Questões de Concurso
Sobre semiologia psiquiátrica e critérios de normalidade em psicologia
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De acordo com Cunha (2000) “As alucinações são definidas, simplisticamente, como a percepção sem objeto, podendo ser produzidas em relação a qualquer qualidade sensorial.”
Quadros em que há todas as características da imagem alucinatória, menos a convicção da realidade ou participação da pessoa no processo, e que frequentemente está ligada a uma causa orgânica, são chamados de:
Cassorla (2009) apresenta o seguinte paradoxo do suicídio: por que o ser humano que vive aterrorizado pela consciência de sua finitude pode buscar, conscientemente, a morte? A incompreensão que certas pessoas que tentam suicídio recebem em unidades de saúde, sendo hostilizadas e ridicularizadas por equipes de saúde despreparadas, indica que estas equipes captam o componente agressivo e, por vezes, manipulativo do ato, ignorando sua complexidade e o fato de que o paciente está, de alguma forma, pedindo ajuda. Quanto aos comportamentos variados que levam à morte, analise as afirmativas seguintes.
I. As pessoas que falam que vão se matar ou que tentam chamar atenção, uma vez que não há uma busca convicta pelo fim da vida.
II. Comportamentos variados que levam à morte, muitas vezes, são sentidos como sedutores em certos indivíduos: uso de álcool e drogas, velocidade e perigo, colocar-se em situações arriscadas, sexo sem cuidados, riscos à saúde e à vida.
III. Em alguns casos, os comportamentos variados que levam à morte são fruto da necessidade de o ser humano negar sua fragilidade, imaginando-se tão poderoso que pode desafiar a morte e derrotá-la.
IV. O fato de as pessoas, por vezes, buscarem a morte através do suicídio nos obriga a pensar que, na verdade, não é a morte (aniquilamento) que elas procuram, mas sim uma fuga do sofrimento insuportável. E o suicida se mata para escapar desse sofrimento insuportável.
V. Não é recomendado falar sobre suicídio com pessoas que apresentam comportamentos variados que levam à morte, pois isso pode aumentar o risco.
Estão corretas:
Leia o relato do caso a seguir.
G. chega ao consultório psicológico relutante e por insistência da esposa. Está chateado com ela, acha que sua esposa duvida de seu sofrimento, mas são 17 anos de casamento e sua família é a coisa mais importante que tem. Conta que é trabalhador da construção civil e sofreu um acidente de trabalho que levou à fratura do fêmur. Foi necessário uma cirurgia e meses de fisioterapia. Foi encostado pelo INSS por um período, mas há alguns meses o perito suspendeu seu benefício e o declarou apto ao trabalho. Só que G. ainda sente fortes dores. Inicialmente, seu médico preencheu novo relatório e ele entrou com recurso que foi negado. Enquanto corria o recurso, seu médico realizou vários exames, prescreveu mais sessões de fisioterapia e, há duas semanas, o informou que concorda com o perito, considerando-o apto ao trabalho, já que os exames não mostraram nenhuma lesão que justifique a dor. Também o encaminhou ao psiquiatra. G. só marcou a consulta com o psiquiatra e o psicólogo pela insistência da esposa. Entende que ela esteja sobrecarregada por ter precisado voltar ao mercado de trabalho, já que a renda da família foi comprometida com a suspensão do seguro saúde. Tem a intenção de dar continuidade ao processo terapêutico, mas confidenciou que contratou um advogado. Pretende processar o INSS e a empresa em que trabalhava.
Diante da experiência de G., qual hipótese terapeuta pode ser formulada?
De acordo com a obra O Normal e o Patológico, de Georges Canguilhem, é CORRETO afirmar que:
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão 03.
O transtorno da personalidade foi, ao longo dos últimos dois séculos, nomeado de diversas formas: insanidade moral (“moral insanity”, de Prichard), monomania moral, transtorno ou neurose de caráter etc. Entretanto, o termo que mais se tornou popular entre os profissionais de saúde mental foi psicopatia. Tal vocábulo, infelizmente, foi utilizado de modo muito impreciso, ora se identificando psicopatia com personalidade sociopática, ora com transtornos da personalidade em geral.
Fonte: DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
Segundo a classificação de transtornos mentais da Organização Mundial da Saúde (OMS, 1993), a CID-10, os transtornos da personalidade são definidos pelas seguintes características:
I. O padrão normal de comportamento inclui poucos aspectos do psiquismo e da vida social do indivíduo, restrito a uma área.
II. Os transtornos da personalidade, geralmente, surgem na infância ou adolescência e tendem a permanecer relativamente estáveis ao longo da vida do indivíduo.
III. O padrão comportamental é mal-adaptativo, pois produz uma série de dificuldades para o indivíduo e/ou para as pessoas que com ele convivem.
IV. São condições não relacionadas diretamente à lesão cerebral evidente ou a outro transtorno psiquiátrico.
Está CORRETO o que se apresenta em:
Critérios de saúde:
( ) Normalidade funcional: este critério procura ser objetivo. Algo é considerado patológico a partir do momento em que se torna disfuncional, isto é, quando começa a gerar sofrimento para o indivíduo e/ou para seu grupo social;
( ) Normalidade operacional: usando este critério, o avaliador dá maior ênfase à percepção do próprio indivíduo em relação ao seu estado de saúde. A principal crítica a este critério é que, alguns sujeitos em fase maníaca, sentem-se ‘saudáveis e felizes’, apesar de apresentarem um transtorno mental grave;
( ) Normalidade como liberdade: para alguns autores de orientação fenomenológica, a doença mental seria a perda da liberdade existencial. Desta maneira, a saúde mental se vincularia às possibilidades de transitar com graus distintos de liberdade sobre o mundo e sobre o próprio destino. Aqui a saúde mental pode ser vista como a possibilidade de dispor de senso de realidade, senso de humor e um sentido poético perante a vida;
( ) Normalidade relativa: este é um critério assumidamente arbitrário, com finalidades pragmáticas explícitas. É definido, a priori, o que é normal e o que é patológico e busca-se trabalhar operacionalmente com esses conceitos.
Levando-se em consideração que V significa Verdadeiro e F significa Falso, a sequência das proposições acima é:
Com base no caso clínico anterior, considerando-se o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V) bem como as contribuições da psicopatologia, o transtorno apresentado por Paulo é denominado
[1] A psicopatologia é o estudo sistemático do comportamento, da cognição e da experiência anormais; o estudo dos produtos de uma mente com um transtorno mental. Isto inclui as psicopatologias explicativas, nas quais existem supostas explicações, de acordo com conceitos teóricos (p. ex., a partir de uma base psicodinâmica, comportamental ou existencial, e assim por diante), e a psicopatologia descritiva, que consiste da descrição e da categorização precisas de experiências anormais , como informadas pelo paciente e observadas em seu comportamento, psicopatologia descritiva consiste, portanto de duas partes distintas: a observação do comportamento e a avaliação empática da experiência subjetiva. [2] Na psicopatologia descritiva a observação acurada é extremamente importante e um exercício muito mais útil do que simplesmente contar os sintomas; às vezes o uso servil de listas de sintomas, para a verificação de sua presença ou ausência, tem impedido a observação clinica genuína. A objetividade é crucial, mas existe também a necessidade de observar-se mais do que apenas o comportamento.
Assinale a alternativa CORRETA.