Questões de Concurso Público Prefeitura de Cambé - PR 2026 para Médico PSF

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Q4177488 Medicina
Leia o texto para responder a questão.


Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais

Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria


    Contexto atual e relevância para a pediatria

  Os produtos comercialmente conhecidos como whey protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos (arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e também obtido pela alimentação, especialmente por meio de carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda, como o músculo esquelético. Esses suplementos estão amplamente difundidos no contexto da prática de atividade física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes, impulsionados por estratégias de marketing e pela influência das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas. Tais características favorecem a percepção equivocada de que se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica. 

   Necessidades proteicas na infância e adolescência: o papel dos alimentos 

  A proteína é essencial para o crescimento e o desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e 0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às necessidades fisiológicas, de modo que a adição de suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados — como carnes, ovos, leite e derivados, leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade), mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas, síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica, entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia, especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo 1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas, também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares (corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a substituição de refeições, contribuindo para práticas alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma relação disfuncional com a alimentação, cenário frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo relacional, cultural e identitário, construído no convívio familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos. 

   Considerações finais

   O uso de suplementos proteicos à base de whey protein e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, em preparações culinárias, é suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação deve ser reservada a situações clínicas específicas, com avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O pediatra desempenha papel central na orientação de famílias, crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que esses suplementos não são necessários para o crescimento e desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a educação nutricional, a valorização de práticas alimentares saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental para a promoção da saúde ao longo da vida.


Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/  


Quais são os potenciais efeitos adversos do consumo excessivo e crônico de proteínas mencionados no texto? 
Alternativas
Q4179505 Medicina
De acordo com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB — Portaria GM/MS nº 2.436/2017), a Estratégia Saúde da Família (ESF) tem como atribuições prioritárias, exceto: 
Alternativas
Q4179507 Medicina
Sobre a hanseníase, segundo as Diretrizes para Vigilância, Atenção e Eliminação da Hanseníase do Ministério da Saúde (2022) e as recomendações da OMS, assinale a alternativa incorreta.  
Alternativas
Q4179509 Medicina
Sobre o Calendário Nacional de Vacinação do Adulto, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI/MS — 2024), assinale a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q4179512 Medicina
Em criança de 8 anos com diagnóstico de asma e necessidade de tratamento de manutenção (GINA 2024 – Step 2), assinale a alternativa correta.  
Alternativas
Q4179513 Medicina
Analise as assertivas sobre a necrose tubular aguda e assinale a alternativa correta.
I. A necrose tubular aguda é caracterizada pela presença de cilindros epiteliais granulares de cor marrom-acinzentada na urina, resultantes do desprendimento de células epiteliais que obstruem os túbulos renais distais.
II. A fase oligurica da necrose tubular aguda é causada pela obstrução dos túbulos renais pelos cilindros, impedindo a passagem adequada de fluidos e resultando em redução significativa da produção de urina.
III. Durante a fase oligurica da necrose tubular aguda, ocorre hipotensão arterial como consequência da perda de fluidos e sódio devido ao aumento da filtração glomerular.
IV. A hipercalemia (elevação de potássio sérico) é uma complicação característica da fase oligurica da necrose tubular aguda, decorrente da incapacidade renal de excretar potássio.
V. A fase não-oligurica (tardia) da necrose tubular aguda é marcada pela regeneração das células epiteliais tubulares, embora essas células ainda não funcionem adequadamente no início dessa fase.
VI. Na fase tardia da necrose tubular aguda, ocorre poliúria (aumento da produção de urina), porque os túbulos, por não se regenerar, apresentam permeabilidade diminuída.  
Alternativas
Q4179514 Medicina
Um paciente de 65 anos refere dor precordial. Na anamnese, observa-se que a dor surge exclusivamente em repouso e tem duração superior a 10 minutos. Considerando as características clínicas de angina estável e angina instável, assinale a alternativa que melhor descreve a diferenciação entre essas condições.  
Alternativas
Q4179515 Medicina
Na avaliação de tontura e vertigem na atenção primária, assinale a alternativa que melhor caracteriza a vertigem de origem periférica. 
Alternativas
Q4179516 Medicina
Paciente de 25 anos, sem fatores de risco cardiovascular, apresenta-se na atenção primária com dor torácica de características não anginosas (pontiforme, reprodutível à palpação, sem irradiação, sem sintomas neurovegetativos). Diante do exposto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4179517 Medicina
Quais são os atributos da Atenção Primária à Saúde contemplados em Medicina de Família e Comunidade?  
Alternativas
Q4179518 Medicina
O Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20) é instrumento de triagem multidimensional validado para idosos na Atenção Primária à Saúde. Um idoso de 78 anos obtém escore de 12 pontos no IVCF-20. Considerando os critérios de classificação do instrumento, assinale a alternativa correta.  
Alternativas
Q4179519 Medicina
Sobre o diagnóstico, tratamento e transmissão da tuberculose pulmonar em adultos, segundo as diretrizes da OMS (2024) e do Ministério da Saúde do Brasil (2024), assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4179520 Medicina
Um estudo comparou a eficácia de exercício sem supervisão, exercício supervisionado, sertralina e placebo no tratamento de depressão. Todos os tratamentos ativos mostraram eficácia superior ao placebo, sem diferenças significativas entre eles. Considerando as evidências atuais e o contexto de atenção primária, qual deve ser a primeira medida recomendada a pacientes com depressão leve a moderada?
Alternativas
Q4179522 Medicina
Qual das alternativas descreve corretamente a fase de atuação e o objetivo principal da prevenção secundária, segundo o modelo de Leavell & Clark? 
Alternativas
Q4179523 Medicina
Sobre a dengue sem sinais de alarme, assinale a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q4179524 Medicina
No manejo da lombalgia inespecífica aguda (duração inferior a 6 semanas) em paciente sem sinais de alarme (red flags), assinale a conduta mais adequada conforme as diretrizes mais atuais. 
Alternativas
Q4179525 Medicina
Sobre as ações de prevenção e promoção da saúde recomendadas pelo Ministério da Saúde (MS) e pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) na Atenção Primária à Saúde, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q4179526 Medicina
Lactente de 10 meses é levado ao pronto-atendimento com diarreia aquosa há 48 horas, apresentando letargia, olhos muito fundos, mucosas secas, sinal da prega cutânea > 2 segundos, pulso fraco e tempo de enchimento capilar prolongado. Conforme os protocolos da OMS/UNICEF e do Ministério da Saúde do Brasil (AIDPI), assinale a alternativa correta.  
Alternativas
Q4179527 Medicina
Analise as assertivas e assinale a alternativa correta.
I. O climatério, conforme definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (1998; 2010), é uma fase biológica da vida da mulher — e não uma condição patológica.
II. Marca a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo e abrange mulheres entre 40 e 65 anos.
III. O sistema de classificação dos estágios reprodutivos e não reprodutivos da mulher, é baseado no estadiamento clínico, nas mudanças do ciclo menstrual, nos padrões anatômicos e na identificação do envelhecimento ovariano.
IV. O cuidado não pode ser reduzido a atos técnicos isolados, mas deve ser concebido como uma prática relacional, contextual e ética, capaz de considerar os determinantes sociais da saúde.
V. O uso do método clínico centrado na pessoa (MCCP) contorna a simplificação excessiva dos problemas da condição de estar doente, além de não tratar como doença todo e qualquer desvio da norma, de forma impessoal e analítica e descolada do meio social.
VI. Além de mulheres cis, homens trans, pessoas transmasculinas, pessoas não-binárias e intersexo também podem vivenciar a menopausa e é responsabilidade de profissionais de saúde o acolhimento e acompanhamento dessas populações. 
Alternativas
Q4179528 Medicina
Analise as assertivas sobre diabetes mellitus e assinale a alternativa correta.
I. Diabetes mellitus é definido fundamentalmente pela presença de hiperglicemia, que pode resultar de diferentes mecanismos fisiopatológicos dependendo do tipo de diabetes.
II. O diabetes mellitus tipo I é caracterizado pela destruição autoimune das células beta pancreáticas, resultando em deficiência absoluta de insulina e consequente hiperglicemia.
III. O diabetes mellitus tipo II é causado exclusivamente por resistência insulínica, sem envolvimento de disfunção das células beta pancreáticas.
IV. Na fase inicial do diabetes mellitus tipo II, os pacientes produzem MENOS insulina do que indivíduos normais, como resposta compensatória à resistência insulínica.
V. A fisiopatologia do diabetes mellitus tipo II envolve um ciclo progressivo: resistência insulínica → aumento da produção de insulina → produção de amiloide via amilina → disfunção/destruição das células beta → deficiência relativa de insulina → hiperglicemia.
VI. Pacientes com diabetes mellitus tipo II em fase inicial apresentam níveis de insulina plasmática elevados em comparação com indivíduos normais, devido ao aumento compensatório da produção insulínica em resposta à resistência periférica.  
Alternativas
Respostas
1: E
2: E
3: A
4: B
5: A
6: B
7: B
8: A
9: C
10: D
11: C
12: A
13: C
14: A
15: D
16: C
17: E
18: B
19: C
20: B