Questões de Concurso Sobre variação linguística em português

Foram encontradas 1.556 questões

Q1788109 Português
Leia o TEXTO, que narra o diálogo entre Dante e Virgílio, e responda à questão.
TEXTO 
Divina Comédia - Canto III  
Dante Alighieri  
  POR MIM SE VAI À CIDADE DOLENTE,
  POR MIM SE VAI À ETERNA DOR,
  POR MIM SE VAI À PERDIDA GENTE.
  JUSTIÇA MOVEU O MEU ALTO CRIADOR,
  QUE ME FEZ COM O DIVINO PODER,
  O SABER SUPREMO E O PRIMEIRO AMOR.
  ANTES DE MIM COISA ALGUMA FOI CRIADA
  EXCETO COISAS ETERNAS, E ETERNA EU DURO.
  DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS! 
 Estas palavras estavam inscritas em tom escuro no alto de um portal. Eu, assustado, confidenciei ao meu guia:
 - Mestre, estas palavras são muito duras.
 - Não tenhas medo, respondeu Virgílio, experiente, mas não sejas fraco. Aqui chegamos ao lugar, do qual antes te falei, onde encontraríamos as almas sofredoras que já perderam seu poder de arbítrio. Não temas, pois tu não és uma delas, tu ainda vives.
  Em seguida, Virgílio segurou minha mão, sorriu para me dar confiança, e me guiou na direção daquele sinistro portal.
  Logo que entrei ouvi gritos terríveis, suspiros e prantos que ecoavam pela escuridão sem estrelas. Os lamentos eram tão intensos que não me contive e chorei. Gritos de mágoa, brigas, queixas iradas em diversas línguas formavam um tumulto que tinha o som de uma ventania. Eu, com a cabeça já tomada de horror, perguntei:
  - Mestre, quem são essas pessoas que sofrem tanto?
  - Este é o destino daquelas almas que não procuraram fazer o bem divino, mas também não buscaram fazer o mal. - me respondeu o mestre. - Se misturam com aquele coro de anjos que não foram nem fiéis nem infiéis ao seu Deus. Tanto o céu quanto o inferno os rejeitam.
  - Mestre - continuei -, a que pena tão terrível estão esses coitados submetidos para que lamentem tanto?
 - Te direi em poucas palavras. Estes espíritos não têm esperança de morte nem de salvação. O mundo não se lembrará deles, a misericórdia e a justiça os ignoram. Deixe-os. Só olha, e passa.
  [...]
  Chegava um barco dirigido por um velho pálido, branco e de pêlos antigos. Ele gritava:
  - Almas ruins, vim vos buscar para o castigo eterno! Abandonai toda a esperança de ver o céu outra vez, pois vou levar-vos às trevas eternas, ao fogo e ao gelo!
  Quando ele me viu, gritou:
  - E tu, alma vivente, te afasta desse meio pois aqui só vem morto! - Vendo que eu não me mexia, mais calmo, falou - Tu deves seguir para outro porto, onde um outro barco, maior, te dará transporte.
  - Caronte, te irritas em vão! - intercedeu o mestre - Lá, onde se pode o que se quer, isto se quer, e não peças mais nada!
  [...]  
A Divina Comédia. Tradução: Helder da Rocha. (adaptado).
(Disponível em: https://www.stelle.com.br/pt/inferno/inferno.html)
É correto afirmar que o TEXTO apresenta, predominantemente, linguagem
Alternativas
Q1787871 Português


VERÍSSIMO, L. F. In OLIVEIRA, J. et alii. Análise estilística do texto “Gigolô das Palavras”, de Luís Fernando Veríssimo. Soletras, ano VII, n. 14. São Gonçalo: UERJ, jul/dez 2007, p. 94-95.

A asserção feita por Luís Fernando Veríssimo sobre seu desempenho nas aulas de língua portuguesa – “Sempre fui péssimo em Português” (l. 17) – pode ter sua base no conflito que “está justamente no embate entre a norma padrão – idealizada e de tradição lusitanizante – pretendida como objeto de ensino pela maioria de professores de LP, a norma culta – forma de realização da norma padrão usada pelos falantes sociolingüisticamente cultos, utilizada por alguns professores de LP, e as normas vernáculas – o português popular (ou nãopadrão) brasileiro – usadas amplamente no Brasil, embora extremamente estigmatizadas” (ALMEIDA e ZAVAM, 2004)*; dado tal conflito, o aluno, no contexto escolar, vê-se exposto a uma situação em que:
Alternativas
Q1787870 Português


VERÍSSIMO, L. F. In OLIVEIRA, J. et alii. Análise estilística do texto “Gigolô das Palavras”, de Luís Fernando Veríssimo. Soletras, ano VII, n. 14. São Gonçalo: UERJ, jul/dez 2007, p. 94-95.

