Questões de Concurso
Sobre psicopatologia em psiquiatria
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I.O diagnóstico requer sintomas ativos por período mínimo, com sinais contínuos de perturbação por pelo menos seis meses.
II.Os sintomas negativos, como o embotamento afetivo e a avolição, respondem de forma robusta e preferencial aos antipsicóticos típicos.
III.Os sintomas de primeira ordem incluem alucinações auditivas comentadoras e vivências de influência sobre o pensamento e a vontade.
Está correto o que se afirma em:
I.As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens intrusivos e indesejados que geram ansiedade ou desconforto acentuados.
II.As compulsões são comportamentos ou atos mentais repetitivos executados para reduzir a ansiedade ou prevenir um evento temido.
III.O conteúdo das obsessões é vivenciado, de modo característico, como agradável e congruente com os desejos do próprio indivíduo.
Está correto o que se afirma em:
I.O diagnóstico diferencial demanda a exclusão de condições médicas gerais e do uso de substâncias capazes de explicar o quadro psiquiátrico.
II.A presença de sofrimento clinicamente significativo ou de prejuízo funcional integra, em regra, os critérios diagnósticos dos transtornos mentais.
III.A classificação categorial dos manuais diagnósticos dispensa a avaliação da gravidade e do curso longitudinal do quadro clínico.
Está correto o que se afirma em:
(__)A formulação diagnóstica integra dados fenomenológicos, história longitudinal e contexto biopsicossocial na compreensão do caso.
(__)O diagnóstico sindrômico antecede o nosológico, reunindo sinais e sintomas em conjuntos dotados de significado clínico.
(__)O diagnóstico psiquiátrico apoia-se, de modo prioritário, em marcadores laboratoriais e de neuroimagem com valor confirmatório para cada categoria.
(__)A entrevista psiquiátrica restringe-se ao relato verbal de sintomas, dispensando a observação do comportamento e da relação interpessoal.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.
Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.
Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.
Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.
Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.
Caso Carlos se recusasse a mantê-la internada depois de afastado o risco iminente de morte,
Esses são os transtornos
Esta característica da nosologia psiquiátrica contemporânea lhe confere um caráter
Alfredo, auxiliar de contabilidade com 25 anos, solteiro, mora sozinho. Após três dias de ausência em seu trabalho, sem responder ao telefone ou e-mail, seus colegas foram à sua casa verificar se tudo estava bem. Encontraram Alfredo há três dias sem sair de casa e sem dormir, extremamente amedrontado.
Após alguma resistência, ele afirmou categoricamente que seu vizinho tem espionado sua casa através de escutas clandestinas, pois Alfredo tem ouvido suas conversas com terceiros desconhecidos descrevendo “cada passo que eu dou dentro de casa e dizendo que irá me pegar no corredor do prédio”.
No pronto-socorro psiquiátrico, a equipe conseguiu contatar a mãe do jovem, que afirmou que o vizinho tivera, dias antes, uma discussão violenta com Alfredo. Ela negou histórico psiquiátrico do filho e referiu neurodesenvolvimento normal, embora confirmasse que, desde a infância, seu filho era uma pessoa socialmente muito retraída. Seus colegas confirmaram o perfil estranho do colega e também não perceberam alterações do comportamento ou funcionamento mental habituais.
Ao exame psicopatológico, não se observaram alterações significativas na atenção, memória, orientação e nas funções neurológicas. Apresentava afeto ansioso e inadequado, humor normotímico e pensamento de conteúdo paranoico delirante, com alterações formais sutis. Exames laboratoriais, incluindo toxicológico, estavam normais. O psiquiatra prescreveu risperidona 4 mg/dia e, após cinco dias, o paciente havia se recuperado do quadro em tela.
Diante do caso narrado, conforme o DSM-5-TR, assinale a opção que indica o diagnóstico mais adequado no momento.