Questões de Concurso Comentadas sobre vícios da linguagem em português

Foram encontradas 457 questões

Q2781838 Português

O sequestro das palavras


Gregório Duvivier


___Vamos supor que toda palavra tenha uma vocação primeira. A palavra mudança, por exemplo, nasceu filha da transformação e da troca, e desde pequena servia para descrever o processo de mutação de uma coisa em outra coisa que não deixou de ser, na essência, a mesma coisa – quando a coisa é trocada por outra coisa, não é mudança, é substituição. A palavra justiça, por exemplo, brotou do casamento dos direitos com a igualdade (sim, foi um ménage): servia para tornar igual aquilo que tinha o direito de ser igual, mas não estava sendo tratado como tal.

___No entanto as palavras cresceram. E, assim como as pessoas, foram sendo contaminadas pelo mundo à sua volta. As palavras, coitadas, não sabem escolher amizade, não sabem dizer não. A liberdade, por exemplo, é dessas palavras que só dizem sim. Não nasceu de ninguém. Nasceu contra tudo: a prisão, a dependência, o poder, o dinheiro – mas não se espante se você vir a liberdade vendendo absorvente, desodorante, cartão de crédito, empréstimo de banco. A publicidade vive disso: dobrar as melhores palavras sem pagar direito de imagem. Assim, você verá as palavras ecologia e esporte juntarem-se numa só para criar o EcoSport – existe algo menos ecológico ou esportivo que um carro? Pobres palavras. Não têm advogados. Não precisam assinar termos de autorização de imagem. Estão aí, na praça, gratuitas.

___Nem todos aceitam que as palavras sejam sequestradas ao bel prazer do usuário. A política é o campo de guerra onde se disputa a posse das palavras. A "ética", filha do caráter com a moral, transita de um lado para o outro dos conflitos, assim como a Alsácia-Lorena, e não sem guerras sanguinárias. Com um revólver na cabeça, é obrigada a endossar os seres mais amorais e sem caráter. A palavra mudança, que sempre andou com as esquerdas, foi sequestrada pelos setores mais conservadores da sociedade – que fingem querer mudar, quando o que querem é trocar (para que não se mude mais). A Justiça, coitada, foi cooptada por quem atropela direitos e desconhece a igualdade, confundindo-a o tempo todo com seu primo, o justiçamento, filho do preconceito com o ódio.

___Já a palavra impeachment, recém-nascida, filha da democracia com a mudança, está escondida num porão: emprestaram suas roupas à palavra golpe, que desfila por aí usando seu nome e seus documentos. Enquanto isso, a palavra jornalismo, coitada, agoniza na UTI. As palavras não lutam sozinhas. É preciso lutar por elas.


Observação: Após a coluna "O Sequestro das Palavras" ter sido publicada no jornal impresso, na segunda-feira, 21/3 de 2016, o colunista modificou seu texto e pediu para atualizá-lo na versão on-line.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2016/03/1752170-o-sequestro-das-palavras.shtml

As figuras de linguagem são estratagemas que um autor pode empregar em seu texto para persuadir seu leitor. No texto anterior, qual figura de linguagem foi amplamente usada para esse fim?

Alternativas
Q2779075 Português

Leia o seguinte trecho da música “Metrô linha 743”, de Raul Seixas:


“O homem apressado me deixou e saiu voando
Aí eu me encostei num poste e fiquei fumando
Três outros chegaram com pistolas na mão, Um gritou: ‘Mão na cabeça malandro, se não quiser levar chumbo quente nos cornos’”
Qual figura de linguagem utilizada em “O homem apressado me deixou e saiu voando”?

Alternativas
Q2777523 Português

A um possível diálogo explícito entre textos, influência de um texto sobre outro que o toma como modelo ou ponto de partida, e que gera a atualização do texto citado, denominamos:

Alternativas
Q2775815 Português
not valid statement found

Nos versos abaixo, o poeta utiliza uma figura de linguagem.


“folha que volta pro galho,

muito depois de caída.”


Assinale a alternativa que a identifica corretamente.

Alternativas
Q2774831 Português

A falsa liberdade e a Síndrome do “TER DE”


Lya Luft


Essa é uma manifestação típica do nosso tempo, contagiosa e difícil de curar porque se alimenta da nossa fragilidade, do quanto somos impressionáveis, e da força do espírito de rebanho que nos condiciona a seguir os outros. Eu tenho de fazer o que se espera de mim. Tenho de ambicionar esses bens, esse status, esse modo de viver – ou serei diferente, e estarei fora.

Temos muito mais opções agora do que alguns anos atrás, as possibilidades que se abrem são incríveis, mas escolher é difícil: temos de realizar tantas coisas, são tantos os compromissos, que nos falta o tempo para uma análise tranquila, uma decisão sensata, um prazer saboreado.

