Questões de Concurso
Comentadas sobre as tecnologias da comunicação e informação nas práticas educativas em pedagogia
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Desde o final da década de 1990, o sistema educacional brasileiro vem sofrendo forte pressão e ingerência do sistema produtivo, das empresas nacionais e transnacionais, aprovando suas pautas nas diretrizes e nos marcos legais, tais como o ocorrido com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e com as Diretrizes de Formação de Professores, elaboradas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), e também na proposição e na implementação de programas e projetos com forte influência dos chamados “reformadores empresariais da educação” (Freitas, 2018). Para Luiz Carlos de Freitas (2020), esses são grupos ligados ao grande capital nacional e internacional, detentores das maiores riquezas do Brasil, que instituem suas fundações ou movimentos e passam a atuar de forma muito intensa nas definições das políticas educacionais. O mais recente programa proposto nessa perspectiva é o Programa de Inovação Educação Conectada (Brasil. MEC, [2021]), instituído em 23 de novembro de 2017, com os objetivos de “apoiar a universalização do acesso à internet em alta velocidade e fomentar o uso pedagógico de tecnologias digitais na educação básica” (Brasil. Decreto no 9.204, 2017), objetivos que já estavam presentes nos programas anteriores, como o Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo), de 1997, reformulado em 2007, e o Programa Banda Larga nas Escolas (PBLE), de 2008. O Programa de Inovação Educação Conectada, que deveria estar sob a responsabilidade dos poderes públicos, nas três esferas da administração do Estado nacional, ou diretamente das escolas, é praticamente elaborado e executado por uma instituição de fora do sistema, a Sincroniza Educação (2021), uma parceria entre a Fundação Lemann e os diversos outros grupos empresariais por meio de suas fundações ou associações.
Aqui, passamos a identificar uma prática que vem sendo adotada desde os governos anteriores, que é a de não implementar políticas públicas universais – como foi a já referida implantação da internet no Brasil –, e, sim, elaborar projetos que precisam contar com a adesão dos setores interessados. Foi esse o modelo do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras (Reuni) e assim também é com o Programa de Inovação Educação Conectada e com o mais recente Reuni Digital: Plano de Expansão da EaD nas instituições de ensino superior (IES) públicas federais, cuja versão preliminar foi divulgada em maio de 2021 (Brasil. MCTI, CGEE, 2021). No caso do Programa de Inovação Educação Conectada, as escolas que aderirem e forem contempladas recebem uma verba, incorporada ao Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), para adquirir, segundo o Artigo 4o, inciso II:
a) contratação de serviço de acesso à internet;
b) implantação de infraestrutura para distribuição do sinal da internet nas escolas;
c) aquisição ou contratação de dispositivos eletrônicos; e
d) aquisição de recursos educacionais digitais ou suas licenças (Brasil. Decreto no 9.204, 2017).
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Fonte: PRETTO, Nelson de Luca; BONILLA, Maria Helena Silveira. Tecnologias e educações: um caminho em aberto. Em Aberto, v. 35, n. 113, 2022. Disponível em: https://emaberto.inep.gov.br/ojs3/index.php/emaberto/article/view/5085. Acesso em: 02 abr. 2026.
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Portanto, como mencionamos, desde aquela época, anos 1990, insistíamos sobre as limitações da concepção instrumental que vinha presidindo os programas e os projetos de introdução das tecnologias na educação, por considerar as tecnologias digitais como (meros) recursos didático-pedagógicos, colocando-as como simples evolução dos retroprojetores ou dos livros didáticos. Lideramos essa crítica (Pretto, 2013), pois entendíamos (e continuamos entendendo) que essa redução esvaziava as tecnologias digitais de suas características fundamentais, transformando-as em animadoras da velha educação, o que perdurava apenas enquanto o dispositivo era novidade. Mantinham-se, assim, os velhos modelos educacionais, só que agora reforçados com os novos e avançados recursos tecnológicos (Pretto, 2002, p. 124). Nossa perspectiva defende a inserção das tecnologias nos processos educacionais como fundamento, como elementos carregados de conteúdos e como representantes de uma nova forma de pensar e sentir, a qual começa a ser gestada quando a humanidade se desloca de uma razão operativa para uma nova razão, baseada na globalidade e na integridade (Pretto, 2013). Ou seja, ao extrapolar a dimensão utilitarista de uso das tecnologias, pode-se incorporá-las como elementos estruturantes de novos territórios educativos, com [...] novas formas de ordenação da experiência humana, com múltiplos reflexos na área cognitiva e nas ações práticas, ao possibilitar novas formas de comunicação e produção de conhecimento, gerando com isso transformações na consciência individual, na percepção de mundo, nos valores e nas formas de atuação social. (Bonilla, 2002, p. 246).
