Questões de Concurso Público INEP 2024 para Letras - Português e Espanhol

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Q4152850 Linguística
O Português está entre os sistemas híbridos na atribuição de gênero: o traço [± sexuado], relevante para um subconjunto restrito de nomes (como, por exemplo, “menina” versus “menino” e “gerente” versus “gerente”), está combinado às propriedades fonológicas e sintáticas que exponenciam gênero e classe temática em todos os nomes na língua. De modo simples: as vogais -a, -o e -e estão presentes também em palavras que não estabelecem qualquer relação com sexo (como, por exemplo, “bola”, “bolo”, “ponte”, “pente”) e nuclearizam a concordância na frase nos mesmos moldes dos vocábulos sexuados.

O uso de caracteres como x (como, por exemplo, em “amigx”), @ (como, por exemplo, em “amig@”) e o uso de e (como, por exemplo, em “amigue”) fechando substantivos e adjetivos é, de fato, uma estratégia de neutralização de gênero, em que se propõe o emprego de uma terceira marca, além da masculina e da feminina. A oposição, nesse caso, não seria privativa nem equipolente, mas gradual, nos termos da Escola de Praga.
SCHWINDT, L. C. Sobre gênero neutro em português brasileiro e os limites do sistema linguístico. Revista da ABRALIN, [S. l.], v. 19, n. 1, p. 1 - 23, 2020 (adaptado).

O texto traz uma análise do uso da linguagem neutra, que pretende questionar a hegemonia patriarcal e aumentar as possibilidades de representação de indivíduos que se identificam como pessoas não binárias, por exemplo.

Considerando-se as reflexões apresentadas sobre o uso do gênero neutro, é possível afirmar que
Alternativas
Q4152863 Linguística
TEXTO 1
Se a linguagem molda a forma como enxergamos, sentimos, pensamos e vivenciamos o mundo, muitos dos problemas enfrentados pelos estudantes indígenas se encontram no fato de que o mundo pensado por eles do ponto de vista cultural e linguístico por si só é um fator que amplifica os obstáculos encontrados em sua permanência na universidade. Ademais, subjaz à política linguística elitista (nem sempre explícita) das universidades a ideologia do déficit linguístico, segundo a qual as línguas autóctones são “primitivas”, cabendo aos indígenas o aprendizado da língua do outro, a língua historicamente hegemônica com todos os seus aparatos ideológicos (escrita, literatura, gramáticas, ciência, leis), sob pena de permanecerem marginalizados.
PONSO, L. C. Letramento acadêmico indígena e quilombola: uma política linguística afirmativa voltada à interculturalidade crítica. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/ view/8653744/18764. Acesso em: 24 abr. 2024 (adaptado).

TEXTO 2
A Língua Portuguesa invadiu nosso corpo-território, invadiu nosso espaço, a nossa mente. Se a gente foi obrigado a aprender uma língua que não é nossa, a gente foi obrigado a engolir o nosso espírito, a gente foi obrigado a silenciar o nosso ser, silenciar nossa língua, silenciar nossa cosmovisão, a nossa cultura. A gente precisa resgatar as nossas línguas originárias para que a gente possa construir uma linguagem de liberdade. Porque, realmente, é um desafio muito grande a gente decolonizar dentro da própria estrutura colonial que é a Língua Portuguesa. – Lyryca Cunha – artista indígena e psicóloga.
Linguagens Opressoras Étinicoraciais. Ep. 2: Comunicação Com Cuidado. Entrevistados: Lyrica Cunha e Salloma Salomão. Entrevistadora: Aline Rodrigues [S. l.]: Spotify, 01 jul. 2021. Podcast. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/. Acesso em: 4 maio 2024 (adaptado).

Considerando as reflexões apresentadas nos Textos 1 e 2, uma política linguística que tenha como objetivo principal a inclusão e a permanência dos povos originários em contextos escolares e acadêmicos brasileiros deve propor que
Alternativas
Q4152866 Linguística
Uma professora de Língua Portuguesa resolveu realizar, com sua turma do 9º ano do Ensino Fundamental, um trabalho pedagógico para discutir a terminologia técnica usada na área da saúde. Primeiramente, escreveu na lousa a palavra “dismenorreia” e perguntou para a classe qual seria o sentido desse vocábulo. Após a pergunta, alguns alunos ficaram em silêncio e outros disseram que não tinham certeza se sabiam seu significado. Diante da hesitação dos discentes, a profissional apresentou a definição desse item lexical a partir de um site de divulgação científica (Texto 1) e de um dicionário (Texto 2). Além disso, ela teceu algumas considerações sobre a formação de termos técnico-científicos relacionados ao campo da saúde e da Medicina.

TEXTO 1

DISMENORREIA – sinônimos e nomes populares: cólica menstrual, menstruação dolorosa.

O que é: é a dor pélvica (baixo ventre) que ocorre antes ou durante o período menstrual e pode impedir as atividades normais ou necessitar de medicação específica.
DISMENORREIA. ABC da Saúde Informações Médicas. 2021. Disponível em: https://www.abcdasaude.com.br/ ginecologia-e-obstetricia/dismenorreia-colica-menstrual/. Acesso em: 12 maio 2024 (adaptado).


TEXTO 2

DISMENORREIA – substantivo feminino.
Rubrica: ginecologia – cólica antes ou durante a menstruação.
Etimologia: 2dis- + menorreia
2dis – prefixo de origem grega muito usado na terminologia científica; exprime as ideias de: 1) dificuldade: dispneia; 2) privação: dissimetria.
MENORREIA – substantivo feminino.
1 Rubrica: fisiologia – o fluxo normal das menstruações.
2 Rubrica: Medicina. Estatística: pouco usado – menstruação abundante, excessiva; menorragia.
DISMENORREIA; MENORREIA. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009 (adaptado).

Após essa dinâmica, os alunos concluíram que, apesar de conhecerem a doença nomeada pela palavra, não usam esse termo para fazer referência a ela no dia a dia, preferindo seus nomes populares: “cólica” ou “cólica menstrual”.

A partir da atividade realizada, a docente espera que os alunos sejam capazes de
Alternativas
Respostas
1: C
2: C
3: A