A gente tem de ser, como escrevi tantas vezes, belo, jovem, desejado, bom de cama (e de computador). Ou a gente tem de ser o pior, o mais relaxado, ou o mais drogado, o chefe da gangue, a mais sedutora, a mais produzida. Outra possibilidade é ter de ser o melhor pai, o melhor chefe, a melhor mãe, a melhor aluna; seja o que for, temos de estar entre os melhores, fingindo não ter falhas nem limitações. Ninguém pode se contentar em ser como pode: temos de ser muito mais que isso, temos de fazer o impossível, o desnecessário, até o absurdo, o que não nos agrada – ou estamos fora.

A gente tem de rir dos outros, rebaixar ou denegrir nem que seja o mais simples parceiro de trabalho ou o colega de escola com alguma deficiência ou dificuldade maior. A gente tem de aproveitar o mais que puder, e isso muitos pais incutem nos filhos: case tarde, aproveite antes! (O que significa isso?) [...]

A propaganda nos atordoa: temos de ser grandes bebedores (daquela marca de bebida, naturalmente), comprar o carro mais incrível, obter empréstimos com menores juros, fazer a viagem maravilhosa, ter a pele perfeita, mostrar os músculos mais fortes, usar o mais moderno celular, ir ao resort mais sofisticado.

Até no luto temos de assumir novas posturas: sofrer vai ficando fora de moda. Contrariando a mais elementar psicologia, mal perdemos uma pessoa amada, todos nos instigam a passar por cima. “Não chore, reaja”, é o que mais ouvimos. “Limpe a mesa dele, tire tudo do armário dela, troque os móveis, roupas de cama, mude de casa.” Tristeza e recolhimento ofendem nossa paisagem de papelão colorido. Saímos do velório e esperam que se vá depressa pegar a maquilagem, correr para a academia, tomar o antidepressivo, depressa, depressa, pois os outros não aguentam mais, quem quer saber da minha dor?

O “ter de” nos faz correr por aí com algemas nos tornozelos, mas talvez a gente só quisesse ser um pouco mais tranquilo, mais enraizado, mais amado, com algum tempo para curtir as coisas pequenas e refletir. Porém temos de estar à frente, ainda que na fila do SUS.

Se pensar bem, verei que não preciso ser magro nem atlético nem um modelo de funcionário, não preciso ter muito dinheiro ou conhecer Paris, não preciso nem mesmo ser importante ou bem-sucedido. Precisaria, sim, ser um sujeito decente, encontrar alguma harmonia comigo mesmo, com os outros, e com a natureza na qual fervilha a vida e a morte é apaziguadora.

Em lugar disso, porém, abraçamos a frustração, e com ela a culpa.

A culpa, disse um personagem de um filme, “é como uma mochila cheia de tijolos. Você carrega de um lado para o outro, até o fim da vida. Só tem um jeito: jogá-la fora”. Mas ela tem raízes fundas em religiões e crenças, em ditames da família, numa educação pelo excessivo controle ou na deseducação pela indiferença, na competitividade no trabalho e na pressão de nosso grupo, que cobra coisas demais. [...]

Nessa rede de complexidades, seria bom resistir à máquina da propaganda e buscar a simplicidade, não sucumbir ao impulso da manada que corre cegamente em frente. Com sorte, vamos até enganar o tempo sendo sempre jovens, sendo quem sabe imortais com nariz diminuto, boca ginecológica e olhar fatigado num rosto inexpressivo. Não nos faltam recursos: a medicina, a farmácia, a academia, a ilusão, nos estendem ofertas que incluem músculos artificiais, novos peitos, pele de porcelana, e grandes espelhos, espelho, espelho meu. Mas a gente nem sabe direito onde está se metendo, e toca a correr porque ainda não vimos tudo, não fizemos nem a metade, quase nada entendemos. Somos eternos devedores.

Ordens aqui e ali, alguém sopra as falas, outro desenha os gestos, vai sair tudo bem: nada depressivo nem negativo, tudo tem de parecer uma festa, noite de estreia com adrenalina e aplausos ao final.


Disponível em: http://www.contioutra.com/a-falsa-liberdade-e-a-sindrome-do-ter-de-lya-

luft/#ixzz4HMEDzQMU Acesso em 14 ago. 2016 (Adaptado)

Percebe-se o tom irônico da autora em:

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Ano: 2016 Banca: FUNDAPE Órgão: UFAC Prova: FUNDAPE - 2016 - UFAC - Contador |
Q2760554 Português

A metáfora é uma figura de linguagem que se caracteriza pelo uso de uma palavra ou expressão em um sentido diferente do usual, numa espécie de comparação implícita. Todas as frases abaixo exemplificam o uso metafórico, exceto.

Alternativas
Q2760541 Português

As figuras de linguagem são recursos utilizados por escritores/autores para dar mais expressividade ao texto. A música Monte Castelo, gravada pelo grupo Legião Urbana e composta por Renato Russo, utiliza-se de diferentes figuras de linguagem. Assinale a alternativa em que há erro na identificação da figura de linguagem apresentada na música.


Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse

a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É só o amor, é só o amor;

Que conhece o que é verdade;

O amor é bom, não quer o mal;

Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.

[…]

Estou acordado e todos dormem todos dormem, todos dormem;

Agora vejo em parte, mas então veremos face a face.

É só o amor, é só o amor;

Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse a língua dos homens

e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada

seria.