Dessa forma, a escola aproxima-se da cultura digital, que se alastra com a chegada da internet, na década de 1990, desencadeando um movimento social e cultural de interação em rede e, com isso, as possibilidades de uso das tecnologias começam a se diversificar, abrindo novas formas de fazer, aprender, interagir, ser e estar em sociedade. Também na educação, novas frentes de pesquisa, análise e práticas se delineiam, aproximando-se da perspectiva estruturante que sempre defendemos.
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Fonte: PRETTO, Nelson de Luca; BONILLA, Maria Helena Silveira. Tecnologias e educações: um caminho em aberto. Em Aberto, v. 35, n. 113, 2022. Disponível em: https://emaberto.inep.gov.br/ojs3/index.php/emaberto/article/view/5085. Acesso em: 02 abr. 2026.
Pretto e Bonilla (2022) apontam em seu artigo que o grupo de pesquisa do qual participam vem encampando algumas defesas ao longo dos anos sobre o uso das tecnologias nas escolas. Assinale a afirmativa que não registra uma dessas defesas.
Nesse sentido, é correto afirmar que o uso pedagógico das TDIC:
Um professor do Ensino Técnico, ao abordar o estudo de Circuitos de Corrente Alternada (CCA), propõe aos estudantes a utilização de um software de simulação para analisar o comportamento de grandezas elétricas. Observando a complexidade da representação temporal de fenômenos como defasagem entre tensão e corrente utilizando apenas funções trigonométricas reais, o professor introduz os números complexos como uma ferramenta matemática que simplifica a análise e permite uma representação mais concisa e eficiente do comportamento fasorial. Ele incentiva os estudantes a explorar as representações algébrica, geométrica e computacional dos números complexos no contexto dos CCA. À luz de abordagens investigativas, da modelagem matemática e do uso de tecnologias digitais no ensino, analise as assertivas abaixo:
I. A proposta favorece uma perspectiva investigativa ao estimular a exploração de fenômenos, a formulação de conjecturas sobre o comportamento das grandezas elétricas e a análise de múltiplas representações mediadas por ferramentas computacionais.
II. O software de simulação, nesse cenário, atua como um ambiente de aprendizagem que permite a experimentação e a visualização dinâmica de conceitos abstratos, transcendendo a mera função de ferramenta para cálculo ou verificação de resultados.
III. A introdução dos números complexos como uma ferramenta que otimiza a representação e a análise de fenômenos elétricos exemplifica uma abordagem de modelagem matemática, em que a escolha da ferramenta matemática é motivada pela busca da clareza na interpretação do fenômeno real.
IV. A articulação entre a simulação computacional e as diferentes representações dos números complexos pode potencializar a construção de significados matemáticos pelos estudantes, desde que o professor promova a reflexão crítica sobre as conexões entre as representações e o fenômeno físico.
Quais estão corretas?
Considerando reflexões sobre a trajetória do uso de Softwares de Geometria Dinâmica (SGD) e a apropriação das tecnologias pelos professores, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) O impacto das tecnologias no sistema educacional tem sido tão intenso quanto em outras áreas da sociedade, caracterizando-se pela rápida substituição das práticas pedagógicas tradicionais por abordagens digitais.
( ) As limitações do uso de tecnologias na educação decorrem principalmente da limitação da imaginação humana e das restrições a velhos hábitos.
( ) O uso de softwares como o Cabri-Géomètre no ensino de geometria tem como principal finalidade automatizar construções, reduzindo a necessidade de o aluno compreender conceitos matemáticos mais complexos.
( ) A integração das tecnologias na prática pedagógica deve possibilitar ao aluno acessar propriedades e conceitos matemáticos por meio de atividades que se diferenciam das práticas tradicionais baseadas em papel e lápis.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Considerando o papel pedagógico das tecnologias digitais como mediações cognitivas nos processos de ensino e aprendizagem, identifique a alternativa CORRETA.
