Questões de Concurso
Sobre uso dos conectivos em português
Foram encontradas 5.291 questões
Texto para o item.

Considerando o texto e os seus aspectos linguísticos, estruturais e de conteúdo, julgue o item.
A expressão “não somente mais uma conquista histórica, mas principalmente” (linhas 6 e 7) indica uma ideia de adição.
Leia o texto para responder à questão.
Projeto musical faz shows secretos em SP
“É muito raro isso aqui”, diz a cantora Marina Melo em frente a um público de cerca de cem pessoas em São Paulo. “Um monte de gente sentada no chão, sem saber exatamente o que vai escutar, disposta a ficar em silêncio e a ouvir”.
O espaço do palco é delimitado apenas por um tapete e um pedestal de microfone com luzinhas enroladas. A localização é um estúdio na zona oeste da capital, mas poderia ser qualquer outro canto — isso ajuda a resumir o Tranquilo, projeto musical mineiro que desembarcou em São Paulo e acontece nas noites de segunda-feira, mas nunca no mesmo lugar.
Funciona assim: aos domingos, o perfil no Instagram do Tranquilo publica uma enquete. Quem responde recebe por mensagem a localização e os detalhes dos shows marcados para o dia seguinte. A escalação de artistas – sempre representantes da música independente e autoral – só é liberada na segunda-feira e o lineup1 não se repete.
O projeto começou no quintal da casa do músico Thales Silva, que se sentia sem horizontes após lançar um álbum e não conseguir fazer o trabalho circular. “O artista independente não consegue furar algumas bolhas porque existem panelas que não se abrem. É como se você tivesse que expandir seu público sem ter oportunidades”, ele afirma. “Então eu criei o evento pensando nesses artistas que têm qualidade, mas que, se não acharem um palco, vão ficar eternamente parados.”
Durante as apresentações, em formato de pocket show2 e que elegem a diversidade como prioridade, o público recebe a letra de algumas composições. A localização escondida também gera curiosidade. Neste ano, o público chegou a 1200 pessoas em Belo Horizonte.
Além de estimular a cena musical independente, o projeto se tornou uma espécie de celeiro de novos artistas com o momento “Olho no Olho”, que encerra as noites de shows com pessoas da plateia mostrando canções próprias.
(Laura Lewer. https://guia.folha.uol.com.br/shows/2023/03/ conheca-o-tranquilo-projeto-musical-que-faz-shows-quase-secretosem-sp.shtml. Publicado em 17.03.2023. Adaptado.)
1 lineup: lista, sequência.
2 pocket show: apresentação de curta duração.
Considere o trecho do quarto parágrafo.
“Então eu criei o evento pensando nesses artistas que têm qualidade, mas que, se não acharem palco, vão ficar eternamente parados.”
A reescrita desse trecho mantém o sentido original do texto na alternativa:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Povo no Peru pintava os crânios de seus ancestrais

(Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/ha-mil-anos-povo-no-peru-pintava-os-cranios-de-seusancestrais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Povo no Peru pintava os crânios de seus ancestrais

(Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/ha-mil-anos-povo-no-peru-pintava-os-cranios-de-seusancestrais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).


Leia o texto e responda à questão.
As vítimas
Viralizou nas redes sociais o vídeo que mostra uma motorista em Brasília, abordada pela fiscalização de trânsito da PM, jogando a bolsa no chão e dirigindo-se a uma árvore, na qual, por várias vezes, arremessa seu rosto contra o tronco, de casca grossa. Depois ela se volta, pedindo para os acompanhantes dela gravarem: “olha aqui, ele me agrediu, filme aqui”. Insistia em que fora agredida pelo PM, sem saber que havia sido filmada batendo o rosto na árvore. A tentativa era inverter a condição de agressora da lei para a de agredida pelo agente da lei. Isso é mais comum do que se imagina. Contou-me um delegado da Policia Federal que um detido no compartimento de trás da viatura havia sucessivamente golpeado o nariz com o joelho, para se mostrar como vitima ao juiz da audiência de custódia. Em outra ocasião, já dentro do fórum, um detido se feriu jogando-se na quina da porta por onde passariam. A Mariana, que jogou o rosto na árvore, já estava formada em vitimização.