O autor utiliza termos como “necrólogos” (l. 10), “deferência” (l. 28), usa os pronomes átonos de forma enclítica, “roubá-las” (l. 24), “tratando-as” (l. 28), emprega adjetivos no superlativo absoluto sintético, “faladíssimas” e “baixíssimo” (l. 25), e tais recursos dificilmente se compatibilizam com o nível linguístico dos alunos, exemplificando uma situação em que se observa a interferência da variação:
Alternativas
Q1784185 Português
TEXTO I  

Noel Rosa

     Compositor de música popular, Noel Rosa deixou vasta obra. Em suas melodias e letras, combinou lirismo e sarcasmo, muitas vezes proporcionando um autêntico retrato da vida carioca.  
    Noel de Medeiros Rosa nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 11 de dezembro de 1910. De família pobre, completou o ginásio e tentou a medicina, mas logo optou pela boemia talentosa do bairro de Vila Isabel, que se tornou o reduto do samba urbano cultivado pela classe média. Em 1929, ingressou no conjunto Flor do Tempo - mais tarde Bando de Tangarás - como violonista e cantor, ao lado de outros futuros astros como Almirante, João de Barro, Alvinho e Henrique Brito. Em 1932, Noel iniciou suas atuações na emissora Rádio Philips. Logo gravou discos de sucesso, com composições de grande riqueza melódica, verdadeiras crônicas de um poeta agridoce
     O compositor produziu muito, sozinho ou em parceria com músicos célebres como Vadico, João de Barro, Ismael Silva, Kid Pepe e Lamartine Babo. Num estilo interpretativo marcado pela simplicidade, enfocou as contradições da vida. [...] A discografia de Noel Rosa, nos gêneros mais variados, abrange gravações antológicas do próprio autor e de intérpretes antigos e novos. 
   A crítica autorizada aponta o compositor como personalidade marcante na evolução do samba como gênero musical do cancioneiro brasileiro. Noel Rosa morreu em 4 de maio de 1937, aos 26 anos, na mesma casa em que nascera, na Rua Teodoro da Silva 130, Rio de Janeiro.  

ROSA, NOEL. Nova Enciclopédia Barsa, Enciclopédia Britânica, vol. 12, 1994. Encyclopedia Britannica do Brasil Publicações LTDA. Rio de Janeiro - São Paulo. 


TEXTO II  

A DAMA DO CABARÉ
Noel Rosa 

Foi num cabaré* da Lapa
Que eu conheci você
Fumando cigarro,
Entornando champanhe no seu soirée
Dançamos um samba,
Trocamos um tango por uma palestra
Só saímos de lá meia hora
Depois de descer a orquestra
Em frente à porta um bom carro nos esperava
Mas você se despediu e foi pra casa a pé
No outro dia lá nos Arcos eu andava
À procura da Dama do Cabaré*
Eu não sei bem se chorei no momento em que lia
A carta que recebi, não me lembro de quem
Você nela me dizia que quem é da boemia
Usa e abusa da diplomacia
Mas não gosta de ninguém.  
(Disponível em https://www.letras.mus.br/noel-rosa-musicas/1285543/.

 ( * ) “cabaré”, na época da escrita d Noel Rosa, queria dizer apenas “casa de show”.


Pode-se dizer que o TEXTO II apresenta, predominantemente, linguagem
Alternativas
Q1767455 Português
Para responder à questão desta prova, considere o texto abaixo.

