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Q2784202 Português

Leia o texto a seguir.

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O terrorismo sempre fascinou Albert Camus, que, além de uma obra de teatro sobre o tema, dedicou bom número de páginas de seu ensaio sobre o absurdo, O Mito de Sísifo, a refletir sobre esse insensato costume dos seres humanos de achar que assassinando os adversários políticos ou religiosos se resolvem os problemas. A verdade é que salvo casos excepcionais, em que o extermínio de um sátrapa atenuou ou pôs fim a um regime despótico – os dedos de uma das mãos dão e sobram para contá-los – esses crimes costumam piorar as coisas que querem melhorar, multiplicando as repressões, perseguições e abusos. Mas é verdade que, em alguns raríssimos casos, como o dos narodniki russos citados por Camus, que pagavam com sua vida a morte dos que eles matavam pela “causa”, havia, em alguns dos terroristas que se sacrificavam atentando contra um verdugo ou um explorador, certa grandeza moral.

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Disponível em: < https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/19/opinion/1503153835_678637.html>. Acesso em: 19/08/17. (Excerto).

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O vocábulo que pode assumir diferentes funções, de acordo com o contexto de ocorrência. Assinale a alternativa que apresenta a análise adequada da ocorrência destacada do texto.

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Funções morfossintáticas do "que" – pronomes relativos e conjunções integrantes em orações subordinadas adjetivas e substantivas.

Para concursos públicos, é fundamental reconhecer o papel do "que" em diferentes contextos. O vocábulo pode ser:

  • Pronome relativo – retoma um termo anterior (antecedente), introduzindo uma oração subordinada adjetiva e conferindo coesão.
  • Conjunção integrante – introduz orações subordinadas substantivas, completando o sentido de verbos.
  • Partícula expletiva – apenas enfática, sem função sintática relevante (raro e não se aplica ao texto).

Análise da alternativa correta:

B) “dos que eles matavam pela ‘causa’”, o vocábulo assume a função de um pronome relativo.

Conforme Cunha & Cintra e Bechara, “que” nessa construção retoma o antecedente implícito “indivíduos” e introduz a oração adjetiva “que eles matavam pela ‘causa’”. Aqui, atua como um pronome relativo, conectando e especificando.

Exemplo análogo: “As pessoas que estudam passam no concurso.”

Análise das alternativas incorretas:

A) “Partícula expletiva”: Incorreto. Em “terroristas que se sacrificavam”, “que” é pronome relativo (introduz oração adjetiva, referindo-se a “terroristas”).

C) O “que” em “coisas que querem melhorar” não antecipa “repressões...”; refere-se a “coisas” e introduz oração adjetiva.

D) O “que” em “A verdade é que salvo casos excepcionais” é conjunção integrante; introduce objeto do verbo “é”, não retoma antecedente.

E) Em “casos que pagavam com sua vida”, o “que” introduz oração adjetiva relativa, referindo-se a “casos” (pronome relativo, não conjunção).

Dica estratégica: Sempre localize o antecedente do ‘que’. Se houver, provavelmente é pronome relativo; se a frase perde sentido sem “que”, geralmente é conjunção integrante.

Dominar essa análise aumenta sua precisão na resolução de questões de Língua Portuguesa em concursos.

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