Questões de Concurso Público Prefeitura de São Miguel do Oeste - SC 2026 para Professor (Língua Portuguesa)

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Q4229195 Pedagogia
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O preconceito cotidiano e disfarçado


No mês em que se fala do orgulho de pertencer à comunidade LGBTQIA+, também é preciso discutir as diferentes formas de discriminação

"O que me preocupa nos seus exames é a possibilidade de HIV."


Eu não lembro exatamente as palavras do médico, tamanho o estresse que aquela consulta me causou. Eu estava vivendo um momento muito delicado. Poucas semanas antes, havia tido a primeira experiência com um homem. Dentro de mim, uma confusão de emoções, com muita culpa. Ninguém sabia daquilo, tudo ainda era solitário.

Tinham me indicado o médico como capaz de desvendar diagnósticos improváveis. Não o havia procurado por algo ligado à minha sexualidade, mas para entender o motivo de manchas vermelhas na pele com as quais eu convivia havia anos, e que nenhum outro médico soube explicar.

Na primeira consulta, o senhor de cabelos brancos havia feito perguntas sobre meu histórico e rotina. "E, por acaso, você está vivendo um momento de estresse?" Hipocondríaco como sou, não consegui esconder e acabei contando sobre a "novidade". Foi como uma primeira saída do armário, ainda que protegida pelo sigilo profissional. A reação dele foi fria, mas não estranhei, mesmo que por dentro meu coração disparasse.

Quando me sentei de novo naquela cadeira, ele ficou olhando para o computador por um bom tempo. Meu chão desapareceu quando o silêncio foi quebrado pela afirmação de que as manchas não o preocupavam, mas sim "a possibilidade de HIV". Tentei controlar um ataque de pânico enquanto ele me explicava a sua suspeita. Pedi para fazer um exame no mesmo dia, mas ele disse que eu teria que aguardar a janela imunológica de 90 dias. Ou seja, três meses de angústia, sem poder compartilhar com ninguém.

Aquele gesto frio, em que a minha sexualidade pareceu orientar a suspeita, reforçou estereótipos do "ser gay" que me acompanhavam por muitos anos. Se em uma única relação com um homem eu já teria adoecido, então aquilo era mesmo errado e minha atitude havia me condenado. Nunca retornei àquele consultório e fiz testes de farmácia sozinho, toda semana, até o fim dos 90 dias. Todos negativos.

Seis anos depois, eu tenho consciência do episódio covarde de preconceito que vivi, mas naquele momento eu nem consegui enxergá-lo. Quando conversei com amigos médicos sobre o episódio, todos me disseram que aqueles resultados não acendiam alarme para o diagnóstico. No mês em que se fala do orgulho de pertencer à comunidade LGBTQIA+, também é preciso discutir as diferentes formas de discriminação. Existem as mais barulhentas, com gritos, projetos de lei ou violência física. Mas também há o preconceito cotidiano e disfarçado, em que o intolerante se aproveita da vulnerabilidade do outro para agredir. 

Hoje eu também sei que um diagnóstico de HIV está longe de ser uma sentença de morte: o tratamento permite uma vida comum e interrompe a transmissão do vírus. O estigma e a desinformação, contudo, permanecem.

Compartilho essa experiência não como denúncia, mas por saber que muita gente está, neste momento, sentada em uma cadeira parecida, ouvindo de quem deveria cuidar uma frase que ecoa o pior que já pensou sobre si. O orgulho é, além de celebração, a tentativa de mostrar a essas pessoas que elas não estão sozinhas na sala, como eu e muitos outros já estiveram.


Texto de O Globo: "O preconceito cotidiano e disfarçado". Publicado em 10 jun. 2026.
Ao compartilhar a experiência de preconceito vivida em uma consulta médica, o autor afirma que o orgulho LGBTQIA+ também consiste em mostrar às pessoas que enfrentam situações semelhantes que elas "não estão sozinhas na sala". À luz das concepções pedagógicas de Paulo Freire, essa reflexão aproxima-se da ideia de que a educação deve: 
Alternativas
Q4229196 Pedagogia
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O preconceito cotidiano e disfarçado


No mês em que se fala do orgulho de pertencer à comunidade LGBTQIA+, também é preciso discutir as diferentes formas de discriminação

"O que me preocupa nos seus exames é a possibilidade de HIV."


Eu não lembro exatamente as palavras do médico, tamanho o estresse que aquela consulta me causou. Eu estava vivendo um momento muito delicado. Poucas semanas antes, havia tido a primeira experiência com um homem. Dentro de mim, uma confusão de emoções, com muita culpa. Ninguém sabia daquilo, tudo ainda era solitário.

Tinham me indicado o médico como capaz de desvendar diagnósticos improváveis. Não o havia procurado por algo ligado à minha sexualidade, mas para entender o motivo de manchas vermelhas na pele com as quais eu convivia havia anos, e que nenhum outro médico soube explicar.

Na primeira consulta, o senhor de cabelos brancos havia feito perguntas sobre meu histórico e rotina. "E, por acaso, você está vivendo um momento de estresse?" Hipocondríaco como sou, não consegui esconder e acabei contando sobre a "novidade". Foi como uma primeira saída do armário, ainda que protegida pelo sigilo profissional. A reação dele foi fria, mas não estranhei, mesmo que por dentro meu coração disparasse.