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Q2759874 Português

Assinale a alternativa cuja figura de linguagem não foi classificada corretamente:

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Q2759866 Português

O Bicho

Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993.

No poema, a analogia feita ao homem parte da sua condição de pobreza, sendo o tratamento que lhe é dado semelhante ao de um animal. A figura de linguagem que melhor define essa analogia é:

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Q2758311 Português

Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.


Saúde e bem-estar dependem de relações íntimas de qualidade


Por Amanda Mont'Alvão Veloso


  1. asdTer dinheiro ou fama comumente é associado .... conquista de felicidade, e tais desejos já
  2. foram apontados como o objetivo de vida mais importante de norte-americanos nascidos nos
  3. anos 1980 e 1990. A dedicação e esforço no trabalho seriam o caminho para se _______ mais resultados.
  4. Mas uma pesquisa realizada durante 75 anos nos Estados Unidos mostrou que os ingredientes
  5. fundamentais para uma vida saudável e cheia de bem-estar são relações íntimas e de qualidade
  6. com a família, com os amigos e com a comunidade.
  7. asdAs conclusões do Estudo do Desenvolvimento Adulto, promovido pela Universidade de
  8. Harvard, foram abordadas por seu diretor, o psiquiatra e psicanalista americano Robert Waldinger,
  9. em uma conferência no TED 2015. “E se pudéssemos observar uma vida inteira à medida que ela
  10. decorre no tempo? E se pudéssemos estudar as pessoas desde a altura em que eram adolescentes
  11. até chegarem .... velhice para vermos o que mantém as pessoas felizes e saudáveis?”. Durante 75
  12. anos, a pesquisa acompanhou a vida de 724 homens, ano após ano, abordando o trabalho, a vida
  13. doméstica e a saúde, além de realizar exames médicos. Cerca de 60% dos pesquisados, a maioria
  14. já com 90 anos, ainda estão vivos e participam no estudo. Há cerca de 10 anos, o estudo passou a
  15. integrar também as esposas desses homens.
  16. asdO próximo passo, segundo Waldinger, é estudar os mais de 2000 filhos dos homens
  17. pesquisados. A população pesquisada foi dividida em dois grupos desde o começo, em 1938. No
  18. primeiro, homens que estudaram em Harvard e que, em sua maioria, lutaram na Segunda Guerra
  19. Mundial. Já o segundo era composto por adolescentes dos bairros mais pobres de Boston, vindos
  20. de algumas das famílias mais problemáticas e mais desfavorecidas da região. Os destinos desses
  21. homens foram variados: se tornaram operários fabris e advogados, assentadores de tijolos e
  22. médicos, e um deles foi presidente dos EUA.
  23. asdOs 75 anos de acompanhamento mostraram .... Waldinger três lições, e nenhuma delas diz
  24. respeito a riqueza, fama, ou a trabalhar cada vez mais. A primeira delas é que as relações sociais
  25. são boas para nós, e a solidão mata: “As pessoas que têm mais ligações sociais com a família, com
  26. amigos e com a comunidade são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais tempo do
  27. que as pessoas que têm menos relações. A experiência da solidão acaba por ser __________. As
  28. pessoas que são mais isoladas do que gostariam descobrem que são menos felizes, a sua saúde
  29. piora mais depressa na meia idade, o seu funcionamento cerebral diminui mais cedo e vivem menos
  30. tempo do que as pessoas que não se sentem sozinhas.”
  31. asdA segunda lição mostrou que o que importa é a qualidade de nossas relações íntimas: "Viver
  32. no meio de conflitos é muito prejudicial para a saúde. Os casamentos altamente conflituosos, por
  33. exemplo, sem grande _________, revelam-se muito maus para a saúde, pior talvez do que um
  34. divórcio. Viver no meio de relações boas, calorosas, é protetor.” O estudo mostrou que o grau de
  35. satisfação que os homens sentiam nas suas relações foi decisivo para um envelhecimento mais feliz
  36. e saudável. “As pessoas que se sentiam mais satisfeitas com as suas relações, aos 50 anos, foram
  37. as mais felizes aos 80 anos”. “Os nossos homens e mulheres mais felizes disseram, aos 80 anos,
  38. que nos dias em que tinham mais dores físicas a sua disposição continuava feliz. Mas .... pessoas
  39. que tinham relações infelizes, nos dias em que tinham mais dores físicas, elas eram reforçadas pelo
  40. sofrimento emocional”.
  41. asdA terceira e última lição é que as boas relações protegem não só o corpo, como também o
  42. cérebro: “Uma relação bem estabelecida com outra pessoa, aos 80 anos, é protetora. As pessoas
  43. que têm relações em que sentem que podem contar com outra pessoa em alturas de necessidade
  44. mantêm uma memória mais viva durante mais tempo. As pessoas com relações em que sentem
  45. que não podem contar com o outro são as que experimentam um declínio de memória mais precoce.
  46. As boas relações não têm que ser sempre fáceis. Alguns dos nossos octogenários podem discutir
  47. dia sim, dia não. Mas enquanto sentirem que podem contar um com o outro, quando as coisas
  48. aquecem, essas discussões não se fixam na memória.”
  49. asdPelas lições aprendidas, a tal felicidade parece fácil, não? Waldinger tem uma resposta para
  50. isso: somos seres humanos e lidar com a família e com os amigos é algo complicado, que dura a
  51. vida toda. “O que gostaríamos mesmo é de uma receita rápida, qualquer coisa que possamos
  52. arranjar que nos dê uma via boa e a mantenha dessa forma. As relações são conturbadas e
  53. complicadas.”
  54. asdPara se apoiar em boas relações, ele sugere atitudes cotidianas e acessíveis, como substituir
  55. a TV por tempo com as pessoas, fazer passeios, animar uma relação amorosa adormecida e falar
  56. com algum familiar com quem não se fala há anos. “Essas contendas familiares têm um efeito
  57. terrível na pessoa que guarda rancores”.