Bandidos devem ter aprendido esse argumento com intelectuais que defendem a tese de que todos são vitimas. Em geral, vitimas da sociedade opressora, burguesa e fascista. Vitimas do preconceito, das desigualdades sociais. Por isso, a idosa de Caxias do Sul, que atirou e matou um ladrão que invadira sua casa, acabou indiciada por usar um velho revólver com munição ultravencida. Defensores de bandidos aplaudiram: afinal, ele só queria roubar. Logo vão defender o livre exercício da profissão de assaltante, ou de vendedor de cocaína. Vão justificar que o latrocida apenas atirou e matou porque o assaltado não seguiu a recomendação da policia para não resistir. A velhinha de Caxias não cumpriu a lei do desarmamento, pois tinha revólver em casa. Ora já se viu ter o direito de se preparar para defender seu refúgio, seu abrigo, sua caverna, sua cidadela, que é seu lar? Ou reagir ante o ladrão que quer apenas equilibrar uma injustiça social, tirando de quem tem?
No Rio, essa cultura é soberana. Com isso, as vitimas reais dessa criminosa ideologia estão enjauladas em casa, onde, mesmo assim, são vitimas de balas perdidas. Todos foram desarmados, menos os bandidos, que usam ostensivamente fuzis, metralhadoras e granadas. Tudo gente boa, que sofre da síndrome de não dar valor à vida dos outros. Nem se importam de vender drogas em torno de escolas. Assim como os que sustentam os bandos de criminosos não se sentem constrangidos em fazer passeatas pedindo paz. A cocaína não os deixa pensar que são eles que sustentam a guerra.
Defensores de bandidos, felizmente, são minoria. Fico observando a reação das pessoas quando a Policia Civil de São Paulo elimina um bando de assaltantes de residência, todos bem armados; ou, como aconteceu esta semana em Brasília, quando um Cabo PM 2 paisana reagiu a um assalto em ônibus e matou os dois assaltantes armados. A maioria aplaude, mas nos meios de informação teme-se encorajar a morte de nossos queridos bandidos de estimação. No Congresso, os que querem representar maioria estão reagindo. Embora o jornalista os chame pejorativamente de “bancada da bala”, a maioria torce por mudanças no Estatuto do Desarmamento e nos direitos dos que nos aprisionam pelo medo ou nos fazem chorar a perda de bens e, principalmente, de amigos e parentes.
Alexandre Garcia
www.sonoticias.com.br, 27/09/2017
Usa-se a palavra embora para introduzir uma oração subordinada e indica oposição a uma outra ideia, e pode ser substituída, sem alterar o sentido, por todas as citadas a seguir, EXCETO:
A disciplina do amor
Foi na França, durante a Segunda Grande guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava até a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.
Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro, até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao posto de espera. O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando àquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias.
Todos os dias, com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina.
As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está esperando… Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção.
Lygia Fagundes Teles
Leia o texto e responda à questão.
Mudança no clima e produção de alimentos
O aquecimento global terá implicações profundas sobre onde e como os alimentos são produzidos, e também levará a uma redução das propriedades nutricionais de determinadas culturas, o que terá consequências para políticas de combate à fome e à pobreza e para o comércio mundial de alimentos, dizem especialistas em novo livro da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O livro “Mudança Climática e Sistemas Alimentares” contém as conclusões de um grupo de cientistas que fizeram um balanço dos efeitos das alterações climáticas na agricultura e na alimentação nas duas últimas décadas.
A mudança climática aumenta o desafio do rápido crescimento da demanda global por produtos agrícolas – destinados à alimentação, ração e combustível – necessários para lidar com o crescimento da população e o aumento dos níveis de renda. A agricultura é altamente dependente das condições meteorológicas locais e, portanto, é esperado que seja muito sensível às mudanças climáticas nos próximos anos.
Também é necessária uma estratégia de adaptação interna para permitir que os países evitem a forte dependência das importações.
“É provável que as alterações climáticas agravem a crescente desigualdade global, uma vez que se espera que os impactos dos efeitos negativos caiam sobre os países que estão menos desenvolvidos e mais vulneráveis”, diz o editor do livro, Aziz Elbehri.