Das vezes em que fomos embora
Ana Clara Dantas
Fui embora poucas vezes na vida. A mais dramática foi mesmo quando saí de casa. Não houve briga ou desentendimento. Eu apenas senti que não cabia mais numa cidade pequena. Vim de Caicó para Natal, onde ainda estou e não tenho vontade de sair. Geograficamente falando, minha maior partida. Pessoalmente, o encontro com o meu lugar no mundo.
Hoje estou mais sujeita a partidas alheias. Amigos que vão pro Rio, São Paulo, Santa Catarina, Japão. E, a cada ida, a cidade fica maior, pois o que é físico torna-se coisa de poeta: saudade. E, pra quem não sabe versar sobre ela, resta uma lágrima envergonhada.
Penso que ir embora é ter certeza de que pessoas, sentimentos e até objetos ocupam espaço. Porque até você sair de vez, seja de onde for, tudo é banal. Um almoço com os pais, uma saída com os amigos e a saudade besta do que se tem ao alcance. Depois, é saber que nada disso cabe na mala ou num feriadão.
Sorte que a gente se espalha e a vida cuida de preencher os espaços. Já nem sei o quanto de vida cabe em um dia, em um mês, e neste ano que tanto nos tirou. Nos arrancou convívio, saúde, dinheiro, sossego, gente. E nos devolveu tudo em espanto a cada reencontro encabulado. Vejo o que o tempo fez em cada um desde que fomos embora, saímos, deixamos alguém. Estamos mesmo correndo.
Meio quilo de palavras ditas aos que me fazem tanta falta é tudo o que preciso. Quem dera elas viessem assim, no peso. Ou sob encomenda. Talvez até por aplicativo. No entanto, as palavras fogem. Pior, se amontoam e nada falam a ninguém, apesar do barulho. Limito-me a dizer, então, que tenho saudades imensas.
E saudades precisam ser ditas. Mais, precisam ser ouvidas. E isso há de caber até na bagagem de mão.

Disponível em: https://www.saibamais.jor.br/das-vezes-em-que-fomos-embora/. Acesso em: 3 mar. 2021. [Adaptado] 
Para responder à questão, considere o parágrafo transcrito abaixo.
Hoje estou mais sujeita a partidas alheias. Amigos que vão pro Rio, São Paulo, Santa Catarina, Japão. E, a cada ida, a cidade fica maior, pois o que é físico torna-se coisa de poeta: saudade. E pra quem não sabe versar sobre ela, resta uma lágrima envergonhada.
Algumas escolhas lexicais efetuadas no parágrafo evidenciam traços de uma variante linguística
Alternativas
Q1764622 Português



Internet: <http://bichinhosdejardim.com>.

No primeiro quadrinho, emprega-se o verbo “ter” com o sentido de
Alternativas
Ano: 2021 Banca: OMNI Órgão: Conderg - SP Prova: OMNI - 2021 - Conderg - SP - Escriturário |
Q1763579 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Após ser rejeitado pelos irmãos, filhote de macaco passa dia com bichos de pelúcia em zoo e noite na casa de veterinária em SC


Bebê necessita de cuidados intensos 24 horas. Ações em ambientes reservados servem para simular cuidados maternos e garantir sobrevivência do animal.


Por Carolina Fernandes e Dagmara Spautz, G1 - SC e NSC

09/06/2021


Um filhote de macaco-caranguejeiro está sob os cuidados de uma veterinária na sua casa durante a noite após ser rejeitado pela família no zoológico de Balneário Camboriú, no Litoral Norte catarinense.

Já durante o dia, no zoológico, Iuri, como foi apelidado pelos cuidadores, é mantido reservado em local com bichos de pelúcia, cobertores, leite especial e mamadeiras.

Desde que nasceu, em fevereiro, Iuri não foi bem recebido pelos irmãos e a convivência familiar ficou perigosa.

Por isso, a equipe responsável optou por isolá-lo, mas em razão dos cuidados intensos necessários, o grupo decidiu que Iuri passaria um período na residência da veterinária, Samara de Oliveira Freitas.

Segundo a bióloga responsável pela equipe, Marcia Regina Gonçalves Achutti, ele vem se desenvolvendo com saúde. Enquanto isso, a veterinária Samara de Oliveira Freitas cuida dele em casa durante à noite.

(...)

A veterinária explica que o animal ainda mantém contato com os seus semelhantes e não fica totalmente isolado. Segundo ela, assim que o bebê se adaptar à alimentação sólida, a reaproximação com os pais e os irmãos será feita.

"Esse é um processo cheio de etapas e cuidados. Nos próximos meses será feita a adaptação de alimentação mais sólida e semelhante à dos adultos. A gente tem que fazer a reintrodução aos poucos para ele e para o grupo aceitar ele. Mas sempre avaliando os possíveis risco que ele possa sofrer", conclui Samara.