Texto adaptado para esta prova: http://super.abril.com.br/comportamento/saude-e-bem-estar-dependem-de-relacoes-

intimas-de-qualidade

Na frase ‘As pessoas que têm mais ligações sociais com a família, com amigos e com a comunidade são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais tempo do que as pessoas que têm menos relações’ (l. 25-27), qual a figura de linguagem que está sendo empregada?

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Q2757028 Português

Leia o texto 2 para responder às questões de 06 a 10.

Texto 2

Arqueologia Machadiana do Rio de Janeiro

Toda grande cidade tem seu cronista por excelência, aquele que melhor a define e caracteriza,

de forma explícita ou não. Londres, por exemplo, teve em Charles Dickens seu mais perfeito

tradutor, o homem que soube da maneira mais incisiva desvendar cada mistério de suas ruas e

bairros. O mesmo pode ser creditado a Kafka com Praga, Fernando Pessoa com Lisboa e

05 Joyce com Dublin. Esses autores não descreveram uma cidade idealizada ou maquiada, mas

sim as mostravam como de fato eram, ao mesmo tempo belas e ásperas, quase que um

personagem a mais em suas obras. Essa persona de concreto e asfalto, o pano de fundo de

uma ou de várias obras que vai aos poucos ficando cada vez mais denso até se inserir

substantivamente em um romance, pode também ser o Rio de Janeiro que Machado de Assis

10 tão bem conheceu. É nas obras do criador de Brás Cubas que um Rio fin-de-siècle melhor se

descortina e é melhor caracterizado. Poucos usaram e abusaram da Cidade Maravilhosa como

Machado, fazendo seus personagens se inserirem de tal forma à paisagem que cada um de

seus livros bem poderia servir de um guia para um Rio que, para muitos, infelizmente não

existe mais. Mas se essa cidade ficou no passado, o guia para ela pode ser encontrado na

15 forma de Rio de Assis (Editora Casa da Palavra), uma interessante viagem até a grande

metrópole brasileira do século XIX concebida pela designer Aline Carrer e um dos mais belos

lançamentos do ano passado.

[...]

ROLLEMBERG, Marcello. Arqueologia machadiana do Rio de Janeiro. Revista Cult. São Paulo: Editora Bregantini, ago. 2000, p. 21- 23.

Figuras de linguagem – por meio dos mais diferentes mecanismos – ampliam o significado de palavras e expressões, conferindo novos sentidos ao texto em que são usadas. É muito importante saber identificar as diversas figuras de linguagem, pois desta forma é possível interpretar melhor os diferentes tipos de textos.


A denominada figura de linguagem referente ao termo “[...] Rio de Assis [...]” (linha 15) é

Alternativas
Q2754706 Português

Em: “Estou morando na terra da garoa.”, a figura de linguagem existente na frase é:

Alternativas
Q2754704 Português

A figura de linguagem que se explicita em " Estou morta de cansada. " é conhecida como :

Alternativas
Ano: 2016 Banca: FUNEC Órgão: FUNEC - MG Prova: FUNEC - 2016 - FUNEC - MG - Pedagogo |
Q2754640 Português

TEXTO II

A árvore e a árvore

Por vezes, caminhando pelas ruas da cidade, tenho a impressão de que as árvores conversam entre si. O diálogo das árvores nem sempre é ouvido pelos ouvidos, por causa do bulício das ruas, do rumor dos veículos e da zoeira das pessoas. E de madrugada, quando os últimos bêbados se recolhem trôpegos fugindo da aurora, e a brisa matinal leva o sono do rosto das operárias que marcham em direção às fábricas; é nesse momento fluido e tênue que pode ser captado o sussurro das árvores, em meio aos pipilos dos pardais alvoroçados.

E lá estavam as duas árvores a conversar:

— Bom dia, dona Magnólia!

— Bom dia, dona Cássia!

— Dormiu bem?

— Mais ou menos. Esta noite o bem-te-vi, meu inquilino, cismou de acordar e ficou discutindo com a bem- te-vi, no meu galho lá em cima.

— Não diga! Discutindo o quê?

— O papo de sempre, ora essa. Estavam reclamando do custo de vida.

— Ué, mas passarinho também tem esse problema? Pensei que essa preocupação fosse apenas manha dos empregados da Prefeitura que vêm cortar nossa copa todos os anos.