Quando me sentei de novo naquela cadeira, ele ficou olhando para o computador por um bom tempo. Meu chão desapareceu quando o silêncio foi quebrado pela afirmação de que as manchas não o preocupavam, mas sim "a possibilidade de HIV". Tentei controlar um ataque de pânico enquanto ele me explicava a sua suspeita. Pedi para fazer um exame no mesmo dia, mas ele disse que eu teria que aguardar a janela imunológica de 90 dias. Ou seja, três meses de angústia, sem poder compartilhar com ninguém.

Aquele gesto frio, em que a minha sexualidade pareceu orientar a suspeita, reforçou estereótipos do "ser gay" que me acompanhavam por muitos anos. Se em uma única relação com um homem eu já teria adoecido, então aquilo era mesmo errado e minha atitude havia me condenado. Nunca retornei àquele consultório e fiz testes de farmácia sozinho, toda semana, até o fim dos 90 dias. Todos negativos.

Seis anos depois, eu tenho consciência do episódio covarde de preconceito que vivi, mas naquele momento eu nem consegui enxergá-lo. Quando conversei com amigos médicos sobre o episódio, todos me disseram que aqueles resultados não acendiam alarme para o diagnóstico. No mês em que se fala do orgulho de pertencer à comunidade LGBTQIA+, também é preciso discutir as diferentes formas de discriminação. Existem as mais barulhentas, com gritos, projetos de lei ou violência física. Mas também há o preconceito cotidiano e disfarçado, em que o intolerante se aproveita da vulnerabilidade do outro para agredir. 

Hoje eu também sei que um diagnóstico de HIV está longe de ser uma sentença de morte: o tratamento permite uma vida comum e interrompe a transmissão do vírus. O estigma e a desinformação, contudo, permanecem.

Compartilho essa experiência não como denúncia, mas por saber que muita gente está, neste momento, sentada em uma cadeira parecida, ouvindo de quem deveria cuidar uma frase que ecoa o pior que já pensou sobre si. O orgulho é, além de celebração, a tentativa de mostrar a essas pessoas que elas não estão sozinhas na sala, como eu e muitos outros já estiveram.


Texto de O Globo: "O preconceito cotidiano e disfarçado". Publicado em 10 jun. 2026.
O relato apresentado no texto evidencia uma situação de preconceito baseada na orientação sexual do narrador. À luz da legislação educacional brasileira e dos princípios de direitos humanos que orientam a Educação Básica, a escola deve atuar no enfrentamento de situações dessa natureza por meio de práticas pedagógicas que:
Alternativas
Q4229202 Pedagogia
As Tecnologias da Informação e da Comunicação transformaram as formas de interação, aprendizagem e produção de conhecimentos, tornando-se parte integrante do processo educativo. Nesse contexto, a escola não pode ignorar as tecnologias digitais, sob o risco de oferecer uma formação fragmentada e distanciada das práticas sociais contemporâneas.
Entre os gêneros da esfera digital, destaca-se o blog, que apresenta potencial pedagógico para o ensino de Língua Portuguesa. Por permitir a integração de diferentes linguagens, como textos, imagens, vídeos e músicas, esse gênero favorece abordagens mais dinâmicas da leitura, da escrita e da gramática.
Outra característica relevante do blog é a interatividade. Os usuários podem participar por meio de comentários e acompanhar atualizações constantes, o que amplia as possibilidades de comunicação e de construção colaborativa de conhecimentos.
Segundo os estudos apresentados no capítulo, a inserção das tecnologias digitais na escola exige também formação docente adequada, uma vez que a utilização pedagógica desses recursos depende de professores preparados para integrá-los às práticas de ensino.
Dessa forma, o blog constitui um recurso didático que pode contribuir significativamente para o ensino de Língua Portuguesa ao aproximar os conteúdos escolares das práticas de linguagem vivenciadas pelos estudantes na cultura digital.
Texto adaptado de: FEITOSA, Alceane Bezerra. Contribuições e implicações pedagógicas de um blog no ensino de Língua Portuguesa. In: VARÃO, Maria Goreth de Sousa (Org.). Tecnologias Digitais no Ensino de Língua Portuguesa: o olhar dos professores na prática de extensão.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre recursos didáticos e tecnologias digitais aplicadas ao ensino de Língua Portuguesa, analise as assertivas a seguir:

(__)As tecnologias digitais devem ser compreendidas como parte integrante do processo educativo, e não como recursos acessórios ou desvinculados das práticas de ensino.
(__)O potencial pedagógico do blog decorre, entre outros fatores, da possibilidade de articular diferentes semioses, favorecendo o trabalho com leitura, escrita e gramática.
(__)A utilização de blogs no ensino de Língua Portuguesa dispensa formação específica do professor, uma vez que as ferramentas digitais são intuitivas e de fácil acesso.
(__)A interatividade proporcionada pelos blogs amplia as possibilidades de participação dos estudantes e de construção de conhecimentos no ambiente digital.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Alternativas
Respostas
1: A
2: D
3: B