Os autores também têm em mente estudo que avaliou o impacto global das mudanças nos padrões de consumo de alimentos que utilizam ou não a irrigação. Alguns resultados sugerem que a redução do consumo de produtos de origem animal na dieta humana tem o potencial para salvar os recursos hídricos necessários para alimentar 1,8 bilhão de pessoas no mundo.
O estudo sugere que, embora os mercados globais possam ajudar a estabilizar os preços e suprimentos e fornecer opções de alimentos alternativos para regiões afetadas negativamente pela mudança climática, o comércio por si só não é uma adaptação estratégica suficiente.
Também é necessária uma estratégia de adaptação interna para permitir que os países evitem a forte dependência das importações, que tendem a aumentar a vulnerabilidade à volatilidade dos preços.
Outro desafio é a necessidade de alinhar a política comercial com objetivos climáticos e garantir que a abertura comercial desempenhe o seu papel como um mecanismo de enfrentamento, sem prejudicar os objetivos de mitigação.
www.sol.com.br, 15/01/2019
Analise as afirmativas abaixo, com base no texto, e assinale a alternativa correspondente.
O verbo conter leva acento circunflexo por ter sujeito na 3ª pessoa do plural, como, por exemplo, em: “Estes livros contêm belas mensagens”. No período acima, contém está corretamente acentuado por ser oxítona terminada em “em”, tendo sido singular (livro).
II - As alterações climáticas podem agravar a desigualdade global, afetando negativamente, em grau de igualdade, tanto os países mais ricos como os países menos desenvolvidos.
III - Segundo os cientistas da FAO, entre as inúmeras consequências das alterações do clima não se prevê a diminuição das propriedades nutricionais de determinadas culturas.
IV - “A agricultura é altamente dependente das condições meteorológicas locais e, portanto, é esperado que seja muito sensível às mudanças climáticas nos próximos anos”. Portanto é um conectivo, pois liga duas orações, estabelecendo uma relação de sentido. Portanto expressa ideia de conclusão.
Está correta:
I. A primeira ocorrência de “para” constitui ideia de finalidade.
II. A conjunção “e” une ideias opostas entre si.
III. A terceira ocorrência de “para” revela ideia de causa.
Está correto o que se afirma em:
Assinale a opção cujos vocábulos pertençam à mesma classe gramatical:
Papos
— Me disseram...
— Disseram-me.
— Hein?
— O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.
— Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?
— O quê?
— Digo-te que você...
— O “te” e o “você” não combinam.
— Lhe digo?
— Também não. O que você ia me dizer?
— Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?
— Partir-te a cara.
— Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
— É para o seu bem.
— Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
— O quê?
— O mato.
— Que mato?
— Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
— Eu só estava querendo…
— Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!
— Se você prefere falar errado...
— Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
— No caso... não sei.
— Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
— Esquece.
— Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é “esquece” ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
— Depende.
— Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.
— Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
— Agradeço-lhe a permissão para falar errado que me dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
— Por quê?
— Porque, com todo este papo, esqueci-lo.
Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Por que insetos são cruciais para vida na Terra
Vivemos em um planeta de insetos. Eles representam cerca de 70% de todas as espécies conhecidas na Terra e sua biomassa combinada é 16 vezes maior que a dos humanos. Há 300 milhões de anos, libélulas gigantes com envergadura de 75 centímetros voavam entre as samambaias arbóreas. Hoje em dia, os insetos são extraordinariamente diversos, com uma enorme variedade de cores, formas e tamanhos. Eles também desempenham um papel crucial na vida na Terra. Eles servem de alimento para muitos animais, incluindo a maioria dos pássaros, morcegos, lagartos, anfíbios e peixes de água doce. Cerca de 80% das espécies de plantas selvagens do mundo também dependem de insetos para polinizá-las, assim como três quartos das plantas que cultivamos para alimentação. Não é exagero dizer que, sem os insetos, muitos de nós morreríamos de fome. Mas muitos tipos de insetos em diferentes partes do mundo estão ameaçados. Embora medir as populações de insetos seja algo complexo, existem sinais preocupantes. Um importante estudo de 2020 estimou que os insetos que vivem na Terra estão a diminuir em cerca de 9% por década em todo o mundo. Um estudo alemão descobriu que a biomassa de insetos voadores nas reservas naturais diminuiu alarmantes 76% entre 1989 e 2016. Nos Estados Unidos, as populações de borboleta-monarca diminuíram 80% neste século. Algumas espécies no Reino Unido, como a borboleta-vírgula e as borboletas-malhadinhas, estão contrariando a tendência. Mas de maneira geral, a distribuição geográfica global das borboletas no Reino Unido diminuiu, em média, 42% desde 1976. As espécies invasoras também estão sofrendo. Ratos se alimentaram da tesourinha de Santa Helena, um tipo de lacraia, até levar a espécie à extinção e quase exterminaram o weta gigante da Nova Zelândia, um tipo de gafanhoto. A poluição luminosa também representa um problema, pois atrai as mariposas e as condena à morte e perturba o ciclo de vida dos insetos. Também desorienta alguns besouros que navegam usando a luz da Via Láctea.
“Guerra contra a natureza”
Além de tudo isso, os insetos têm agora que lidar com as mudanças climáticas. Alguns insetos mais adaptáveis, como os mosquitos, as baratas e as moscas domésticas, se beneficiarão de temperaturas mais altas e de mais chuva. Mas a maioria sofrerá. Zangões estão desaparecendo de seus habitats mais ao sul, superaquecendo em seus corpos peludos à medida que o clima esquenta. Secas, inundações e incêndios florestais também podem devastar as populações já ameaçadas. Em 1962, a bióloga americana Rachel Carson publicou o livro Silent Spring (Primavera Silenciosa, em tradução literal para o português), alertando que estávamos causando danos terríveis ao nosso planeta. Ela escreveu: "O homem é parte da natureza" e a sua guerra contra a natureza "é inevitavelmente uma guerra contra si mesmo". Mas a previsão de Carson era apenas o começo. Desde então, os habitats de vida selvagem ricos em insetos foram destruídos em grande escala. Os solos foram degradados e os rios obstruídos com lodo, poluídos ou drenados. A agricultura, tão dependente dos insetos para a polinização, é responsável por grande parte do seu declínio. Estima-se que 4 milhões de toneladas de pesticidas sejam lançadas no meio ambiente todos os anos.
Então, o que podemos fazer se quisermos proteger nossos insetos? A resposta mais simples está em reestruturar jardins e varandas, plantando flores silvestres e arbustos nativos, reduzindo o corte da relva e encontrando alternativas aos pesticidas. Mas as ações individuais não serão suficientes. Imagine cidades verdes repletas de árvores, hortas e lagos, todas livres de pesticidas e cheias de vida. O movimento para uma agricultura sustentável para insetos e toda a natureza está crescendo, mas precisa de muito mais apoio, tanto por parte de governos como de consumidores. Ainda não é tarde demais. A maioria das espécies de insetos ameaçadas ainda não foi extinta e pode se recuperar rapidamente se for protegida. O biólogo americano Paul Ehrlich comparou a perda de espécies ao desprendimento aleatório de rebites da asa de um avião. Remova um ou dois e o avião provavelmente ficará bem. Remova dez, 20 ou 50 e, em algum momento, ocorrerá uma falha catastrófica e o avião cairá do céu. Os insetos são os rebites que mantêm o planeta funcionando. Quantos podem ser removidos com segurança do avião antes que ele caia?