— Qual nada! Passarinho voa azucrinado. A própria bem-te-vi se lastima de que o galho onde eles moram quase não tem folhas; de noite ela molha a cabecinha no sereno. Ficou resfriada, a pobrezinha.

— Então por que eles não se mudam?

— Mudar para onde?

— Ali adiante há um ipê-amarelo com vagas para passarinhos.

— Pois sim. A senhora não viu a placa no tronco? Só há um galhinho vago, muito do mixuruco, e mesmo assim só se aceitam casais de passarinhos sem filhotes.

— Sem filhotes?

— Sem filhotes.

— Mas isso é um absurdo!

— Concordo, mas vai- se fazer o quê? Se até casas de tijolo são alugadas apenas para casais sem filhos. Fazem isso com as pessoas, vão ter consideração para com passarinho?

— Escute, e ali na quaresmeira do outro quarteirão?

— Ah, lá o aluguel é caríssimo. Só mora sabiá-de-papo-amarelo e periquito verde.

— Cruz-credo! — Falou bem. Está tudo pela hora da morte pros passarinhos.

— Mas ouvi dizer que alguns têm boa mordomia...

— Ah, os canários-da-terra... Grande vantagem! Têm alpiste importado, ovo cozido, verdurinha fresca todos os dias, mas, em compensação, vivem presos na gaiola.

— Perderam a liberdade.

— Desaprenderam até de voar!

— Não é à toa que o bairro está cheio de chupim.

— Claro, dona Magnólia. Chupim sempre se ajeita. Quem manda tico- tico ser bobo?

— Reparou que ninguém acaba com chupim? Eles estão em tucum, paineira, sibipiruna.

— Tem chupim até no pau-ferro.

— Se adaptam a qualquer lugar. Bichinho aproveitador está ali. Sabe quando vão acabar com os chupins aqui na zona? .

— Quando, dona Magnólia?

— Dia de São Nunca. E enquanto isso, os bem-te- vis que se danem.

— Ainda mais agora, com o aumento dos impostos.

— Vai ser um horror.

— Horror mesmo.

— Não sei como eles não se revoltam.

— Revoltam nada. Bem-te-vi só sabe dizer: "Bem te vi! Bem te vi!". Viu, e daí? Que adianta ver? As árvores também vêem cada uma, mas não adianta reclamar.

— Houve o caso daquela andorinha, está esquecendo?

— A tolinha. Só porque morava em beiral, achava que podia modificar a situação. Uma andorinha só não muda coisa alguma. Bastou chegar aqui o tucano, deitou falação, disse que fazia e aprontava, tudo se amoitou.

— Aquele tucano foi demais. Verde-amarelo, e bom de bico!

— É, dona Magnólia, mas qualquer dia a árvore cai, não cai?

— Sei lá. Ainda bem que a Prefeitura vai mandar plantar mais cem mil árvores na cidade. Só assim para resolver o problema da moradia dos passarinhos.

— Tomara mesmo. Avise o bem-te-vi para ele aguentar a barra mais um pouco. Quem sabe, um dia, a bem-te-vi possa botar os ovinhos em paz.

— Deus a ouça, dona Cássia.

— Amém, dona Magnólia...

(DIAFÉRIA.Lourenço.Em A morte sem colete. 4a ed. São Paulo:

Moderna, 1983.)

Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a:

Alternativas
Q2752742 Português

Leia o texto 1 para responder às questões de 01 a 05.


Texto 1


As tarefas da educação

Rubem Alves

colunista da Folha de S.Paulo


____ Resumindo: são duas, apenas duas, as tarefas da educação. Como acho que as

explicações conceituais são difíceis de aprender e fáceis de esquecer, eu

caminho sempre pelo caminho dos poetas, que é o caminho das imagens. Uma boa imagem é inesquecível. Assim,

em vez explicar o que disse, vou mostrar o que disse por meio de uma imagem.

5____ O corpo carrega duas caixas. Na mão direita, mão da destreza e do trabalho, ele leva

uma caixa de ferramentas. E na mão esquerda, mão do coração, ele leva uma caixa de

brinquedos. Ferramentas são melhorias do corpo. Os animais não precisam de ferramentas

porque seus corpos já são ferramentas. Eles lhes dão tudo aquilo de que necessitam para

sobreviver.

10____ Como são desajeitados os seres humanos quando comparados com os animais! Veja,

por exemplo, os macacos. Sem nenhum treinamento especial eles tirariam medalhas de ouro na

ginástica olímpica. E os saltos das pulgas e dos gafanhotos!

____ Já prestou atenção na velocidade das formigas? Mais velozes a pé, proporcionalmente,

que os bólidos de F-1! O voo dos urubus, os buracos dos tatus, as teias das aranhas, as

15 conchas dos moluscos, a língua saltadora dos sapos, o veneno das taturanas, os dentes dos

castores.

