Com base no Texto I, analise as assertivas e assinale a alt...
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Ano: 2025
Banca:
INSTITUTO AOCP
Órgão:
IF-MS
Prova:
INSTITUTO AOCP - 2025 - IF-MS - Professor EBTT - Português/Inglês |
Q3541294
Português
Texto associado
Texto I
Variação linguística
O termo variação se aplica a uma característica
das línguas humanas que faz parte de sua própria
natureza: a heterogeneidade. A palavra língua nos dá
uma ilusão de uniformidade, de homogeneidade, que
não corresponde aos fatos. Quando nos referimos ao
português, ao francês, ao chinês, ao árabe etc.,
usamos um rótulo único para designar uma
multiplicidade de modos de falar decorrente da
multiplicidade das sociedades e das culturas em que
as línguas são faladas. Cada um desses modos de
falar recebe o nome de variedade linguística. Por
isso, muitos autores definem língua como “um
conjunto de variedades” e substituem a noção da
língua como um sistema pela noção da língua como
um polissistema, formado por essas múltiplas
variedades.
A variação linguística se manifesta desde o nível
mais elevado e coletivo – quando comparamos, por
exemplo, o português falado em dois países
diferentes (Brasil e Angola) – até o nível mais baixo e
individual, quando observamos o modo de falar de
uma única pessoa, a tal ponto que é possível dizer
que o número de “línguas” num país é o mesmo de
habitantes de seu território. Entre esses dois níveis
extremos, a variação é observada em diversos outros
níveis: grandes regiões, estados, regiões dentro dos
estados, classes sociais, faixas etárias, níveis de
renda, graus de escolarização, profissões, acesso às
tecnologias de informação, usos escritos e usos
falados.
A consciência de que a língua é variável remonta à
Antiguidade, quando os primeiros estudiosos da
língua grega tentaram sistematizá-la para o ensino e
para a crítica literária. Eles, no entanto, fizeram uma
avaliação negativa da variação, que viram como um
obstáculo para a unificação territorial e para a difusão
da língua. Foi nessa época (século III a.C.) que surgiu
a disciplina chamada gramática, dedicada
explicitamente a criar um modelo de língua que se
elevasse acima da variação e servisse de instrumento
de controle social por meio de um instrumento
linguístico. A consequência cultural desse processo
histórico é que o termo língua passou a ser usado, no
senso comum, para rotular exclusivamente esse
modelo idealizado, literário, enquanto todos os usos
reais, principalmente falados, foram lançados à
categoria do erro.
Com os avanços das ciências da linguagem, essa
visão foi abandonada: o exame minucioso de cada
variedade linguística revela que ela tem sua própria
lógica gramatical, é tão regrada quanto a língua
literária idealizada, e serve perfeitamente bem como
recurso de interação e integração social para seus
falantes. Diante disso, um novo projeto de educação
linguística vem se formando: é preciso ampliar o
repertório e a competência linguística dos aprendizes,
levá-los a se apoderar da escrita e dos muitos
gêneros discursivos associados a ela, sem contudo
desprezar suas variedades linguísticas de origem,
valorizando-as, ao contrário, como elementos
formadores de sua identidade individual e social e
como patrimônio cultural do país.
BAGNO, Marcos. Variação linguística. Glossário Ceale – Centro de
Alfabetização, Leitura e Escrita. Universidade Federal de Minas
Gerais, 2013. Disponível em:
https://www.ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/preconceitolinguistico. Acesso em: 21 mar. 2025.
Com base no Texto I, analise as assertivas e
assinale a alternativa que aponta as corretas.
I. No trecho “Por isso, muitos autores definem língua como ‘um conjunto de variedades’ e substituem a noção da língua como um sistema pela noção da língua como um polissistema, formado por essas múltiplas variedades: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, faixas etárias [...]”, o uso dos dois-pontos está adequado à norma-padrão, pois introduz uma enumeração que exemplifica o conceito anterior.
II. Em “Foi nessa época (século III a.C.) que surgiu a disciplina chamada gramática, dedicada explicitamente a criar um modelo de língua que se elevasse acima da variação e servisse de instrumento de controle social por meio de um instrumento linguístico.”, o termo “século III a.C.” é um aposto e sua pontuação entre parênteses poderia ser substituída por travessões, sem prejuízo de sentido ou de correção gramatical.
III. Em “Eles, no entanto, fizeram uma avaliação negativa da variação [...]”, a concordância verbal está adequada à norma-padrão, mesmo com a intercalação do termo “no entanto” entre o sujeito “eles” e o verbo “fizeram”.
IV. O excerto “Por isso, muitos autores definem língua como ‘um conjunto de variedades’ [...]” contém o pronome demonstrativo “isso”, que funciona como um elemento de coesão referencial catafórico, por antecipar no enunciado a justificativa que será dada a seguir.
V. Em “Eles, no entanto, fizeram uma avaliação negativa da variação, que viram como um obstáculo para a unificação territorial e para a difusão da língua.”, o termo “Eles” funciona como um elemento de coesão referencial anafórica, ao retomar o termo “os estudiosos” apresentado anteriormente no texto.
I. No trecho “Por isso, muitos autores definem língua como ‘um conjunto de variedades’ e substituem a noção da língua como um sistema pela noção da língua como um polissistema, formado por essas múltiplas variedades: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, faixas etárias [...]”, o uso dos dois-pontos está adequado à norma-padrão, pois introduz uma enumeração que exemplifica o conceito anterior.
II. Em “Foi nessa época (século III a.C.) que surgiu a disciplina chamada gramática, dedicada explicitamente a criar um modelo de língua que se elevasse acima da variação e servisse de instrumento de controle social por meio de um instrumento linguístico.”, o termo “século III a.C.” é um aposto e sua pontuação entre parênteses poderia ser substituída por travessões, sem prejuízo de sentido ou de correção gramatical.
III. Em “Eles, no entanto, fizeram uma avaliação negativa da variação [...]”, a concordância verbal está adequada à norma-padrão, mesmo com a intercalação do termo “no entanto” entre o sujeito “eles” e o verbo “fizeram”.
IV. O excerto “Por isso, muitos autores definem língua como ‘um conjunto de variedades’ [...]” contém o pronome demonstrativo “isso”, que funciona como um elemento de coesão referencial catafórico, por antecipar no enunciado a justificativa que será dada a seguir.
V. Em “Eles, no entanto, fizeram uma avaliação negativa da variação, que viram como um obstáculo para a unificação territorial e para a difusão da língua.”, o termo “Eles” funciona como um elemento de coesão referencial anafórica, ao retomar o termo “os estudiosos” apresentado anteriormente no texto.