O estado anestésico mencionado pelo autor remete

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Q2397858 Português
    Ouvi chuva durante toda a noite. Acordei antes do despertador tocar às 5h15, tamanha minha expectativa para conferir um dos maiores espetáculos naturais do mundo. Falo de uma lacuna no meu currículo de viajante: as Cataratas do Iguaçu. Assim como Fernando de Noronha, as famosas quedas d'água são uma atração que eu ainda não havia visitado.

      Claro que a justificativa para isso nunca foi a falta de interesse, mas de oportunidade.

     Na última segunda-feira, porém, eu estava otimista. Tinha uma premiação que eu iria conduzir à noite no próprio hotel do parque. E eu tinha a manhã de terça livre para me encantar com a força daquelas águas.
 
      Infelizmente era justamente esse elemento que ameaçava atrapalhar meu programa. Mas lá pelas 7h, convencido de que O aguaceiro tinha se tornado apenas uma garoa, caminhei até a grande queda, o som estrondoso de milhões de metros cúbicos despencando por segundo silenciando as batidas ansiosas do meu coração e até mesmo os distantes trovões. Quando cheguei o mais próximo que podia, tive um baque. Sozinho na área, eu tinha toda a chance de me conectar com aquela maravilha, mas me perguntei: era isso mesmo que eu esperava encontrar?

       As Cataratas do Iguaçu, assim como vários outros pontos turísticos fortes pelo mundo, nos trazem um incômodo do qual só me dei conta então: estamos tão acostumados a ver imagens deslumbrantes deles que quando estamos lá, cara a cara com a atração, parece que ela não tem mais nenhum encanto a nos oferecer. Ou tem? Chamei esse fenômeno de “anestesia turística”.

      No scroll infinito de imagens hoje nas nossas telas. que impacto essas atrações ainda são capazes de nos provocar? Nenhum, pensei rápido. Pelo menos se seu único objetivo diante delas é tirar uma selfie.

        Ir pessoalmente a um lugar desses é muito mais do que fazer um registro para o Instagram. Fiz o meu, sim, não tenha dúvidas. Mas logo em seguida mergulhe: naquilo que meus alhos estavam devorando.

      Com eles eu não apenas enxergava, mas também ouvia, degustava e sentia quase o toque poderoso do fluido em movimento na minha pele. Quando fechei as pálpebras, todos esses sentidos, inclusive o da visão, ficaram mais fortes. Pronto: eu estava livre daquele estado anestésico. A chuva já havia voltado com força e eu nem tinha percebido. Olhei em volta e continuava sozinho. No entanto, estava pleno.



(Adaptado de: CAMARGO, Zeca. Disponível em: www1.folha.uol.com.br)
O estado anestésico mencionado pelo autor remete
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação de texto — sentido contextual de expressão.

A questão explora o entendimento da expressão “estado anestésico” no relato pessoal do autor sobre sua experiência nas Cataratas do Iguaçu. Trata-se de identificar, no texto, como o autor constrói o sentido dessa expressão, articulando a compreensão do fenômeno relatado à experiência atual de quem consome muitas imagens digitais.

Análise da alternativa correta:
(A) — A alternativa apresenta, com precisão, o sentido utilizado pelo autor: “estado anestésico” refere-se à sensação de que uma atração turística, antes vista reiteradas vezes digitalmente, já não produz o impacto esperado ao vivo, pois a avalanche de imagens provoca uma certa “insensibilidade”. Esse fenômeno é nomeado no texto como “anestesia turística”. Conforme Koch (2016), a coerência textual exige examinar o contexto para compreender expressões-chave, assegurando que a interpretação capte o efeito causado pelo excesso de imagens prévias.

Análise das alternativas incorretas:

B) — Sugere sensação de plenitude e perda de parâmetros mentais. Isso não corresponde à ideia de anestesia, que, no texto, traz sentido de indiferença ou neutralização do impacto emocional diante do cenário real.

C) — Associa o estado anestésico à forte emoção, justamente o oposto do que o texto comunica: não há emoção intensificada, mas sim uma diminuição desta.

D) — Fala de perda do desejo de conhecer os lugares. O texto afirma que o interesse persiste, mas o encanto presencial se reduz devido à sobrecarga visual anterior, mostrando diferença sutil, mas decisiva de sentido.

E) — Apresenta cansaço do cotidiano, o que é tema alheio ao fenômeno descrito pelo autor. O foco está na insensibilidade provocada pela repetição de imagens, não na fuga do estresse.

Estratégias de resolução: Atente-se sempre ao contexto imediato da expressão e busque palavras-chave: o autor nomeia o fenômeno (“anestesia turística”), expondo sua gênese nas imagens replicadas. Evite distrações com termos que aparentam sinônimos, mas fogem do(s) efeito(s) emocional(is) discutidos.

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Comentários

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O texto me fez refletir a ânsia de conhecer a torre Eiffel kkkkkkkkkk

Texto chatíssimo, mas o efeito é real

Alternativa correta: A.

O autor relata que as redes sociais nos anestesiam, nos fazem perder o encanto, da vida real. Logo, esta é a única alternativa correta.

    As Cataratas do Iguaçu, assim como vários outros pontos turísticos fortes pelo mundo, nos trazem um incômodo do qual só me dei conta então: estamos tão acostumados a ver imagens deslumbrantes deles que quando estamos lá, cara a cara com a atração, parece que ela não tem mais nenhum encanto a nos oferecer. Ou tem? Chamei esse fenômeno de “anestesia turística”.

   No scroll infinito de imagens hoje nas nossas telas. que impacto essas atrações ainda são capazes de nos provocar? Nenhum, pensei rápido. Pelo menos se seu único objetivo diante delas é tirar uma selfie.

GABARITO LETRA A.

Segundo a explicação fornecida pelo narrador, a falta de reação na vida real se deve ao fato de estarmos acostumados a imagens deslumbrantes nas telas. Assim, ao nos depararmos com a paisagem real, ela deixa de ser tão deslumbrante quanto esperávamos.

Sendo assim, podemos afirmar que o estado anestésico mencionado pelo autor remete: à sensação de que uma atração turística já por muitas vezes vista digitalmente perde o poder de causar impacto a quem a se encontra, pessoalmente, diante dela.

Fonte: estratégia concursos.

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