____ Nossa inteligência se desenvolveu para compensar nossa incompetência corporal.

Inventou melhorias para o corpo: porretes, pilões, facas, flechas, redes, barcos, jegues,

bicicletas, casas... Disse Marshall MacLuhan corretamente que todos os "meios" são extensões

20 do corpo. É isso que são as ferramentas, meios para viver. Ferramentas aumentam a nossa

força, nos dão poder. Sem ser dotado de força de corpo, pela inteligência o homem se

transformou no mais forte de todos os animais, o mais terrível, o maior criador, o mais

destruidor. O homem tem poder para transformar o mundo num paraíso ou num deserto.

____ A primeira tarefa de cada geração, dos pais, é passar aos filhos, como herança, a caixa

25 de ferramentas. Para que eles não tenham de começar da estaca zero. Para que eles não

precisem pensar soluções que já existem. Muitas ferramentas são objetos: sapatos, escovas,

facas, canetas, óculos, carros, computadores. Os pais apresentam tais ferramentas aos seus

filhos e lhes ensinam como devem ser usadas. Com o passar do tempo, muitas ferramentas,

muitos objetos e muitos de seus usos se tornam obsoletos. Quando isso acontece, eles são

30 retirados da caixa. São esquecidos por não terem mais uso. As meninas não têm de aprender a

torrar café numa panela de ferro, e os meninos não têm de aprender a usar arco-e-flecha para

encontrar o café da manhã. Somente os velhos ainda sabem apontar os lápis com um

canivete...

____ Outras ferramentas são puras habilidades. Andar, falar, construir. Uma habilidade

35 extraordinária que usamos o tempo todo, mas de que não temos consciência, é a capacidade

de construir, na cabeça, as realidades virtuais chamadas mapas. Para nos entendermos na

nossa casa, temos de ter mapas dos seus cômodos e mapas dos lugares onde as coisas estão

guardadas. Fazemos mapas da casa. Fazemos mapas da cidade, do mundo, do universo. Sem

mapas, seríamos seres perdidos, sem direção.

40____ A ciência é, ao mesmo tempo, uma enorme caixa de ferramentas e, mais importante

que suas ferramentas, um saber de como se fazem as ferramentas. O uso das ferramentas

científicas que já existem pode ser ensinado. Mas a arte de construir ferramentas novas, para

isso há de saber pensar. A arte de pensar é a ponte para o desconhecido. Assim, tão

importante quanto a aprendizagem do uso das ferramentas existentes — coisa que se pode

45 aprender mecanicamente — é a arte de construir ferramentas novas. Na caixa das ferramentas,

ao lado das ferramentas existentes, mas num compartimento separado, está a arte de pensar.

____ (Fico a pensar: o que as escolas ensinam? Elas ensinam as ferramentas existentes ou

a arte de pensar, chave para as ferramentas inexistentes? O problema: os processos de

avaliação sabem como testar o conhecimento das ferramentas. Mas que procedimentos adotar

50 para avaliar a arte de pensar?)

____ Assim, diante da caixa de ferramentas, o professor tem de se perguntar: "Isso que estou

ensinando é ferramenta para quê? De que forma pode ser usado? Em que aumenta a

competência dos meus alunos para cada um viver a sua vida?". Se não houver resposta, pode

estar certo de uma coisa: ferramenta não é.

55____ Mas há uma outra caixa, na mão esquerda, a mão do coração. Essa caixa está cheia de

coisas que não servem para nada. Inúteis. Lá estão um livro de poemas da Cecília Meireles, a

"Valsinha" de Chico Buarque, um cheiro de jasmim, um quadro de Monet, um vento no rosto,

uma sonata de Mozart, o riso de uma criança, um saco de bolas de gude... Coisas inúteis. E, no

entanto, elas nos fazem sorrir. E não é para isso que se educa? Para que nossos filhos saibam

sorrir? Na próxima vez, a gente abre a caixa dos brinquedos...


Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u855.shtm>. Acesso em: 10 mar. 2016. (Adaptado)

“A arte do pensar é a ponte para o desconhecido” (linha 43).


A palavra ponte constitui um exemplo de:

Alternativas
Q2752741 Português

Leia o texto 1 para responder às questões de 01 a 05.


Texto 1


As tarefas da educação

Rubem Alves

colunista da Folha de S.Paulo


____ Resumindo: são duas, apenas duas, as tarefas da educação. Como acho que as

explicações conceituais são difíceis de aprender e fáceis de esquecer, eu

caminho sempre pelo caminho dos poetas, que é o caminho das imagens. Uma boa imagem é inesquecível. Assim,

em vez explicar o que disse, vou mostrar o que disse por meio de uma imagem.

5____ O corpo carrega duas caixas. Na mão direita, mão da destreza e do trabalho, ele leva

uma caixa de ferramentas. E na mão esquerda, mão do coração, ele leva uma caixa de

brinquedos. Ferramentas são melhorias do corpo. Os animais não precisam de ferramentas

porque seus corpos já são ferramentas. Eles lhes dão tudo aquilo de que necessitam para

sobreviver.

10____ Como são desajeitados os seres humanos quando comparados com os animais! Veja,

por exemplo, os macacos. Sem nenhum treinamento especial eles tirariam medalhas de ouro na

ginástica olímpica. E os saltos das pulgas e dos gafanhotos!

