Questões de Concurso Público MPU 2010 para Analista de Saúde - Cardiologia
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A manobra de preensão manual (hand grip) realizada durante a ausculta cardíaca dessa paciente causou intensificação do sopro sistólico, tipo honk, devido ao aumento fisiológico na pós-carga de trabalho do coração.
As características propedêuticas do sopro sistólico auscultado com epicentro no foco mitral permitem denominá-lo sopro de Dock.
Em relação ao sopro sistólico auscultado no foco tricúspide dessa paciente, a realização da manobra de Müller teria o mesmo efeito da manobra de Rivero Carvallo sobre esse ruído cardíaco, pois compartilham da mesma base fisiológica.
O pulso alternante constatado nessa paciente indica que são percebidas duas ondas de pulso a cada ciclo cardíaco, uma após a 1.ª bulha cardíaca (mais intensa) e a outra, logo depois da 2.ª bulha cardíaca (menos intensa) durante a palpação do pulso arterial carotídeo. Esse tipo de pulso tem forte correlacão com arritmias ventriculares.
Nesse caso clínico hipotético, a onda V gigante verificada no pulso venoso jugular ocorre exclusivamente durante a sístole ventricular (na subfase de ejeção) do ciclo cardíaco e tem como mecanismo elementar o fechamento precoce e rápido da válvula tricúspide, devido ao baixo débito cardíaco.
O refluxo hepatojugular anormal relatado nesse caso clínico implica aumento rápido da pressão venosa jugular após a compressão do hipocôndrio direito, com a paciente com cabeceira do leito inclinada a 45º, que se mantém elevada até que a compressão abdominal seja aliviada e decorre de aumento na pré-carga e na pós-carga de trabalho do ventrículo direito.
Os dados apresentados não são suficientes para concluir que se trata de cardiomegalia.
A constatação de ictus cordis bífido com as características descritas no caso clínico apresenta correlação positiva com aumento da pressão diastólica final do ventrículo esquerdo.
A quarta bulha cardíaca auscultada nesse caso clínico é classificada como um ruído cardiovascular de alta frequência estetoacústica, associado à fase de contração isovolumétrica ventricular do ciclo cardíaco e cujo mecanismo básico é a vibração das paredes ventriculares.
Ocorre clangor aórtico ou 2.ª bulha hiperfonética em tambour (clangorosa), como no caso supramencionado, quando, devido à excessiva elevação da pressão na aorta, as cúspides da válvula aórtica fecham-se com maior força, no início da fase de relaxamento isovolumétrico do ciclo cardíaco, gerando, assim, aumento na intensidade sonora dessa bulha e conferindo-lhe timbre metálico.
Nesse caso clínico, o desdobramento paradoxal da 2.ª bulha cardíaca ocorre quando o intervalo entre os componentes aórtico e o pulmonar não apresenta variação maior do que 0,1 s durante as fases respiratórias (inspiração e expiração) e é consequência de importante elevação da pressão venocapilar pulmonar.
O honk sistólico auscultado na paciente representa um ruído musical, de baixa frequência estetoacústica, mais bem audível com a campânula do estetoscópio ao posicionar-se o paciente em decúbito de Pachon.
A presença do fenômeno de Katz-Wachtel no ECG apresentado sugere a ocorrência de sobrecarga ventricular esquerda predominante, porém, em associação com sobrecarga do ventrículo direito.
Como o ECG atinge apenas quatro pontos quando se aplicam os critérios de Romhilt-Estes, conclui-se que há provável sobrecarga ventricular esquerda.
A repolarização ventricular observada nas derivações esquerdas, tanto do plano frontal quanto do horizontal, é compatível com alterações secundárias com padrão chamado strain decorrentes de isquemia subendocárdica.
Os eixos elétricos médios da onda P (SÂP) e do complexo QRS (SÂQRS), no plano frontal, estão anormalmente desviados para a esquerda.
O cálculo do índice de Cornell no ECG apresentado é sugestivo de sobrecarga ventricular esquerda.
Perda de acoplamento intercelular (por lesão miocárdica), aumento da tensão parietal intraventricular (feedback eletromecânico), ativação do sistema nervoso simpático, produção de autoanticorpos contra receptores beta-1 adrenérgicos e distúrbios eletrolíticos são exemplos de fatores etiofisiopatogênicos associados à arritmia cardíaca apresentada pela paciente em questão.
O principal diagnóstico eletrocardiográfico dessa tira de ritmo é taquicardia helicoidal (torsades de pointes).
O mecanismo de reentrada raramente está envolvido como mecanismo eletrofisiológico desse tipo de arritmia, especialmente em paciente com a condição clínica hipotética em tela.