(...)


https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2021/06/09/apos-ser-rejeitado-pelos-irmaos-filhote-de-macaco-passa-dia-com-bichos-de-pelucias-em-zoo-e-noite-na-ca sa-de-veterinaria-em-sc.ghtml (Acesso em 09/06/2021 - Adaptado) 

O uso da variante culta da língua, sem ocorrência de transgressão, predomina ao longo de todo o texto, o que reforça o estilo da escrita formal no campo da notícia jornalística.
O trecho que exemplifica ocorrência de linguagem informal nesse texto é:
Alternativas
Q1758346 Português

É preciso diálogo


Sem_título1.png (705×94)

Avalie as proposições, abaixo, e coloque (V) para verdadeiro e (F) para falso, considerando que, no decorrer do texto, a expressão “Reconheço até que o chutar o balde faz parte do diálogo” (linha 4)


( ) compõe o repertório da variedade linguística, sendo reconhecido como uma expressão idiomática.

( ) constitui um jargão comumente utilizado por determinados grupos profissionais.

( ) integra o conjunto discursivo da variação de registro, apresentando marcas da linguagem popular.


A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses é:

Alternativas
Q1739968 Português

Leia o texto a seguir, para responder à questão. 


No fundo, todos estamos nos transformando um

pouco em gatos


“Você acredita que os patos sabem que é Natal?” Essa foi a pergunta que meu amigo Miguel me fez em uma véspera de Ano Novo, enquanto atravessávamos o Campo de São Francisco, em Oviedo. Nem as horas nem o frio convidavam a ficar lá filosofando sobre o assunto, mas o debate continuou ao longo do caminho. Demos como certo que os peixes nos tanques certamente não; os patos e perus, talvez um pouco (tampouco muito); mas os que certamente estavam a par eram os cães e os gatos (não entramos na fauna selvagem, já que o trajeto era curto. Era Oviedo, não Nova York).


Anos depois, nós dois adotamos uma gata. Na quarta-feira de manhã eu lhe mandei uma mensagem perguntando se Lola, a dele, sabia que algo estava acontecendo (obviamente, falando da crise do coronavírus). “Sim, sim, sim, mais carinhosa que nunca, se for possível. Alucinada porque estamos o dia todo em casa”, foi sua resposta.


Mía e Atún — meus gatos — também estão surpresos. Na verdade, fui pegar as roupas da máquina de lavar e, quando saí, encontrei os dois me esperando no corredor, sentados juntos, olhando para mim com cara de “ei, por que você está passando o dia inteiro em casa? Tem algo a nos contar?” Normalmente, quando chego em casa, os dois vêm me encontrar e me fazem um pouco de festa (se deitam de barriga, se esfregam em mim). Estes dias se dedicam a me seguir pelo apartamento, como se suspeitassem de meus atos. E me fazem festa quando saio de casa para levar o lixo ou ir às compras, é claro. Percebo uma certa cara de insatisfação quando veem que volto em cinco minutos.


Há quem diga que quem, como eu, convive com animais e esteja um pouco fraco da cabeça lhes atribui capacidades humanas que eles não têm. Pode ser. Mas o fato é que percebem alguma coisa. Vamos ver, você não precisa ser um gênio para se dar conta de que seu dono está há trocentos dias sem sair de casa, de que na rua só se vê gente com cachorros (falaremos sobre isso mais tarde) ou que se pode ouvir perfeitamente os pássaros ou os sinos das igrejas. Não sei como é com vocês, mas, comigo, quando choro, Mía se aproxima e coloca sua cara contra a minha. Não sei se percebe ou o quê, mas as mudanças de humor chamam sua atenção.


Esses dias também estão servindo para conhecer melhor nossos animais de estimação. Os donos de gatos muitas vezes se perguntam o que eles fazem quando não estamos em casa. Eu já te digo: dormem, basicamente. Dormem de 12 a 16 horas por dia. Ou seja, são seres quase perfeitos para o isolamento. O que não sei é se, quando estou em casa, param de fazer as coisas que normalmente fazem. Nos últimos dias não os vi arranhar o sofá em nenhum momento. Talvez não queiram nos deixar rastros.


Eles também estão se dando melhor. Mía tem quatro anos e Atún, dez meses. Passam o dia às turras. Quando não é um, é o outro. Atún tem a energia da infância e Mía é diligentemente sinuosa para criar problemas: sempre faz Atún parecer culpado. Ultimamente as brigas são mais esporádicas. Até dormem juntos e limpam um ao outro.


Mas, cuidado, isso não quer dizer que vão se adaptar às novas circunstâncias. Atún me acorda todos os dias às 7h25, ou seja, cinco minutos antes do que o despertador normalmente faz. Dizia Jim Davis: “Os gatos sabem instintivamente a hora exata em que seus donos vão acordar, e eles os acordam dez minutos antes”. Atún me deixa esses cinco minutos de cortesia, mas, mesmo em confinamento, ainda continua sendo escrotamente gato.