BBC News Brasil. Disponível em
I. Gostaria de saber o porquê desta confusão.
II. Ela não foi à aula porque está doente.
III. Por que está tão revoltada?
Nas sentenças dadas, a palavra “porque” atua como substantivo apenas em:
Por que insetos são cruciais para vida na Terra
Vivemos em um planeta de insetos. Eles representam cerca de 70% de todas as espécies conhecidas na Terra e sua biomassa combinada é 16 vezes maior que a dos humanos. Há 300 milhões de anos, libélulas gigantes com envergadura de 75 centímetros voavam entre as samambaias arbóreas. Hoje em dia, os insetos são extraordinariamente diversos, com uma enorme variedade de cores, formas e tamanhos. Eles também desempenham um papel crucial na vida na Terra. Eles servem de alimento para muitos animais, incluindo a maioria dos pássaros, morcegos, lagartos, anfíbios e peixes de água doce. Cerca de 80% das espécies de plantas selvagens do mundo também dependem de insetos para polinizá-las, assim como três quartos das plantas que cultivamos para alimentação. Não é exagero dizer que, sem os insetos, muitos de nós morreríamos de fome. Mas muitos tipos de insetos em diferentes partes do mundo estão ameaçados. Embora medir as populações de insetos seja algo complexo, existem sinais preocupantes. Um importante estudo de 2020 estimou que os insetos que vivem na Terra estão a diminuir em cerca de 9% por década em todo o mundo. Um estudo alemão descobriu que a biomassa de insetos voadores nas reservas naturais diminuiu alarmantes 76% entre 1989 e 2016. Nos Estados Unidos, as populações de borboleta-monarca diminuíram 80% neste século. Algumas espécies no Reino Unido, como a borboleta-vírgula e as borboletas-malhadinhas, estão contrariando a tendência. Mas de maneira geral, a distribuição geográfica global das borboletas no Reino Unido diminuiu, em média, 42% desde 1976. As espécies invasoras também estão sofrendo. Ratos se alimentaram da tesourinha de Santa Helena, um tipo de lacraia, até levar a espécie à extinção e quase exterminaram o weta gigante da Nova Zelândia, um tipo de gafanhoto. A poluição luminosa também representa um problema, pois atrai as mariposas e as condena à morte e perturba o ciclo de vida dos insetos. Também desorienta alguns besouros que navegam usando a luz da Via Láctea.
“Guerra contra a natureza”
Além de tudo isso, os insetos têm agora que lidar com as mudanças climáticas. Alguns insetos mais adaptáveis, como os mosquitos, as baratas e as moscas domésticas, se beneficiarão de temperaturas mais altas e de mais chuva. Mas a maioria sofrerá. Zangões estão desaparecendo de seus habitats mais ao sul, superaquecendo em seus corpos peludos à medida que o clima esquenta. Secas, inundações e incêndios florestais também podem devastar as populações já ameaçadas. Em 1962, a bióloga americana Rachel Carson publicou o livro Silent Spring (Primavera Silenciosa, em tradução literal para o português), alertando que estávamos causando danos terríveis ao nosso planeta. Ela escreveu: "O homem é parte da natureza" e a sua guerra contra a natureza "é inevitavelmente uma guerra contra si mesmo". Mas a previsão de Carson era apenas o começo. Desde então, os habitats de vida selvagem ricos em insetos foram destruídos em grande escala. Os solos foram degradados e os rios obstruídos com lodo, poluídos ou drenados. A agricultura, tão dependente dos insetos para a polinização, é responsável por grande parte do seu declínio. Estima-se que 4 milhões de toneladas de pesticidas sejam lançadas no meio ambiente todos os anos.
Então, o que podemos fazer se quisermos proteger nossos insetos? A resposta mais simples está em reestruturar jardins e varandas, plantando flores silvestres e arbustos nativos, reduzindo o corte da relva e encontrando alternativas aos pesticidas. Mas as ações individuais não serão suficientes. Imagine cidades verdes repletas de árvores, hortas e lagos, todas livres de pesticidas e cheias de vida. O movimento para uma agricultura sustentável para insetos e toda a natureza está crescendo, mas precisa de muito mais apoio, tanto por parte de governos como de consumidores. Ainda não é tarde demais. A maioria das espécies de insetos ameaçadas ainda não foi extinta e pode se recuperar rapidamente se for protegida. O biólogo americano Paul Ehrlich comparou a perda de espécies ao desprendimento aleatório de rebites da asa de um avião. Remova um ou dois e o avião provavelmente ficará bem. Remova dez, 20 ou 50 e, em algum momento, ocorrerá uma falha catastrófica e o avião cairá do céu. Os insetos são os rebites que mantêm o planeta funcionando. Quantos podem ser removidos com segurança do avião antes que ele caia?
BBC News Brasil. Disponível em

