No parágrafo em que fala sobre a velhice, Martha Medeiros de...

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Q2718211 Português

Texto para as questões de 1 a 3:

A vida e as estações

Eu queria que a vida fosse dividida em quatro estágios, mas que não acabasse nunca.

A infância é como a primavera. É pura novidade e um calor que não sufoca nem faz pensar bobagens. Tem uma inocência quase cafona, uma singeleza clássica, e traz no íntimo a certeza de que pela frente vem coisa boa. A gente quer que passe logo, mas sabe que nunca mais será tão protegido, a mordomia não será eterna. É quando as coisas acontecem pela primeira vez, é quando num arbusto verde vemos surgir alguns vermelhos, é surpresa, a primeira de uma série.

A adolescência é como o verão. Quente, petulante, libidinosa.

Parece que não vai haver tempo para fazer tudo o que se quer e o que se teme. É musical e fotogênica. Dúvidas, dúvidas, dúvidas em frente ao mar. Mergulha-se no profundo e no raso. Pouca roupa, pouca bagagem. Curiosidade. Vontade que dure para sempre, certeza de que passa.

Noção do corpo. Festas e religião. Amor e fé.

A maturidade é como o outono. Um longo e instável outono,

que alterna dias quentes e frios, que nos emociona e nos gripa. Há mais beleza e o ar é mais seco, porém é quando se colhem os melhores abraços. Ficar sozinho passa a não ser tão aterrorizante. Fugimos para a praia, fugimos para a serra, as ideias aprendem a se movimentar, a fazer a mala rápido, a trocar de rota se o desejo se impuser, e não é preciso consultar o pai e a mãe antes de errar. É o outono que tentamos conservar.

O inverno é como a velhice. Tem sua beleza igualmente, exige lã, bolsa de água quente, termômetro e uma janela bem vedada. O que não queremos que entre? Maus presságios. O inverno é frio como despedida de um grande amor, mas sabemos que tudo voltará a ser ameno. Queremos que passe, temos medo que termine. Ficar sozinho volta a ser aterrorizante. O inverno é branco, é cinza, é prata. É grisalho. E, de repente, também passa.

Eu queria que tudo fosse verdade, que a vida fosse assim dividida em quatro estágios que mais parecem estações do ano, mas que não acabasse, que depois do inverno viesse outra primavera, e outro verão, e outro outono, que nunca são iguais, mas sempre se repetem, sempre voltam, são tão certos quanto o sol e a lua, todo dia, toda noite.

Eu queria.

Martha Medeiros

No parágrafo em que fala sobre a velhice, Martha Medeiros declara: “O inverno é como a velhice. (...) é frio como despedida de um grande amor (...). O inverno é branco, é cinza, é prata. É grisalho. E, de repente, também passa”.

Considerando esse contexto, é possível perceber que a autora suaviza as características da velhice no tom poético do inverno. Isso confirma que o parágrafo em questão é marcado por uma figura de linguagem, denominada:

Alternativas

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Tema central da questão: O foco é figura de linguagem, saber reconhecer como o texto utiliza recursos estilísticos para suavizar ideias, fundamental para a prática jornalística, que frequentemente necessita de sensibilidade textual e domínio formal do idioma.

Justificativa da alternativa correta – Eufemismo (B):

Eufemismo é uma figura de linguagem que, conforme Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), “consiste em suavizar uma expressão forte, desagradável ou chocante, tornando-a mais branda”. No texto, Martha Medeiros fala da velhice – um tema muitas vezes associado a perdas e limitações – utilizando comparações poéticas: “O inverno é branco, é cinza, é prata. É grisalho”. Todas essas imagens atenuam as possíveis durezas da velhice, tornando a passagem menos árida e mais sensível, típica do eufemismo.

Essa estratégia é clara quando a autora evita dizer diretamente algo negativo sobre a velhice, preferindo metáforas e cores suaves. O uso de “frio como despedida” e menções à beleza do inverno mostram o propósito de diminuir o impacto de termos duros, fazendo exatamente o que caracteriza o eufemismo.

Análise das alternativas incorretas:

  • Anáfora (A): É a repetição de palavras no início de frases ou versos (“O inverno é... O inverno é...”), o que não ocorre no trecho.
  • Personificação (C): Trata-se de atribuir características humanas a seres inanimados (“O vento sussurra”), o que não é o foco aqui, pois não há ação ou sentimento humanos dados ao inverno.
  • Anacoluto (D): Refere-se a uma quebra na ordem lógica da frase (“Eu, falando nisso, ontem...”), situação também ausente no texto.
  • Aliteração (E): É a repetição de sons consonantais para criar efeito sonoro (“O rato roeu”), o que não acontece no excerto destacado.

Estratégia para concursos: Sempre que o texto suavizar ou tornar mais delicada alguma situação desconfortável, pense em eufemismo. Atenção às palavras-chave e à escolha de imagens/cores que transformam sentidos negativos em composições mais amenizadas.

Portanto, segundo os principais gramáticos, a alternativa correta é a B) Eufemismo, pois é esse recurso que melhor explica o tom poético e suavizado usado para tratar da velhice.

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Comentários

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GABARITO: B

eufemismo é um recurso estilístico muito utilizado na linguagem coloquial bem como nos textos literários com o intuito de atenuar ou suavizar o sentido das palavras, substituindo assim, os termos contidos no discurso, embora o sentido essencial permanece.

eufemismo: usado para suavizar uma expressão.

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