Questões de Concurso Público INEP 2024 para Letras - Português e Espanhol

Foram encontradas 10 questões

Q4142559 Português
O problema dos temas considerados sensíveis ou controversos é tratá-los em sala de aula sem o apoio da escola. A necessidade de um ambiente seguro, onde alunos e professores se sintam confortáveis para debatê-los, é uma das recorrências na literatura sobre o assunto. Outro aspecto é o fato de os professores e a escola estarem dispostos a encarar as implicações geradas pela promoção do acesso dos estudantes às questões sensíveis e controversas em sala de aula.

ALBERTI, V. O professor de história e o ensino de questões sensíveis e controversas. Colóquio Nacional de História Cultural e Sensibilidades, 4, Caicó (RN), Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), 17-21 nov. 2014, p. 2 (adaptado).

A partir da reflexão apresentada no texto, é correto afirmar que, além de buscar o apoio e o respaldo da escola, um planejamento deve considerar
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Q4152837 Português
Alguns domínios discursivos foram “invadidos” por palavras do inglês que parecem resistentes à substituição por equivalentes vernaculares. Esse é o caso do vocabulário associado à Internet e à tecnologia computacional como um todo. É certo que computer foi absorvido como “computador”; contudo, website é um vocábulo que foi absorvido como “site”. Há toda uma matriz de palavras como mouse, e-mail, download, upgrade, entre outras, que foi também incorporada. Um fenômeno ainda mais curioso é a emergência de um novo conjunto de itens lexicais como “printar”, “estartar” e “deletar” (adaptações de print, start e delete, respectivamente), que resultou no interessante fato de que equivalentes em português já existentes ficaram aos poucos reservados a qualquer contexto que não seja o mundo da informática.
RAJAGOPALAN, K. Línguas nacionais como bandeiras patrióticas, ou a linguística que nos deixou na mão: observando mais de perto o chauvinismo linguístico emergente no Brasil. In: SILVA, F. L. da; RAJAGOPALAN, K. (org.). A linguística que nos faz falhar: investigação crítica. São Paulo: Parábola, 2004. p. 14 (adaptado).

Com base nas informações apresentadas, quanto ao uso de léxico estrangeiro associado à tecnologia computacional e à Internet, assinale a opção correta.
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Q4152841 Português
Um aluno da 2ª série do Ensino Médio leu, em uma rede social, uma matéria que anunciava um evento científico sobre a “whatsapização” da vida. Segundo a matéria, esse conceito se refere a uma condição em que as vidas das pessoas são “atravessadas” pela Internet, de modo a deixar os indivíduos permanentemente conectados, sem descanso do mundo digital, o que impacta as relações de trabalho. Curioso com o vocábulo lido na matéria, o estudante buscou entender melhor seu significado e seu contexto de uso. Assim, consultou um dicionário para procurar o verbete, mas descobriu que ele ainda não estava documentado. Em seguida, consultou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), editado pela Academia Brasileira de Letras, que também não registrava a ocorrência do vocábulo. Na sequência, já que estava estudando processos de formação de palavras nas aulas de Português, decidiu perguntar ao seu professor sobre a palavra.

Nessa situação, seria adequado o professor explicar ao aluno que,
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Q4152845 Português
Com o intuito de refletir sobre o sentido de determinadas palavras nas redes sociais, um docente de Língua Portuguesa mostrou a uma turma da 2ª série do Ensino Médio o seguinte trecho extraído de uma conversa do Facebook: “Essa artista fez um texto em defesa das minorias sociais só porque quer lacrar!”. Na sequência, ele apresentou aos alunos o significado desse verbete:

Lacrar – verbo transitivo direto
1. aplicar lacre em; selar ou fechar com lacre; alacrar.
Ex.: lacrar uma correspondência.
LACRAR. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009 (adaptado).

O professor, então, perguntou à turma se o significado da palavra “lacrar”, no trecho extraído da rede social, era igual ao registrado no verbete do dicionário. Após um breve debate sobre as possíveis acepções dessa palavra, a classe afirmou que “lacrar”, no trecho do Facebook, tinha o sentido de “arrasar/abafar/mandar bem em discussões”, ou seja, um significado diferente do atestado no Dicionário Houaiss. A partir disso, o professor pediu aos alunos que registrassem, em seu caderno, os dois sentidos do verbete analisado por eles.

Com relação ao seu trabalho pedagógico, o docente, nessa situação,
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Q4152847 Português
Uma professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental notou que seus alunos tinham dificuldade em produzir gêneros orais. Para possibilitar aos alunos de sua turma uma maior opção de práticas discursivas com a língua falada, bem como desenvolver a autonomia discente, a professora propôs um trabalho com elaboração de podcast.

Nesse contexto, a realização dessa atividade é adequada para a sala de aula, pois o podcast
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Q4152850 Português
O Português está entre os sistemas híbridos na atribuição de gênero: o traço [± sexuado], relevante para um subconjunto restrito de nomes (como, por exemplo, “menina” versus “menino” e “gerente” versus “gerente”), está combinado às propriedades fonológicas e sintáticas que exponenciam gênero e classe temática em todos os nomes na língua. De modo simples: as vogais -a, -o e -e estão presentes também em palavras que não estabelecem qualquer relação com sexo (como, por exemplo, “bola”, “bolo”, “ponte”, “pente”) e nuclearizam a concordância na frase nos mesmos moldes dos vocábulos sexuados.