Porque não deixam de ser gatos, é claro. Nos últimos dias comecei um jogo de xadrez virtual, mas real, com meu amigo Jaime. Isto é: o tabuleiro é físico, e enviamos fotos um ao outro com os movimentos de ambos, de tal forma que é necessário mover as brancas e as pretas (já deixo claro). Bem, agora minha casa é um xadrez. Uma torre no quarto, um peão no banheiro, o rei forçosamente sob cobertura atrás de uma planta e Mía, é claro, sentada no centro do tabuleiro, entre as pretas e as brancas. Xeque-Mate.


Também há dias para aprofundar o debate sobre se é melhor ter como mascote um cão ou um gato. Não vamos nos deixar levar pela euforia do momento. Hoje, os cães são um bem valioso, porque te permitem sair a caminhar. Uma espécie de salvo-conduto. Tenho amigos que saem com ele cinco vezes por dia. Mas não são tempos de confronto, e sim para estar unidos. Os cães, pelo que me dizem, também surtam com o que está acontecendo. Eles só veem cães na rua e os parques estão fechados. Também não é preciso ser um lince (felino) para perceber que está acontecendo alguma coisa. Da altivez que provém da convivência com um gato, nós, que compartilhamos a vida com um, cumprimentamos os donos de cães e nos congratulamos que os ajudem nessa situação que, mesmo que seja pequena, compensa de alguma forma por todo esse cair da cama e essas noites de chuva em que também é preciso sair à rua.


São dias estranhos. De 24 horas em casa. Dos gatos aparecendo nas reuniões de teletrabalho (e arrancando um sorriso dos participantes), e já se sabe que não há nada que deva ser interposto entre a atenção de um e o felino. No fundo, todos estamos nos transformando um pouco em gatos. Agora sabemos como é difícil racionar as visitas à geladeira-comedor se você fica o dia inteiro em casa. E como é fácil cair no sono no sofá assim que o dia de trabalho termina. Mas são dias precisamente para isso: para ser gatos. Não é uma estratégia tão ruim: é o único animal que conseguiu dominar a internet sem precisar manejar a tecnologia. Por alguma razão estará dando tão certo para eles.


Disponível em: <https://bit.ly/2xwO2YZ>.

Acesso em: 27 mar. 2020 (Adaptado).

São recursos utilizados no texto, exceto:
Alternativas
Q1737923 Português
Leia os versos a seguir e analise as assertivas:
Sertão, argúem te cantô, Eu sempre tenho cantado E ainda cantando tô, Pruquê, meu torrão amado, Munto te prezo, te quero E vejo qui os teus mistéro Ninguém sabe decifrá. A tua beleza é tanta, Qui o poeta canta, canta, E inda fica o qui cantá. (Patativa do Assaré. “Eu e o Sertão”).
I. Com base na linguagem utilizada no poema, o eu lírico se apresenta como falante de uma variedade linguística específica de determinada região brasileira. II. O registro dos termos arguém, Pruquê e decifrá representam e caracterizam a pronúncia do sertanejo e do nordestino. III. O emprego de uma linguagem simples e específica permite uma maior identificação do povo sertanejo com o texto e com a obra do autor.
Pode-se afirmar que:
Alternativas
Q1737387 Português

Para responder à questão, leia a tirinha abaixo: 