____ Já prestou atenção na velocidade das formigas? Mais velozes a pé, proporcionalmente,

que os bólidos de F-1! O voo dos urubus, os buracos dos tatus, as teias das aranhas, as

15 conchas dos moluscos, a língua saltadora dos sapos, o veneno das taturanas, os dentes dos

castores.

____ Nossa inteligência se desenvolveu para compensar nossa incompetência corporal.

Inventou melhorias para o corpo: porretes, pilões, facas, flechas, redes, barcos, jegues,

bicicletas, casas... Disse Marshall MacLuhan corretamente que todos os "meios" são extensões

20 do corpo. É isso que são as ferramentas, meios para viver. Ferramentas aumentam a nossa

força, nos dão poder. Sem ser dotado de força de corpo, pela inteligência o homem se

transformou no mais forte de todos os animais, o mais terrível, o maior criador, o mais

destruidor. O homem tem poder para transformar o mundo num paraíso ou num deserto.

____ A primeira tarefa de cada geração, dos pais, é passar aos filhos, como herança, a caixa

25 de ferramentas. Para que eles não tenham de começar da estaca zero. Para que eles não

precisem pensar soluções que já existem. Muitas ferramentas são objetos: sapatos, escovas,

facas, canetas, óculos, carros, computadores. Os pais apresentam tais ferramentas aos seus

filhos e lhes ensinam como devem ser usadas. Com o passar do tempo, muitas ferramentas,

muitos objetos e muitos de seus usos se tornam obsoletos. Quando isso acontece, eles são

30 retirados da caixa. São esquecidos por não terem mais uso. As meninas não têm de aprender a

torrar café numa panela de ferro, e os meninos não têm de aprender a usar arco-e-flecha para

encontrar o café da manhã. Somente os velhos ainda sabem apontar os lápis com um

canivete...

____ Outras ferramentas são puras habilidades. Andar, falar, construir. Uma habilidade

35 extraordinária que usamos o tempo todo, mas de que não temos consciência, é a capacidade

de construir, na cabeça, as realidades virtuais chamadas mapas. Para nos entendermos na

nossa casa, temos de ter mapas dos seus cômodos e mapas dos lugares onde as coisas estão

guardadas. Fazemos mapas da casa. Fazemos mapas da cidade, do mundo, do universo. Sem

mapas, seríamos seres perdidos, sem direção.

40____ A ciência é, ao mesmo tempo, uma enorme caixa de ferramentas e, mais importante

que suas ferramentas, um saber de como se fazem as ferramentas. O uso das ferramentas

científicas que já existem pode ser ensinado. Mas a arte de construir ferramentas novas, para

isso há de saber pensar. A arte de pensar é a ponte para o desconhecido. Assim, tão

importante quanto a aprendizagem do uso das ferramentas existentes — coisa que se pode

45 aprender mecanicamente — é a arte de construir ferramentas novas. Na caixa das ferramentas,

ao lado das ferramentas existentes, mas num compartimento separado, está a arte de pensar.

____ (Fico a pensar: o que as escolas ensinam? Elas ensinam as ferramentas existentes ou

a arte de pensar, chave para as ferramentas inexistentes? O problema: os processos de

avaliação sabem como testar o conhecimento das ferramentas. Mas que procedimentos adotar

50 para avaliar a arte de pensar?)

____ Assim, diante da caixa de ferramentas, o professor tem de se perguntar: "Isso que estou

ensinando é ferramenta para quê? De que forma pode ser usado? Em que aumenta a

competência dos meus alunos para cada um viver a sua vida?". Se não houver resposta, pode

estar certo de uma coisa: ferramenta não é.

55____ Mas há uma outra caixa, na mão esquerda, a mão do coração. Essa caixa está cheia de

coisas que não servem para nada. Inúteis. Lá estão um livro de poemas da Cecília Meireles, a

"Valsinha" de Chico Buarque, um cheiro de jasmim, um quadro de Monet, um vento no rosto,

uma sonata de Mozart, o riso de uma criança, um saco de bolas de gude... Coisas inúteis. E, no

entanto, elas nos fazem sorrir. E não é para isso que se educa? Para que nossos filhos saibam

sorrir? Na próxima vez, a gente abre a caixa dos brinquedos...


Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u855.shtm>. Acesso em: 10 mar. 2016. (Adaptado)

O corpo carrega duas caixas. Na mão direita, mão da destreza e do trabalho, ele leva uma caixa de ferramentas (linhas 5-6).


No trecho em destaque, o autor utilizou como estratégia para a construção de seu enunciado a figura de linguagem

Alternativas
Q2751954 Português

Leia o seguinte fragmento:


É fato real: eu gosto de escrever palavras da mesma forma que gosto de ler textos. Isso é comum em várias pessoas de vários países do mundo. O hábito da leitura de textos deveria ser regra geral no mundo, pois existe uma multidão de pessoas que nunca tocaram num livro. Há muitos anos atrás conheci um general do exército que tinha uma filha que toda vez que via um livro abria um sorriso nos lábios, como se a leitura fosse seu habitat natural. Mas recentemente ela morreu logo depois de se casar com seu marido. Eu fui ao enterro para dar meus sentidos pêsames ao viúvo da falecida. Ele então me encarou de frente e eu pude ver labaredas de fogo saindo de seus olhos quando ele gritou alto: Vai....bem...! Depois disso saí pra fora e nunca mais compareci pessoalmente na casa dele.