A incorporação de tecnologias assistivas digitais tem ampliado as possibilidades de acesso ao currículo, à comunicação e à participação acadêmica dos estudantes da Educação Especial. Diferentes softwares são utilizados para reduzir barreiras relacionadas ao acesso à informação, à comunicação linguística, à mobilidade e ao processamento da leitura e da escrita. Considerando os recursos tecnológicos apresentados e a sua utilização no contexto educacional inclusivo, relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as condições educacionais do estudante aos conjuntos de softwares correspondentes.
Coluna 1
1. Deficiência visual.
2. Deficiência física com comprometimento motor.
3. Deficiência auditiva.
4. Transtorno específico de aprendizagem relacionado à leitura e escrita.
Coluna 2
( ) Hand Talk – ProDeaf.
( ) NVDA – JAWS.
( ) Kurzweil 3000 – Ghotit.
( ) Dasher – Dragon NaturallySpeaking.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
( ) O uso de aplicativos e programas torna o papel do educador secundário, já que o aluno aprende de forma autônoma apenas com a tecnologia.
( ) O aluno aprende da mesma forma, independentemente da interlocução com o educador e os colegas, pois a tecnologia supre essa mediação.
( ) O papel do educador é fundamental se agrega valor ao que o aluno sozinho consegue fazer com a tecnologia.
Para Boscarioli e Bastos (2020, p.02) as Dimensões da Competência Profissional Docente se estruturam a partir de três dimensões:
• CONHECIMENTO PROFISSIONAL: Conhecimentos específicos, porém, vinculados à prática. Conhecimentos da área, da etapa e do componente curricular. Conhecimentos que propiciem uma atuação autônoma do professor.
• PRÁTICA PROFISSIONAL: Sequências didáticas, progressão e complexidade de conteúdos abordados, experiências práticas, planejamento reverso, metodologias inovadoras e aprendizagem ativa. Estratégias de ensino e um conhecimento pedagógico do conteúdo, proporcionando experiências de aprendizagem aos alunos.
• ENGAJAMENTO PROFISSIONAL: Compromisso do professor com os alunos, pares, gestores, comunidade escolar e os demais atores do sistema educacional. Pressupõe o desenvolvimento pessoal e profissional, o compromisso com a aprendizagem e desenvolvimento do estudante e a interação com colegas, atores educacionais, comunidade e sociedade.
BOSCARIOLI, Clodis; BASTOS, Thais B. M. C. Framework Competências Digitais para Professores. Paraná, Fev. 2020. Folheto, p.02.
Considerando a articulação dessas competências e a mobilização de diferentes habilidades na atuação profissional é possível afirmar que as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) são recursos para a aprendizagem imersa numa cultura digital. Porém, esta ferramenta depende do talento do professor, do interesse do aluno e do envolvimento da família e da comunidade escolar. As competências docentes são direcionamentos para que professores possam se apoiar ao pensar em seu desenvolvimento profissional.
Sobre as competências docentes, analise as afirmativas a seguir:
I. A competência “Compreender o contexto e a promoção do uso ético, seguro e responsável das TDIC” exige conhecer e compreender o que significa segurança, responsabilidade e princípios éticos digitais, entender os processos de comunicação digital, interação e compartilhamento de informações, sem contudo promover condições para estimular na comunidade escolar o uso seguro, ético e responsável das TDIC.
II. A competência “Desenvolver as habilidades dos estudantes em TDIC” requer a capacidade de planejar atividades em TDIC que permitam conduzir e refletir sobre seu uso, bem como orientar os alunos nos processos de busca, manipulação e utilização adequada e responsável.
III. A competência “Compreender a colaboração das TDIC na comunicação, processos avaliativos e de gestão da sala de aula” impõe conhecer, compreender e utilizar as TDIC nos processos avaliativos, com o objetivo de melhorar a gestão, a validade, a confiabilidade e a eficiência das diversas abordagens de avaliação, bem como relatórios e registros de atividades, identificando dados e informações relevantes aos processos de aprendizagem.
Sobre os itens I, II e III é CORRETO afirmar:
SOUSA, Henderson Tavares de; MARQUES, Luciana Maria Estevam (Org.). Tecnologias educacionais: aplicações e possibilidades. Ponta Grossa - PR: Atena, 2024.
Sobre os REA é INCORRETO.
Fonte: MORAN, J. M. A educação que desejamos. Campinas: Papirus, 2007.
Nesse sentido, é CORRETO afirmar que um efeito positivo das tecnologias digitais na aprendizagem é o/a:
Assinale a opção que exemplifica corretamente a multimodalidade.