Acerca da linguagem empregada na tirinha, lei as assertivas:
I. A expressão Dê-me um beijo é própria do registro formal. Em situações de emprego coloquial, mantendo-se o modo verbal, se usaria Me dê um beijo. II. A palavra Bah se configura como um regionalismo usual da região sul do Brasil. III. A onomatopeia, recurso empregado no segundo quadrinho, pouco acrescenta para a produção de sentidos da tirinha, pois diminui a expressividade do discurso.
Pode-se afirmar que:
Alternativas
Q1737385 Português
Leia o texto abaixo:
O envelhecimento da população é um fato demográfico insuperável. Sabemos que existe uma possibilidade de aumento da solidão na terceira idade por motivos variados, inclusive pela dificuldade de estabelecer novos laços significativos e até por questões neuroquímicas. Porém, não é um destino: a sociabilidade pode ser explorada, e jovens também podem sentir solidão aguda. (Leandro Karnal. Adaptado. G1 – Portal de Notícias. 2018).
Considerando que o fragmento acima foi retirado de uma entrevista do historiador Leandro Karnal, pode-se afirmar que as marcas linguísticas empregadas indicam uma linguagem:
Alternativas
Q1728047 Português
Após a leitura do enunciado apresentado a seguir, leia as assertivas:
Quintanilha engendrou Gonçalves. Tal era a impressão que davam os dois juntos, não que se parecessem. Ao contrário, Quintanilha tinha o rosto redondo, Gonçalves comprido, o primeiro era baixo e moreno, o segundo alto e claro, e a expressão total divergia inteiramente. Acresce que eram quase da mesma idade. A ideia da paternidade nascia das maneiras com que o primeiro tratava o segundo; um pai não se desfaria mais em carinhos, cautelas e pensamentos.
(Machado de Assis. “Pílades e Orestes”. In: Os cem melhores contos brasileiros do século, p.63.)
I. Em “A ideia da paternidade nascia das maneiras com que o primeiro tratava o segundo”, considerando a totalidade do texto, tem-se um caso de coesão referencial. II. Os adjetivos empregados ao longo do texto evidenciam uma comparação entre os personagens. III. O texto é narrado em terceira pessoa e predomina a linguagem coloquial.
Pode-se afirmar que:
Alternativas
Q1718123 Português
Por que os seres humanos estão perdendo o equilíbrio
Laura Plitt
BBC News Mundo
26 dezembro 2020


    De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde de 2018, cerca de 646 mil pessoas morrem a cada ano por isso, enquanto 37,3 milhões de quedas são graves o suficiente para exigir cuidado médico.
    O número não apenas é grande, mas dobrou nas últimas duas décadas, e a idade em que as quedas geralmente começam a ocorrer (normalmente em adultos com mais de 60 ou 65 anos) está diminuindo.
    As estatísticas mostram que, em parte, os seres humanos estão perdendo a capacidade de se manter em equilíbrio, uma habilidade tão natural que raramente nos damos conta de todos os processos envolvidos.
    Embora manter o corpo ereto e em equilíbrio seja algo natural para nós, é uma atividade que aciona vários processos físicos e cognitivos que se retroalimentam. "O equilíbrio requer uma série de informações sensoriais", explica à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, Dawn Skelton, professora do departamento de Fisioterapia e Paramedicina da Universidade Glasgow Caledonian, no Reino Unido.
    "A visão é um dos elementos principais, mas não o único. Seus olhos trabalham com seus ouvidos, e o sistema vestibular do ouvido interno (uma série de canais com fluidos que se movem quando mexemos a cabeça, para informar ao cérebro em que direção se encontra e quão rápido se move)."
    O grande problema é a mudança em nosso estilo de vida, que se tornou muito mais sedentário desde a infância e, com isso, as oportunidades de praticar foram reduzidas. "Há duas gerações, a maioria das crianças ia andando para a escola, e não sentadas em um carro. E hoje nas escolas se pratica muito menos atividade física", observa Skelton.
    A vida fora da escola segue padrões semelhantes, com atividades centradas principalmente em torno de uma tela. Se você ficar olhando para uma tela, sua visão será afetada. Olhar por muito tempo para algo que está perto de você, vai fazer com que você se torne míope, porque você não está usando os olhos para olhar mais longe, e a visão faz parte do mecanismo de equilíbrio. Se você não consegue ajustar rapidamente a visão de algo que está próximo para algo que está distante, seu equilíbrio será prejudicado."
    Se os mecanismos que estão envolvidos nesta função não têm tempo de se desenvolver completamente quando somos jovens e, na vida adulta fazemos trabalhos sedentários que não representam um desafio para o equilíbrio, quando chegamos à velhice, a vulnerabilidade às quedas aparece mais rápido, argumenta a especialista. "Minha preocupação não é apenas o equilíbrio, mas o que vai acontecer com os índices de fratura. Como não construímos densidade óssea suficiente, elas vão acontecer mais cedo também."
    No fim das contas, ela conclui, se trata de um conceito muito simples: o que você não usa, você perde. "Quando você deixa de usar seus músculos, eles desaparecem, e o mesmo acontece com a densidade óssea. Em uma semana, você pode perder até 1%, e pode demorar um ano para recuperá-la."
    Outros fatores que afetam o equilíbrio têm a ver com nosso estado emocional e saúde mental. "O perfil físico de pacientes com esquizofrenia é caracterizado por uma marcha lenta e uma passada reduzida; o daqueles que apresentam transtornos de ansiedade é caracterizado por distúrbios do equilíbrio; e daqueles que sofrem de depressão, por uma marcha lenta e uma postura encurvada", diz um estudo publicado no início deste ano por uma equipe de pesquisadores liderados por Ron Feldman, do Departamento de Anatomia e Antropologia da Escola de Medicina Sackler da Universidade de Tel-Aviv, em Israel.
    No caso das pessoas com depressão, como tendem a acomodar a cabeça — cujo peso médio varia entre 5 e 6 kg — mais para frente, todo o peso do corpo é inclinado nessa direção, o que facilita a perda de equilíbrio, principalmente porque nossa base (no caso, os pés) é relativamente pequena em relação ao tamanho do corpo.
    Além disso, "como as pessoas deprimidas tendem a dar passos mais curtos, sem levantar muito os pés, é mais provável que tropecem", explica Skelton.
    Em relação à ansiedade, os músculos estão em estado de alerta constante devido à circulação da adrenalina. "Isso significa que o sistema nervoso está muito alerta, concentrado no que pode ou não acontecer, mas não em manter o equilíbrio", explica a pesquisadora.
    (...)

