Questões de Concurso Público Prefeitura de Caridade - CE 2026 para Assistente Social em Atividade Educacional

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Q3839556 Pedagogia
Direito à educação: o que significa, na prática, garantir vaga para todos?


      Quando se fala em direito à educação, é comum imaginar uma sala de aula com carteiras alinhadas, um quadro na frente e um professor disposto a ensinar. Em muitos discursos oficiais, “garantir o direito” aparece resumido a uma frase: “há vaga para todas as crianças em idade escolar”. Mas basta olhar com um pouco mais de cuidado para perceber que, entre ter vaga na escola e, de fato, aprender, existe um longo caminho.

        Garantir vaga é o ponto de partida, não a linha de chegada. No papel, o município pode afirmar que todas as crianças estão matriculadas. Na prática, porém, é preciso perguntar: todas conseguem chegar à escola todos os dias? Em áreas rurais, o transporte escolar pode significar caminhões adaptados, estradas de terra e trajetos longos. Nas periferias urbanas, o problema pode ser a distância a pé, a insegurança no caminho, o custo do ônibus. A vaga existe, mas o acesso até ela nem sempre é simples.

        Outra dimensão é a permanência. Uma criança que chega à escola, mas sente fome, pode até ocupar uma carteira, mas dificilmente conseguirá se concentrar. A merenda escolar, muitas vezes vista apenas como um detalhe administrativo, é, na vida real, o que mantém alguns estudantes de pé. Há também quem precise trabalhar para ajudar em casa; nesse caso, conciliar estudos e jornada de trabalho transforma o direito à educação em um malabarismo diário.

      Quando se fala em “vaga para todos”, é preciso incluir aqueles que historicamente foram deixados de fora: estudantes com deficiência, pessoas que moram em áreas de difícil acesso, jovens e adultos que não concluíram o ensino básico na idade “esperada”. Não basta abrir uma sala e colocar todos juntos. É necessário pensar em acessibilidade, adaptações curriculares, materiais diferenciados, profissionais de apoio, horários flexíveis. A igualdade de direito não significa tratar todos da mesma forma, e sim garantir que cada um tenha condições reais de aprender.

       A qualidade do ensino é outra peça indispensável. Um prédio com infiltrações, banheiros quebrados, biblioteca trancada e aulas constantemente interrompidas não cumpre o que o direito à educação promete. Professores sem formação adequada, turmas superlotadas e falta de materiais didáticos também transformam a vaga em uma promessa pela metade. A presença física na escola é importante, mas não adianta sentar-se na carteira e sair de lá sem compreender o que foi ensinado.

         Por fim, garantir vaga significa ouvir quem ocupa essas vagas. Estudantes que não se sentem respeitados, que sofrem preconceito, que não se reconhecem nos conteúdos trabalhados podem até estar oficialmente “dentro” da escola, mas, subjetivamente, continuam do lado de fora. Uma escola que não escuta suas vozes corre o risco de ser apenas um prédio com gente dentro, e não um espaço de formação.

       Direito à educação, portanto, não se esgota na matrícula ou na lista de chamada preenchida. Significa assegurar acesso, permanência e aprendizagem em condições dignas, para pessoas diferentes, em realidades variadas. Entre o discurso bonito dos documentos e o cotidiano nem sempre bonito das salas de aula, há um trabalho silencioso e contínuo que define se a vaga é um número em uma planilha ou uma oportunidade real de transformar vidas.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
Ao mencionar as dificuldades de transporte em áreas rurais e os problemas de deslocamento nas periferias urbanas, o autor evidencia que
Alternativas
Q3839602 Pedagogia
O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990) orienta diversas decisões nas escolas em articulação com a rede de proteção. Analise as afirmativas.

I. O Estatuto da Criança e do Adolescente considera a criança sujeito de proteção especial, mas afasta a ideia de prioridade em políticas públicas.
II. O ECA estabelece que crianças e adolescentes têm direito à educação, com acesso e permanência na escola, e indica dever compartilhado da família, da sociedade e do poder público.
III. Conselhos tutelares aparecem como órgãos permanentes e autônomos, com atribuições ligadas à aplicação de medidas de proteção e ao encaminhamento de situações de ameaça ou violação de direitos.
IV. Medidas socioeducativas previstas no ECA aplicam-se a qualquer adolescente em situação de pobreza, independentemente de ato infracional, e funcionam como complemento regular da escolarização.
V. Em contexto escolar, o trabalho do assistente social pode envolver comunicação estruturada com o Conselho Tutelar, articulação com a rede de proteção e acompanhamento de casos de violação de direitos.

Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS. 
Alternativas
Respostas
1: E
2: C