Tratamento cirúrgico com a técnica de sling suprapúbico é o ...
Uma paciente de cinquenta e oito anos de idade, G5P5, fumante inveterada, com hipertensão crônica controlada com medicamento e que iniciou menopausa aos quarenta e cinco anos de idade, referiu perda urinária aos mínimos esforços, que se tornou limitante de suas atividades sociais. Relatou que havia sido diagnosticada com osteoporose havia um ano. Ao exame físico, apresentava-se em bom estado geral, corada, hidratada, lúcida e orientada, com PA: 130 mmHg × 80 mmHg. No exame ginecológico foram observados cistocele grau II e sinais de hipoestrogenismo. O toque vaginal mostrou útero aumentado em volume, fundos de saco vaginais livres. Ao exame das mamas, foi verificada expressão mamilar positiva com secreção esverdeada pluriductal. A mamografia e a ultrassonografia apresentaram-se normais e o ultrassom transvaginal mostrou imagem sugestiva de pólipo endometrial em fundo uterino.
Tendo esse caso clínico como referência inicial, julgue os itens subsecutivos.
Gabarito comentado
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Gabarito: E (Errado)
Tema central: A questão aborda o tratamento da incontinência urinária de esforço (IUE) em mulheres climatéricas, destacando as opções cirúrgicas e conservadoras, e o contexto das diretrizes atuais.
Justificativa da alternativa correta: O enunciado afirma que o tratamento cirúrgico com sling suprapúbico seria o de escolha para a paciente, pois a cirurgia de Kelly-Kennedy está em desuso. No entanto, essa afirmação está incorreta à luz das diretrizes brasileiras e internacionais.
Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Incontinência Urinária – Ministério da Saúde, recomenda-se que o tratamento inicial da IUE deve ser sempre conservador, com medidas comportamentais, cessação do tabagismo, ajuste dietético e, de forma prioritária, o treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) como primeira linha por pelo menos 6-12 meses. O tratamento cirúrgico é reservado para os casos em que medidas conservadoras falham (PCDT Incontinência Urinária, página 7-8).
Já as técnicas de sling – sejam elas retropúbicas (suprapúbicas) ou transobturatórias – só devem ser realizadas após falha do tratamento conservador. A cirurgia de Kelly-Kennedy realmente caiu em desuso devido à baixa eficácia a longo prazo, mas o mais importante é que nenhuma técnica cirúrgica é de escolha isolada na abordagem inicial da IUE. A decisão sempre deve considerar as etapas anteriores e as características clínicas de cada paciente.
Análise crítica das alternativas:
- Certo: Incorreto, pois ignora o protocolo obrigatório de tratamento conservador antes da indicação de cirurgia, além de apresentar tendência reducionista ao sugerir apenas a via suprapúbica, quando atualmente as técnicas transobturatórias são também amplamente aceitas.
- Errado: Correto, pois o protocolo exige tentativas conservadoras antes da cirurgia.
Dicas de interpretação: Atenção a expressões como “de escolha” ou “tratamento definitivo”, que podem induzir ao erro caso não sigam as recomendações normativas.
Evidências e referências: Além do PCDT citado, obras como “Novo Tratado de Ginecologia” (Baracat & Bagnoli) e revisões do UpToDate reforçam que o paciente sempre deve passar por tratamento conservador antes da cirurgia (Baracat, cap. 36).
Resumo: Inicialmente, opte sempre pelo tratamento não cirúrgico da IUE. Apenas após insucesso, considere as cirurgias, individualizando a técnica. O uso direto do sling, sem etapas prévias, não é conduta de escolha de acordo com os protocolos vigentes.
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