FONTE: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55106089 
Por ser um texto de caráter jornalístico, predomina nele a variante linguística formal. Entretanto, em alguns momentos específicos, a autora utiliza uma variante linguística que resvala no uso informal. Assinale a alternativa em que a expressão destacada representa a variante informal da linguagem:
Alternativas
Q1714317 Português
Quanto à diferença entre Norma Culta e Variações Linguísticas, assinale a alternativa CORRETA:
I- A norma culta é indispensável e tão importante quanto as variações linguísticas. A norma culta rege um idioma, aponta caminhos e deve ser estudada na escola para que assim todos tenham acesso às diferentes formas de pensar a língua. Já as variações linguísticas comprovam a organicidade da língua: ela não está encerrada nos dicionários ou gramáticas; está viva, na boca do povo, seus verdadeiros donos.
II- Norma culta é indispensável para o perfeito funcionamento da língua na sociedade. Isso porque ela rege o idioma, ou seja, é em torno dela que as demais variações se tornam possíveis sendo que as variações linguísticas, é um fenômeno de variações que acontece com a língua e pode ser compreendida por intermédio das variações históricas e regionais.
III- A norma culta resulta da adequação da expressão às finalidades específicas do processo de interação verbal com base no grau de reflexão sobre as formas que constituem a competência comunicativa do sujeito falante, e as variações linguísticas são o conjunto de fenômenos linguísticos variáveis que são usados habitualmente por falantes escolarizados em situações mais monitoradas de fala e de escrita.
Alternativas
Q1714313 Português
Na tirinha, abaixo, assinale a alternativa a qual NÃO é um mito em relação ao preconceito linguístico, segunda Marcos Bagno: 
Imagem associada para resolução da questão
Alternativas
Q1713269 Português

O que é Agricultura Sintrópica?

Dayana Andrade


    Não existe uma resposta rápida. Temos que ser francos e, logo de cara, avisar que aqui você não vai encontrar uma receita pronta para copiar e colar. A agricultura sintrópica (também descrita como agrofloresta sucessional) não é um pacote tecnológico que pode ser comprado, nem um plano definitivo de design ajustável para todos os gostos. Ela é, antes de tudo, uma mudança no olhar. É uma nova proposta de leitura dos ecossistemas que abre caminho para que o agricultor aprenda a buscar suas respostas usando outro raciocínio, bem diferente do que estamos acostumados.

    A Agricultura Sintrópica é constituída por um conjunto teórico e prático de um modelo de agricultura desenvolvido por Ernst Götsch, no qual os processos naturais são traduzidos para as práticas agrícolas tanto em sua forma, quanto em sua função e dinâmica. Assim podemos falar em regeneração pelo uso, uma vez que o estabelecimento de áreas agrícolas altamente produtivas, e que tendem à independência de insumos e irrigação, tem como consequência a oferta de serviços ecossistêmicos, com especial destaque para a formação de solo, a regulação do microclima e o favorecimento do ciclo da água. Ou seja, o plantio agrícola é concomitante à regeneração de ecossistemas.

