Paciente masculino, de 72 anos, em acompanhamento de Polici...
Assinale a opção que representa uma causa de hipercalemia verdadeira.
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TEMA CENTRAL: Hipercalemia verdadeira versus pseudo-hipercalemia em contexto laboratorial. É fundamental que o patologista saiba distinguir situações em que o valor de potássio plasmático realmente reflete risco clínico das oriundas de processos pré-analíticos ou hematológicos.
ALTERNATIVA CORRETA: B) Intoxicação digitálica.
Justificativa técnica: A intoxicação digitálica inibe diretamente a bomba Na⁺/K⁺ ATPase, causando aumento do potássio extracelular (hipercalemia verdadeira). Este mecanismo é amplamente reconhecido por grandes referências, como o Harrison’s Principles of Internal Medicine, que descreve: “Em intoxicação aguda, pode haver acúmulo significativo de potássio extracelular como consequência do bloqueio enzimático” (Harrison’s, 20ª ed., cap. 249).
A hipercalemia verdadeira é clinicamente relevante, pois eleva o risco de arritmias, especialmente em quadros de intoxicação digitálica, exigindo intervenção imediata e reconhecimento laboratorial preciso.
ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS:
A) Leucocitose severa, C) Uso prolongado de torniquete, D) Hemólise in vitro e E) Inversão da ordem dos tubos de coleta são causas de pseudo-hipercalemia. Nessas situações, o potássio elevado não reflete aumento real no organismo, mas sim liberação celular in vitro ou por manipulação inadequada:
- Leucocitose severa: liberação de potássio de leucócitos durante o processo de coagulação ou manipulação da amostra.
- Uso prolongado de torniquete: leva à estase e potencial hemólise, liberando potássio artificialmente.
- Hemólise in vitro: ruptura das hemácias pela coleta ou transporte inadequado, com liberação de potássio.
- Inversão da ordem dos tubos: pode causar contaminação cruzada dos aditivos, alterando artificialmente o resultado.
Conforme recomenda a ANVISA (“Manual de Gerenciamento de Riscos – Serviço de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial”, 2017, p. 47): “Deve-se ter atenção especial à fase pré-analítica para evitar falsas alterações dos elementos medidos, em especial potássio.”
Estratégia de prova: Sempre diferencie causas in vivo (verdadeiras) das situações in vitro (pseudo), e atente-se para patologias ou intoxicações medicamentosas na avaliação do potássio sérico.
Resumo: Intoxicação digitálica é a única opção da lista associada à elevação verdadeira do potássio. O reconhecimento dessa distinção é central para a atuação médica e interpretação laboratorial segura.
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