Questões de Concurso
Comentadas sobre fundamentos da saúde ocupacional em segurança e saúde no trabalho
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Analise as assertivas abaixo sobre ergonomia e prevenção de acidentes durante a execução das atividades do Auxiliar de Serviços Diversos.
I. A adoção de postura corporal adequada durante o levantamento de cargas reduz o risco de lesões musculoesqueléticas.
II. A utilização de equipamentos auxiliares para transporte de materiais pode contribuir para a prevenção de acidentes ocupacionais.
III. Movimentos repetitivos e jornadas prolongadas sem pausas podem favorecer o desenvolvimento de doenças relacionadas ao trabalho.
IV. A ergonomia preocupa-se exclusivamente com a aquisição de mobiliário moderno, não abrangendo aspectos relacionados à organização do trabalho.
Está correto o que se afirma em:
I. O acidente do trabalho não se restringe a eventos com lesão imediata e evidente (quedas e cortes, por exemplo), podendo abranger ocorrências como queimaduras, intoxicações, choque elétrico e agressões sofridas no exercício do trabalho, desde que presentes os requisitos legais de nexo com o trabalho e repercussão na capacidade laborativa ou na saúde do segurado.
II. O acidente de trajeto equipara-se ao acidente do trabalho quando ocorrido no deslocamento entre a residência e o local de trabalho. Também se equipara ao acidente do trabalho o evento ocorrido no deslocamento do trabalho para a instituição de ensino (faculdade) do empregado, bem como em qualquer deslocamento do empregado no exercício de atividade externa, independentemente de vinculação com a execução do serviço.
III. Doenças como lombalgias associadas à sobrecarga biomecânica, perda auditiva induzida por níveis elevados de pressão sonora, dermatoses ocupacionais e doenças respiratórias relacionadas à exposição a agentes nocivos podem ser caracterizadas como doença do trabalho ou doença profissional, as quais, nos termos da lei, equiparam-se ao acidente do trabalho, desde que atendidos os critérios de nexo com a atividade e ausência de hipóteses legais de exclusão.
Está correto o que se afirma em
Em cozinhas industriais, diferentes tipos de riscos ocupacionais estão presentes no cotidiano dos trabalhadores. A correta identificação desses riscos é essencial para a prevenção de acidentes, doenças ocupacionais e contaminações.
Analise as afirmativas a seguir:
I. Riscos físicos em cozinhas industriais incluem exposição a altas temperaturas, vapor, ruído de equipamentos, superfícies escorregadias e contato com utensílios ou superfícies aquecidas.
II. Riscos químicos estão restritos ao contato direto com ali mentos contaminados, sendo eliminados quando há higienização adequada dos utensílios e superfícies de trabalho.
III. Riscos biológicos podem estar associados à presença de microrganismos em alimentos crus, resíduos orgânicos e superfícies contaminadas, podendo gerar contaminações cruzadas.
IV. Riscos ergonômicos estão relacionados ao uso inadequado de equipamentos de proteção individual (EPIs), sendo independentes da organização do trabalho ou das condições físicas do ambiente.
Assinale a alternativa correta:
Quanto aos itens relacionados à Segurança e Saúde do trabalhador na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), analise as afirmativas a seguir.
I. A assistência médica, hospitalar e odontológica prestada diretamente ou mediante seguro-saúde não é considerada como salário.
II. A supressão ou a redução dos direitos relacionados à saúde, segurança e higiene do trabalho constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho.
III. A periculosidade está associada às atividades que, por sua natureza, são realizadas em condições que expõem a saúde dos empregados.
Está correto o que se afirma em
A Portaria GM/MS nº 1.999/2023 estabelece uma Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT).
Sobre as DRTs, assinale a opção que indica apenas radiações ionizantes.
Uma vez estabelecida a relação causal ou o nexo entre a doença e o trabalho desempenhado pelo trabalhador, o profissional ou a equipe responsável pelo atendimento deverá
I. orientar o trabalhador e seus familiares sobre seu problema de saúde e os encaminhamentos necessários para a recuperação da saúde,
II. solicitar a emissão pela empresa da CAT para o INSS, responsabilizando-se pelo preenchimento do Laudo de Exame Médico (LEM). Essa providência independe dos trabalhadores serem empregados e segurados pelo INSS.
III. solicitar o afastamento do trabalho ou da exposição ocupacional, caso a permanência do trabalhador represente um fator de agravamento ou retarde sua melhora.
Está correto o que se afirma em
Segundo o SINAN, assinale a opção que indica o principal responsável pela maioria das notificações.
Patologia infecciosa que pode ter causa ocupacional em trabalhadores agrícolas ou florestais, em zonas endêmicas e em outras situações específicas de exposição ocupacional, como, por exemplo, em laboratórios de pesquisa e análises clínicas.
Caracteriza-se pela formação de pápulas únicas ou múltiplas, que evoluem para úlceras com bordas elevadas e fundo granuloso, indolores. Pode-se apresentar também com placas verrucosas, papulosas, nodulares, localizadas ou difusas. A forma grave da doença decorre do aparecimento de metástases na mucosa nasal ou orofaringeana. As ulcerações, aí, destroem as cartilagens e estruturas ósseas, produzindo lesões mutilantes da face, que comprometem a fisiologia e a vida social dos pacientes.
Assinale a opção que indica a patologia acima descrita.
Essa condição é neurossensorial e irreversível. Os sintomas podem incluir dificuldade para escutar, especialmente em frequências altas, e pode afetar a qualidade de vida. É importante buscar tratamento e prevenção, como o uso de protetores auditivos, para evitar a progressão da perda auditiva.
Sobre a PAIR, assinale a afirmativa correta.
Assinale a opção que caracteriza corretamente a abordagem dos riscos psicossociais nessa perspectiva.
Texto para a questão
Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.
Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.
Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.
Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.
Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.