Questões de Concurso
Comentadas sobre vícios da linguagem em português
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Leia os versos que encerram a peça teatral Édipo Rei, de Sófocles.
Contemplai, cidadão da pátria Tebas,
contemplai esse Édipo famoso,
habilidoso em decifrar enigmas,
que tinha em suas mãos força e poder,
rei invejado, próspero e feliz,
mas sobre o qual acaba de abater-se
furiosa tempestade de infortúnios.
Pelo que vedes, a nenhum mortal
que ainda espera o dia derradeiro considereis feliz,
antes que tenha atingido e transposto,
livre de qualquer desgraça,
o marco final da vida.
SÓFOCLES. Édipo Rei. Rio de Janeiro: BestBolso, 2016. p. 191). O termo "dia derradeiro" expressa
Assinale a alternativa cujo conteúdo apresenta corretamente a figura de linguagem utilizada no texto de Manuel Bandeira abaixo:
“Quando indesejada das gentes chegar
(não sei se dura ou coroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!”
Leia o trecho do texto a seguir e considerando as características da figura de linguagem o qual se desenvolve, assinale a alternativa cuja interpretação está CORRETA:
“E assim, quando mais tarde me procure / Quem sabe a morte, angústia de quem vive / Quem sabe a solidão, fim de quem ama / Eu possa me dizer do amor (que tive): / Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure.” Vinicius de Moraes
Assinale a alternativa em que a ordem dos termos da oração cuja ausência da vírgula ou de outro recurso provoca ambiguidade na percepção da mensagem.
O pensamento a seguir é de autoria do escritor brasileiro Rubem Alves. Analise-o atentamente para responder às próximas questões.
“Somos donos dos nossos atos mas não donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos mas não pelo que sentimos. Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos. Atos são pássaros engaiolados. Sentimentos são pássaros em voo”.
Na parte final do parágrafo, Rubem Alves afirma que “atos são pássaros engaiolados”. Assinale a alternativa que contém o termo que dá origem à palavra “engaiolados”.
O pensamento a seguir é de autoria do escritor brasileiro Rubem Alves. Analise-o atentamente para responder às próximas questões.
“Somos donos dos nossos atos mas não donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos mas não pelo que sentimos. Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos. Atos são pássaros engaiolados. Sentimentos são pássaros em voo”.
Rubem Alves afirma categoricamente que “somos donos dos nossos atos”. Marque a alternativa que NÃO indica um possível sinônimo de “atos”.
Para responder as questões 4 e 5 leia a música a seguir:
Certas coisas
(Lulu Santos)
Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim
Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração
Silenciosamente eu te falo com paixão
Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer
Silenciosamente…
No texto acima, fragmento da música de Lulu Santos, prevalece uma figura de linguagem, sendo que a mesma tem a classificação como figura de pensamento.
Assinale a alternativa correspondente a essa figura:
Considere a seguinte reflexão, escrita pelo poeta Mário Quintana, para responder às questões a seguir.
“Pedem-me que eu fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros? Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese”. (Com adaptações).
No trecho em que afirma “estou com 78 anos, mas sem idade”, Mário Quintana emprega uma figura de linguagem. Essa figura é:
Sobre figuras de linguagem, analise os fragmentos de textos:
I. “Cantigas de portugueses
São como barcos no mar –
Vão de uma alma para outra
Com riscos de naufragar.” (Fernando Pessoa)
II. “Como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena.” (Ferreira Gullar)
III. “Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
E frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
De mãos dadas com a água.” (Eugênio de Andrade)
IV. “Um beijo fala mais que mil palavras
Um toque é bem mais que poesia
No seu olhar enxergo a sua alma
Sua fala é uma linda melodia”. (Luan Santana)
Na ordem de cima para baixo, a classificação correta das figuras de linguagem relacionadas é a seguinte:
Numere a coluna B pela coluna A observando as figuras de linguagem.
COLUNA A
I. Catacrese.
II. Hipérbole.
III. Eufemismo.
IV. Metonímia.
COLUNA B
( ) O Brasil elegeu um novo presidente.
( ) Cada família deve ter sua árvore genealógica.
( ) Você faltou à verdade.
( ) Todo mundo gosta de você.
Marque a opção que apresenta a sequência CORRETA.
Observe a oração: “Eu não gosto de maçã, nem de melancia, nem de abacaxi, nem de ameixa”. A figura de linguagem que caracteriza o uso repetitivo de conjunções é conhecida como:
Embora contradiga as regras sintáticas, algumas gramáticas permitem casos especiais de concordância verbal, na qual o verbo concordará com a ideia expressa no sujeito, ou seja, uma concordância semântica. No período “Um grupo invadiu a loja e roubaram todos os produtos”, é possível que o verbo apareça na forma plural devido ao fato de que um grupo representa mais de uma pessoa. Nesse caso, para que a concordância seja possível, ocorre uma figura de linguagem conhecida como ____________ de número.
Planeta água
Água que nasce na fonte serena no mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua
Na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu das cascatas,
Ronco de trovão
E depois dormem tranquilas no leito dos lagos,
No leito dos lagos
Águas dos igarapés, onde Iara, a mãe d´água
É misteriosa canção
Água que evapora, pro céu vai embora,
Virar nuvem de algodão
Gotas de água da chuva, alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão triste, são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que
Encharcam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra,
Pro fundo da terra
Terra, planeta água....
Guilherme Arantes
Assinale a figura de linguagem existente em Ronco de trovão
"Já estou cheio de me sentir vazio." (Renato Russo)
Na frase acima a figura de linguagem é:
Na frase: O jovem quebrou o braço da cadeira, qual a figura de linguagem está presente
É uma espécie de “metáfora desgastada”, pois apresenta uma palavra que perdeu seu sentido original:
O mistério das coisas
O mistério das coisas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio e que sabe a árvore
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as coisas e penso no que os homens
pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as coisas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —
As coisas não têm significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas.
(Fernando Pessoa. O guardador de rebanhos. In: Poemas de Alberto Caeiro)
Sobre o texto de Fernando Pessoa:
I. Nas três estrofes, a função da linguagem predominante é a referencial.
II. Na primeira estrofe, registra-se a presença da figura Prosopopeia no verso “Que sabe o rio e que sabe a árvore”.
III. Na segunda estrofe, as expressões “todas as estranhezas”, “todos os poetas” e “todos os filósofos” marcam o destaque da figura Hipérbole.
IV. Na terceira estrofe, a repetição da palavra “coisa” configura um empobrecimento da linguagem, ocasionando um pleonasmo vicioso.
Analisadas as assertivas acima, pode-se afirmar que:

Observando o aviso acima, é possível constatar duas ocorrências linguísticas (uma ligada à transgressão gramatical e outra ligada à semântica). Essas ocorrências são respectivamente de: