Questões de Concurso Público Prefeitura de Mâncio Lima - AC 2023 para Agente de Combate a Endemias
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A investigação de epidemias constitui um dos mais interessantes desafios para os profissionais de saúde. Sabe-se que as epidemias podem ser causadas por agentes infecciosos, ou não infecciosos, podendo evoluir por períodos de tempo que variam de dias, semanas, meses, ou anos. No estudo do processo epidêmico, devemos primeiro entender o que vem a ser o comportamento endêmico de uma doença transmissível.
Considera-se nível endêmico, quando um determinado agravo mantém padrões regulares de variação de sua frequência, como as flutuações cíclicas, ou sazonais, em agrupamentos humanos distribuídos em espaços delimitados, em determinado período de tempo. (WALDMAN, E. A.; FRANÇA, E. B. Investigação de surtos epidêmicos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005).
Diante disso, analise a seguinte situação.
Vanessa é médica infectologista e trabalha em um hospital na Cidade de Ilha Bela. Em seus últimos plantões, notou a grande frequência de pacientes apresentando sintomas característicos de dengue, como dor no corpo, dor atrás dos olhos, manchas pelo corpo, náuseas e febre. Portanto, ao final de seu plantão, reuniu alguns colegas de trabalho para sugerir o início de uma investigação de surto.
Em relação à investigação de surto, dentro do contexto da situação apresentada, avalie as afirmações a seguir.
I- Vanessa pode citar que o perfil epidemiológico de cada doença varia com a região estudada, sendo que a dengue pode apresentar maior número de casos em regiões úmidas, que favorecem o ciclo de vida do vetor.
II- Vanessa pode mencionar a necessidade de contato com o poder público para iniciar medidas de políticas públicas e campanhas informativas a respeito da prevenção da doença e da disseminação dos vetores.
III- Vanessa pode sugerir aos órgãos públicos do Município para que realizem a sorologia, auxiliando na identificação de casos confirmados da doença, melhorando, assim, a quantificação dos casos.
É correto o que se afirma em:
Quando se indaga sobre a diferença entre epidemia e endemia, ocorre-nos, imediatamente, a ideia de que a epidemia se caracteriza pela incidência, em curto período de tempo, de grande número de casos de uma doença, ao passo que a endemia se traduz pelo aparecimento de menor número de casos ao longo do tempo. A distinção entre epidemia e endemia não pode ser feita, entretanto, com base apenas na maior, ou menor incidência de determinada enfermidade em uma população. Se o elevado número de casos novos e sua rápida difusão constituem a principal característica da epidemia, para a definição de endemia já não basta o critério quantitativo. O que define o caráter endêmico de uma doença é o fato de ela ser peculiar a um povo, país, ou região. A própria etimologia da palavra endemia denota este atributo. Endemos, em grego clássico, significa "originário de um país, indígena", "referente a um país", "encontrado entre os habitantes de um mesmo país". (REZENDE, Joffre Marcondes. Epidemia, endemia, pandemia, epidemiologia. Revista de patologia tropical, v. 27, n. 1, 1998.)
Em relação à endemia, julgue as afirmações:
I- Quando ocorre um aumento no número de casos de uma doença em várias regiões, onde ela se espalha acima do esperado, sem uma delimitação geográfica específica.
II- A existência de uma endemia apresenta diversos fatores, por exemplo, os ambientais que favorecem o desenvolvimento do vetor.
III- Existem maneiras de se combater endemias, como a melhoria do saneamento básico com campanhas de informação à população e com a busca de fontes de vetores.
Está correto:
As leishmanioses são consideradas, primariamente, como uma zoonose podendo acometer o homem, quando este entra em contato com o ciclo de transmissão do parasito, transformando-se em uma antropozoonose. Atualmente, encontra-se entre as seis endemias consideradas prioritárias no mundo (TDR/WHO).
A leishmaniose visceral afeta cães e humanos em várias áreas endêmicas no Brasil, com isso representa um grave problema de saúde (humana, animal e ecológica), negligenciado e de difícil controle devido a fatores como a dificuldade de combate ao inseto vetor. Indique os itens que apresentam fatores de risco para a leishmaniose visceral em áreas urbanas.
I- Presença rede de esgoto.
II- Presença de vegetação.
III- Presença de aves domésticas.
IV- Presença de cães soltos.
V- Presença de lixo e entulho.
VI- Presença de camundongos, ratos, ratazanas e gambás.
VII- Proximidade de terras agrícolas, etc.
Os itens corretos são:
O agente de combate a endemias atua com Saúde Pública, exercendo atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças como dengue, malária, leptospirose, leishmaniose, esquistossomose, chagas, raiva humana, entre outras, relacionadas com fatores ambientais de risco biológicos e não biológicos – lixo em locais inapropriados, água limpa acondicionada em depósitos, contaminantes ambientais, esgoto a céu aberto, desmatamento, etc.
Contudo, as atribuições do profissional ACE, estão regulamentadas pela Lei nº 11.350, de 05 de outubro de 2006.
Dentre elas, podemos citar:
I- O Agente de Combate às Endemias tem como atribuição o exercício de atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças endêmicas e infectocontagiosas.
II- Promoção da saúde, mediante ações de vigilância de endemias e seus vetores, inclusive, se for o caso, fazendo uso de substâncias químicas, abrangendo atividades de execução de programas de saúde, desenvolvidas em conformidade com as diretrizes do SUS.
III- A utilização de instrumentos para diagnóstico demográfico e sociocultural da comunidade.
É correto:
Entre as doenças emergentes e reemergentes, as arboviroses transmitidas por mosquitos do gênero Aedes (principalmente Aedes aegypti) têm se caracterizado por persistirem como importantes problemas de saúde pública, devido à produção de repetidas epidemias de grande magnitude, em várias regiões do mundo. A dengue é um dos exemplos mais emblemáticos nesse grupo de viroses, pois modificou a tendência de decréscimo da morbidade por Doenças Transmissíveis (DT). Estima-se que a cada ano o vírus da dengue (DENV) produz cerca de 390 milhões de infecções em 128 países e, aproximadamente, 96 milhões de indivíduos apresentam manifestações clínicas, de maior ou menor gravidade. A dengue, a chikungunya e a zika vêm influenciando o perfil de morbidade das DT no Brasil, modificando a trajetória de declínio que esse grupo de doenças vinha apresentando desde 1987. Com a emergência de mais dois arbovírus transmitidos pelo Aedes aegypti, o CHIKV, em 2014, e o ZIKV, identificado laboratorialmente em 2015 (embora haja evidências de que já estava circulando anteriormente), houve agravamento do quadro epidemiológico do país. A partir de 2014, os dados epidemiológicos dessas três arboviroses registrados no Brasil são de difícil interpretação, dado que, inicialmente, chikungunya e zika não foram incluídas no sistema de notificação universal e, como as mesmas apresentam características clínicas na fase aguda muito semelhantes à dengue, parte dos casos foi notificada com essa enfermidade. (TEIXEIRA, M. G. et al. Conquistas do SUS no enfrentamento das doenças transmissíveis. Ciência & saúde coletiva, v. 23, n. 6, jun. 2018).
Sobre as arboviroses, analise as afirmativas e marque a alternativa correta.
I- O humano é o principal transmissor do vírus da Chikungunya/Zika em períodos epidêmicos.
II- Em períodos interepidêmicos, os primatas como os pássaros, os roedores e outros pequenos mamíferos são potenciais reservatórios.
III- Em indivíduos com histórico de infecção anterior pela dengue, o risco de ser hemorrágica é maior, sugerindo fisiopatologia associada à resposta imune mediada por anticorpos.