume, de modo fiel ao texto, a ideia de que a crise das relações humanas está ligada à falta de empatia, respeito e compreensão frente ao outro. O texto traz exemplos práticos – desrespeito, hostilidade, reclamações e agressividade – que mostram como tais conflitos minam a qualidade de vida em sociedade.

Bons leitores marcam no texto palavras-chave (conflito, empatia, saúde mental, agressividade), indispensáveis para se chegar à resposta.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Fala em “ensino sistêmico, estrutural e informal” – isso não é abordado no texto. O texto não associa a crise das relações humanas ao tipo de ensino, mas sim ao comportamento e empatia.
  • B) Cita “protagonismo nas áreas de atuação social” – o protagonismo humano não é tema discutido, sendo descontextualizado.
  • C) Relaciona a crise à “proliferação dos relacionamentos virtuais” pela tecnologia do século XXI. Apesar de o texto mencionar vida virtual, ele não atribui a crise apenas a esse fator, mas sim a comportamentos de desrespeito e falta de empatia em qualquer ambiente.

Estrategicamente, evite respostas que “soam bem”, mas não estão ancoradas nos exemplos e argumentos do texto. Procure generalizações não sustentadas pelo texto, pois costumam marcar alternativas incorretas em provas.

Conclusão: A resposta certa é a alternativa D, pois sintetiza de maneira coerente a explicação do texto a respeito da origem da crise nas relações humanas, fundamentada na falta de empatia e compreensão.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo