A afirmação de que a pena jamais teve mais poder do que a es...

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Q930879 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Os intelectuais e a escrita


    Poderia uma função social para os intelectuais − quer dizer, poderiam os próprios intelectuais − ter existido antes da invenção da escrita? Dificilmente. Sempre houve uma função social para xamãs, sacerdotes, magos e outros servos e senhores de ritos, e é de supor que também para aqueles que hoje chamaríamos de artistas. Mas como existir intelectuais antes da invenção de um sistema de escrita e de números que precisava ser manipulado, compreendido, interpretado, aprendido e preservado? Entretanto, com o advento desses modernos instrumentos de comunicação, cálculo e, acima de tudo, memória, as exíguas minorias que dominavam essas habilidades provavelmente exerceram mais poder social durante uma época do que os intelectuais jamais voltaram a exercer.
    Os que dominavam a escrita, como nas primeiras cidades das primeiras economias agrárias da Mesopotâmia, puderam se tornar o primeiro “clero”, classe de governantes sacerdotais. Até os séculos XIX e XX, o monopólio da capacidade de ler e escrever no mundo alfabetizado e a instrução necessária para dominá-la também implicavam um monopólio de poder, protegido da competição pelo conhecimento de línguas escritas especializadas, ritual ou culturalmente prestigiosa.
    De outro lado, a pena jamais teve mais poder do que a espada. Os guerreiros sempre conquistaram os escritores, mas sem estes últimos não poderia ter havido nem Estados, nem grandes economias, nem, menos ainda, os grandes impérios históricos do mundo antigo.

(Adaptado de: HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 226-227)
A afirmação de que a pena jamais teve mais poder do que a espada, tal como considerada no contexto do 3º parágrafo,
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Assunto central: Interpretação de texto, com foco em coerência, coesão e sentido de expressões metafóricas.

O trecho analisado (“a pena jamais teve mais poder do que a espada”) utiliza metáfora para expor a relação entre o poder intelectual (pena) e o poder militar (espada). Segundo a norma-padrão e autores como Bechara, interpretar o sentido global de um texto exige localizar ideias principais e relações lógicas entre parágrafos (coerência textual).

O texto aponta que, embora o poder decisivo sempre tenha sido o militar, os escritores foram fundamentais para a organização e permanência de instituições sociais complexas. Assim, a frase não elimina o peso essencial do saber e da escrita para a existência de Estados e impérios, mesmo reconhecendo a supremacia da força.

Alternativa correta: B) não elimina o fato de que sem os escritores a própria existência de instituições mais sólidas estaria comprometida.
Justificativa: O texto ressalta que, embora o “poder da espada” prevaleça, a formação de grandes estruturas sociais depende realmente da escrita e dos intelectuais, sendo este um detalhe-chave de coerência. Aplicando a norma culta: a argumentação nunca nega o papel fundamental da atividade intelectual no progresso institucional – conhecimento e escrita são base disso.

Análise das alternativas incorretas:

A) Relaciona-se a povos bárbaros/primitivos, mas o texto não faz essa comparação direta.
C) “Desmentir o mito...” foge do tema; o texto não discute “sobrevivência” de valores intelectuais sob autoritarismos.
D) “Prescinde dos favores da atividade intelectual” contradiz o texto, que afirma justamente a necessidade dos intelectuais.
E) Afirma que o texto ignora a contribuição intelectual, o que é diretamente negado pelo próprio texto.

Estratégia para provas: Foque sempre nas ideias centrais, atente ao vocabulário e negações presentes nas alternativas. Quando o texto reconhece virtudes e limites de atores sociais, as melhores respostas são aquelas que buscam essa ponderação.

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Comentários

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Gabarito: B

 

É preciso ler o parágrafo todo pra fazer sentido.

 

De outro lado, a pena jamais teve mais poder do que a espada. Os guerreiros sempre conquistaram os escritores, mas sem estes últimos não poderia ter havido nem Estados, nem grandes economias, nem, menos ainda, os grandes impérios históricos do mundo antigo.

Correta, B


É isso mesmo, o que pode ser confirmado pela seguinte passagem textual:

...Os guerreiros sempre conquistaram os escritores, mas sem estes últimos não poderia ter havido nem Estados, nem grandes economias, nem, menos ainda, os grandes impérios históricos do mundo antigo.

De outro lado, a pena jamais teve mais poder do que a espada. Os guerreiros sempre conquistaram os escritores, mas sem estes últimos não poderia ter havido nem Estados, nem grandes economias, nem, menos ainda, os grandes impérios históricos do mundo antigo.

B não elimina o fato de que sem os escritores a própria existência de instituições mais sólidas estaria comprometida.

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