Christian Gurtner em 03/09/08

Disponível em: http://www.escribacafe.com/


A partir do fragmento acima responda as questões 02 e 03.

As expressões “fato real, multidão de pessoas, habitat natural, há muitos anos atrás, encarou de frente, saí pra fora, comparecer pessoalmente” são classificadas numa figura de linguagem denominada:

Alternativas
Q2741523 Português

Instrução: As questões 11 a 20 referem-se ao texto abaixo.


  1. _____Todo mundo teve ao menos uma namorada esquisita,
  2. comigo não foi diferente. Beber é trivial, bebe-se por
  3. prazer, para comemorar, para esquecer, para suportar
  4. a vida, mas beber para ficar de ressaca nunca tinha
  5. visto. Essa era Stela, ela bebia em busca do lado escuro
  6. do porre. Acreditava que precisava desse terremoto
  7. orgânico para seu reequilíbrio espiritual.
  8. _____Sua ressaca era diferente, não como a nossa, tingida
  9. de culpa pelo excesso. A dela era almejada, portanto
  10. com propriedades metafísicas. Nem por isso passava
  11. menos mal, sofria muito, o desconforto era visível,
  12. pungente. Tomava coisas que poucos profissionais
  13. do copo se arriscariam, destilados das marcas mais
  14. diabo. Ou então era revés de um vinho da Serra com
  15. nome de Papa, algo que nem ao menos rolha tinha,
  16. era de tampinha. Bebida que, com sua qualidade,
  17. desonrava, simultaneamente, os vinhos e o pontífice.
  18. _____Não era masoquismo. Acompanhando suas
  19. peregrinações etílicas, cheguei a outra conclusão: ela
  20. realmente precisava daquilo. Stela inventara uma
  21. religião do Santo Daime particular, caseira, sabia que
  22. era preciso passar pelo inferno para vislumbrar o céu.
  23. Os porres eram uma provação cósmica, um ordálio
  24. voluntário, um encontro reverencial com o sagrado.
  25. _____Depois da devastação do pileque, ela ficava melhor.
  26. Uma lucidez calma a invadia, sua beleza readquiria os
  27. traços que a marcavam, seus olhos voltavam ao
  28. brilho que me encantara. Tinha mergulhado no poço
  29. da existência e reavaliado seus rumos. Durante dias a
  30. paz reinava entre nós e entre ela e o mundo.
  31. _____Mas bastava uma nova dúvida em sua vida, uma
  32. decisão a tomar, e ela requisitava mais um inferno para
  33. se repensar. A rotina era extenuante. Quem aguenta uma
  34. mulher que, em vez de falar sobre a vida, mergulha
  35. num porre xamânico? Mas o amor perdoa. Lá estava
  36. eu ajudando-a a levantar-se de mais uma triste
  37. manguaça. Fiquei expert em reidratar e reanimar mortos,
  38. em contornar enxaquecas siderais e em amparar dengues
  39. existenciais
  40. _____Amava Stela pela inusitada maneira de consultar o
  41. destino. Triste era o desencontro. Eu cansado por
  42. cuidá-la depois de uma noite mal dormida, servindo de
  43. enfermeiro, e ela radiante, prenha da energia que a
  44. purgação lhe rendera.
  45. _____Stela era irredutível no seu método terapêutico,
  46. dizia que só nesse estado se encontrava com o melhor
  47. de seu ser. Reiterava que era mais sábia durante o
  48. martírio. Insistia que, sóbria, em seu estado normal,
  49. sofria de um otimismo injustificado que lhe turvava a
  50. realidade. Seu lema era: “Só na ressaca enxergamos o
  51. mundo como ele é”.
  52. _____Um dia, sem muitas palavras, Stela foi embora.
  53. Alguma ressaca oracular deve ter lhe dito que eu não
  54. era bom para seu futuro. Não a culpo.


Adaptado de: CORSO, M. O valor da ressaca. Zero Hora, n. 18489,

02/04/2016. Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a5711255.xml&template=3916.dwt&edition=28691§ion=4572. Acessado em 02/04/2016.

Assinale a alternativa em que o trecho extraído do texto NÃO contém expressão com sentido metafórico.

Alternativas
Q2728836 Português

Leia o trecho da música “Exagerado” de Cazuza:


"Eu nunca mais vou respirar

Se você não me notar

Eu posso até morrer de fome

Se você não me amar."

Qual figura de linguagem é predominante nesse trecho?

Alternativas
Q2724177 Português

Quais são, respectivamente, a figura sintática e o fenômeno semântico que ocorrem na oração “As cobras não comem o milho, mas sim as galinhas.”?

Alternativas
Respostas
341: D
342: C
343: D
344: D
345: B
346: E
347: A
348: D
349: A
350: B
351: D
352: C
353: D
354: C
355: B
356: D
357: D
358: E
359: A
360: C