    Ao invés de receitas, há um conjunto de conceitos e técnicas que viabilizam o acesso a suas características fundamentais. O criador da Agricultura Sintrópica, Ernst Götsch, baseia sua cosmovisão transdisciplinar em muita ciência e a prática diária de mais de cinco décadas. A lógica que orienta sua tomada de decisão percorre um trajeto que nasce na ética de Kant e atravessa a física, a filosofia grega e a matemática. Ele também se apoia na biologia, química, ecologia e botânica, e se abastece da cena tecnológica do momento, adaptando técnicas e ferramentas de outras áreas. Portanto, a agricultura de Ernst Götsch se vale de um encadeamento coerente e sistemático de dados, livre de contradições internas, que não somente percorre uma narrativa lógica como também inclui uma expressão concreta no fim do caminho. Do planejamento à execução do plantio, há método, e há resultado prático. Mais que uma boa ideia, a Agricultura Sintrópica comprovadamente funciona, e pode responder aos maiores desafios sociais e ambientais do nosso tempo.

Disponível em: https://agendagotsch.com/pt/what-is-syntropic-farming/

Sobre aspectos estruturais do texto, assinale a opção em que há uma afirmativa correta:
Alternativas
Q1689593 Português

Texto para a questão.

Internet: <https:www.google.com>.

No texto verbal da tirinha, um exemplo de uso coloquial da linguagem é a palavra
Alternativas
Q1676493 Português

Pai não entende nada


A filha de 14 anos chega para o pai e diz:

- Pai, preciso comprar um biquíni novo.

- Mas filha, você comprou um biquíni no ano passado.

- Ah pai, quero um biquíni novo.

- Filha, teu biquíni é novo. E você nem cresceu tanto assim.

- Mas eu quero, pai.

- Tá bom, filha. Pegue esse dinheiro e compre um biquíni maior.

- Maior não, pai. Menor.

Pai não entende nada mesmo!


Luís Fernando Veríssimo.

A linguagem da crônica tenta aproximar-se da linguagem cotidiana, já que aborda situações comuns no dia a dia das pessoas. Essa intencionalidade muitas vezes faz com que esses textos apresentem desvios gramaticais, por muitas vezes sutis, fazendo com que nem todos percebam essas ocorrências. Assinale a alternativa que explique corretamente o desvio apresentado no excerto abaixo:
- Filha, teu biquíni é novo. E você nem cresceu tanto assim.
Alternativas: 
Alternativas
Q1675796 Português

Analise o texto abaixo para responder a próxima questão:


O Meu Guri


Quando, seu moço, nasceu meu rebento

Não era o momento dele rebentar

Já foi nascendo com cara de fome

E eu não tinha nem nome pra lhe dar

Como fui levando, não sei lhe explicar

Fui assim, levando, ele a me levar

E na sua meninice Ele um dia me disse que chegava lá


Olha aí!

Olha aí!


Olha aí!

Ai, o meu guri, olha aí!

Olha aí!

É o meu guri e ele chega


Chega suado e veloz do batente

Traz sempre um presente pra me encabular

Tanta corrente de ouro, seu moço

Que haja pescoço pra enfiar

Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro

Chave, caderneta, terço e patuá

Um lenço e uma penca de documentos

Pra finalmente eu me identificar, olha aí!


Olha aí!

Ai, o meu guri, olha aí!

Olha aí!

É o meu guri e ele chega

Chega no morro com carregamento

Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador

Rezo até ele chegar cá no alto

Essa onda de assalto está um horror

Eu consolo ele, ele me consola

Boto ele no colo pra ele me ninar

De repente, acordo, olho pro lado

E o danado já foi trabalhar, olha aí!


Olha aí! (Ah, olha aí)

Ai, o meu guri, olha aí! (Ah, olha aí meu guri)

Olha aí! (Ah, meu guri)

É o meu guri e ele chega (olha aí meu guri)


Chega estampado, manchete, retrato

Com venda nos olhos, legenda e as iniciais

Eu não entendo essa gente, seu moço

Fazendo alvoroço demais


O guri no mato, acho que tá rindo

Acho que tá lindo de papo pro ar

Desde o começo, eu não disse, seu moço

Ele disse que chegava lá


Olha aí!

Olha aí!


Olha aí! (Ah, olha aí)

Ai, o meu guri, olha aí! (Ah, olha aí meu guri)

Olha aí! (Ah, meu guri)

É o meu guri (olha aí meu guri)


Chico Buarque

Chico Buarque nessa canção dá voz a uma hipotética mulher de periferia. Em virtude disso, a canção apresenta alguns desvios de norma padrão da língua portuguesa. Assinale a alternativa em que isso ocorre:
Alternativas
Respostas
721: A
722: B
723: D
724: B
725: B
726: E
727: A
728: A
729: D
730: A
731: D
732: C
733: A
734: B
735: B
736: C
737: D
738: D
739: C
740: B