O uso de caracteres como x (como, por exemplo, em “amigx”), @ (como, por exemplo, em “amig@”) e o uso de e (como, por exemplo, em “amigue”) fechando substantivos e adjetivos é, de fato, uma estratégia de neutralização de gênero, em que se propõe o emprego de uma terceira marca, além da masculina e da feminina. A oposição, nesse caso, não seria privativa nem equipolente, mas gradual, nos termos da Escola de Praga.
SCHWINDT, L. C. Sobre gênero neutro em português brasileiro e os limites do sistema linguístico. Revista da ABRALIN, [S. l.], v. 19, n. 1, p. 1 - 23, 2020 (adaptado).

O texto traz uma análise do uso da linguagem neutra, que pretende questionar a hegemonia patriarcal e aumentar as possibilidades de representação de indivíduos que se identificam como pessoas não binárias, por exemplo.

Considerando-se as reflexões apresentadas sobre o uso do gênero neutro, é possível afirmar que
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Q4152851 Português
O que é gênero do discurso?

Quando interagimos com outras pessoas por meio da linguagem, seja a linguagem oral, seja a linguagem escrita, produzimos certos textos que, com poucas variações, se repetem no conteúdo, no tipo de linguagem e na estrutura. Esses textos constituem os chamados gêneros do discurso ou gêneros textuais e foram historicamente criados pelo ser humano a fim de atender a determinadas necessidades de interação verbal.
CEREJA, W. R.; MAGALHÃES, T. C. Português: linguagens. 9. ed. v. 1. São Paulo: Ática, 2013. p. 32 (adaptado).

O trecho acima, retirado de um livro didático de Português aprovado no PNLD 2015 e destinado a turmas do 1º ano do Ensino Médio, fundamenta-se na
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Q4152857 Português
Durante uma atividade envolvendo literatura brasileira, a professora propôs aos alunos a leitura de uma adaptação aos quadrinhos do conto Apólogo brasileiro sem véu de alegoria, de Alcântara Machado, cujo fragmento está a seguir.


Organizador: Djalma Moraes Cavalcante. Adaptadora: Célia Cristina Alves Lima. Ilustrador: José Rodrigues da Silva. Contos em quadros. Juiz de Fora: Editora UFJF; Musa Editora, 2002. p. 64.

Na sequência, abriu um diálogo sobre a história lida e passou-lhes o texto original do conto, solicitando que identificassem situações narradas no texto escrito que, eventualmente, não estariam presentes nos quadrinhos. Além disso, pediu que, depois, os discentes discutissem os efeitos dessa adaptação na apreensão do enredo.

Nessa situação, a importância da atividade está em
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Q4152859 Português
Em uma escola pública, localizada na periferia da cidade, uma professora discutiu com alunos do Ensino Médio aspectos da violência social contra crianças, meninas e mulheres negras a partir do conto Zaíra esqueceu de guardar os brinquedos, de Conceição Evaristo.

Nesse conto, a menina Zaíra, filha de uma família pobre, dá-se conta de uma figurinha perdida, a sua preferida, e sai à procura do seu brinquedo pelos becos da comunidade. Cheio de emoção, o conto constrói um retrato social da periferia à medida que traz à tona as complexas condições de sobrevivência da família e das crianças pobres, sobretudo negras, que vivem na comunidade sob grande vulnerabilidade social.

Ao concluir a leitura do conto, feita de modo compartilhado pelos alunos, a professora percebeu a intensidade da emoção e da indignação que a história despertou na turma, que se identificou muito com o tema, e decidiu redirecionar o planejamento pensado para aquela aula. A princípio, a ideia era refletir sobre o gênero conto e sobre as características da produção literária de Conceição Evaristo, mas a docente, sabendo que o planejamento é flexível, sugeriu a escrita de um texto sobre a temática da violência social contra crianças negras para circulação no jornal da escola, de modo que o posicionamento dos estudantes sobre o tema pudesse ser conhecido pela comunidade escolar e de modo que os próprios alunos reconhecessem a escrita como prática social e meio de exercício da cidadania.

Sabendo que a professora baseou-se na concepção de escrita como prática social, interlocução e espaço de dizer, a proposta de produção de texto adequada à situação comunicativa descrita é a do gênero
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Q4152864 Português
Durante o período de regência do estágio supervisionado referente ao Ensino Médio, um acadêmico preparou um plano de aula cujo conteúdo envolvia os elementos da narrativa na literatura portuguesa. Como proposta de atividade, solicitou que os estudantes refletissem sobre a intertextualidade e a ironia presentes no fragmento abaixo, do autor português José Saramago:

Quanto ao senhor e às suas esporádicas visitas, a primeira foi para ver se adão e eva haviam tido problemas com a instalação doméstica, a segunda para saber se tinham beneficiado alguma coisa da experiência da vida campestre e a terceira para avisar que tão cedo não esperava voltar, pois tinha de fazer a ronda pelos outros paraísos existentes no espaço celeste. De facto, só viria a aparecer muito mais tarde, em data de que não ficou registo, para expulsar o infeliz casal do jardim do éden pelo crime nefando de terem comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Este episódio, que deu origem à primeira definição de um até aí ignorado pecado original, nunca ficou bem explicado.
SARAMAGO, J. Caim. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 12.

Com base nas informações apresentadas, é possível afirmar que há uma incoerência nessa proposta de atividade, pois
Alternativas
Respostas
1: C
2: B
3: D
4: C
5: D
6: C
7: A
8: B
9: C
10: D