Questões de Concurso Sobre uso das reticências em português

Foram encontradas 248 questões

Q1363565 Português

Leia o texto para responder a questão.

Meu Destino

Cora Coralina

Nas palmas de tuas mãos

leio as linhas da minha vida.

Linhas cruzadas, sinuosas,

interferindo no teu destino.

Não te procurei, não me procurastes –

íamos sozinhos por estradas diferentes.

Indiferentes, cruzamos

Passavas com o fardo da vida…

Corri ao teu encontro.

Sorri. Falamos.

Esse dia foi marcado

com a pedra branca

da cabeça de um peixe.

E, desde então, caminhamos

juntos pela vida…

De acordo com o contexto, as reticências foram empregadas em duas situações no poema para
Alternativas
Q1134999 Português

TEXTO II 


                       

Quanto ao uso das reticências, na tira, foram usadas para:
Alternativas
Q1107353 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

“[...]

O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca

Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada

A vida com uma porção de coisas que eu não entendia
bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
como a casa de meu avô.”

(Evocação do Recife – Manuel Bandeira). Disponível em:
<https://www.escritas.org/pt/t/9074/evocacao-do-recife>.
Acesso em: 1º ago. 2019.
Nos versos “Recife... / Rua da União... / A casa de meu avô...”, as reticências desempenham a função de
Alternativas
Q1102906 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão. 


“[...]

— Famigerado?

— “Sim senhor…” – e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora de foco. E já me olhava, interpelador, intimativo – apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. – Famigerado? Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro ínterim, em indúcias. Como por socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mumumudos. Mas, Damázio:

— “Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. Só vieram comigo, pra testemunho…”

Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.

— Famigerado é inóxio, é “célebre”, “notório”, “notável”…

— “Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?”

— Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos…

— “Pois… e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia-de-semana?”

— Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito…

— “Vosmecê agarante, pra a paz das mães, mão na Escritura?”

Se certo! Era para se empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:

— Olhe: eu, como o sr. me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado – bem famigerado, o mais que pudesse!…

— “Ah, bem!…” – soltou, exultante.

[...]”

Guimarães Rosa – Famigerado. Disponível em:<https://contobrasileiro.com.br/famigerado-conto-de-guimaraes-rosa/>. Acesso em: 12 jul. 2019.

Leia o trecho a seguir.


“— Olhe: eu, como o sr. me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado – bem famigerado, o mais que pudesse!…”


Assinale a alternativa que melhor justifica o uso das reticências no trecho apresentado.

Alternativas
Q1097387 Português

Considerando o emprego dos sinais de pontuação, analise as assertivas a seguir, assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) Na linha 08, a primeira ocorrência da vírgula (hachurada) deve-se à separação de um adjunto adverbial deslocado.

( ) Nas linhas 12 e 14, a ocorrência das aspas deve-se à ocorrência de um enunciado proferido em discurso direto.

( ) Na linha 40, a ocorrência das reticências deve-se à suspensão de uma ideia, concluída na sequência do texto.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Alternativas
Q1084833 Português

Leia a tirinha.


Imagem associada para resolução da questão

Disponível em: <http://bichinhosdejardim.com/wp-content/uploads/2018/05/bdj-180224-web.jpg> Acesso em: 14 ago. 2019.


Avalie as seguintes afirmações sobre os sinais de pontuação presentes na tirinha.


I – As reticências foram usadas para indicar parte do texto suprimida (cortada).

II - No primeiro quadrinho, a vírgula foi utilizada para separar o aposto “Senhor”.

III – Os dois pontos de interrogação foram empregados no final de uma pergunta direta.

IV – No terceiro quadrinho, a exclamação foi utilizada para expressar um estado emotivo.


Está correto apenas o que se afirma em

Alternativas
Ano: 2019 Banca: IBFC Órgão: Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE Provas: IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Gineco - Obstetra - Diarista e Plantonista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Mastologista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Neonatalogista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Infectologista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Ortopedista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Obstetra | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Pediatra | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Otorrinolaringologista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Psiquiatra | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Reumatologista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Ultrassonografista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Veterinário | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Nutricionista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Geriatra | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Endocrinologista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Dermatologista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Colpocitologista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Clínico | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Cardiologista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Anestesista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Médico Alergologista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Sanitarista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor II - História | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor II - Espanhol | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor II - Geografia | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor II - Educação Física | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor II - Ciências | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor II - Artes | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor I - Ensino Fundamental - Anos Iniciais | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor II - Inglês | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor II - Matemática | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Psicólogo | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor I - Educação Infantil | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor de Educação Especial - Sala de Recursos Multifuncionais | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Psicopedagogo | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor de Educação Especial - Intérprete de Libras | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Professor de Educação Especial - Braille | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Pedagogo | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Gestor Social | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Geólogo | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Fonoaudiólogo | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Fisioterapeuta | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Farmacêutico | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Engenheiro Eletricista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Engenheiro Clínico Hospitalar | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Cirurgião Dentista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Engenheiro Civil | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Enfermeiro Diarista e Plantonista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Biomédico Diarista | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Biólogo | IBFC - 2019 - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE - Arquiteto e Urbanista |
Q1078260 Português

De acordo com a tira e com a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, analise as afirmativas abaixo.

I. As reticências na fala da personagem no 1º quadrinho refletem o desânimo da personagem.

II. A fala “A gente não aprende tudo na vida?” é uma pergunta retórica, pois a intenção da personagem não é obter uma resposta mas, sim, utilizar a própria pergunta como estratégia de desenvolvimento das suas ideias.

III. A fala de Mafalda no último quadrinho surpreende pela crítica ao sistema escola e pela tristeza das festas de formatura, que são comparadas a velórios.

Assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q1073759 Português
Sabendo que (V) é verdadeiro e (F) é falso, julgue as afirmativas a seguir e assinale a alternativa contendo a ordem correta das respostas, de cima para baixo:
(__) - Pausa indicativa de uma frase não concluída: vírgula, travessão, parêntese, ponto e vírgula, dois pontos; (__) - Pausa indicativa do término de um discurso: ponto final, ponto de exclamação e ponto de interrogação; (__) - Pausa indicativa de um estado emotivo ou intenção: ponto de interrogação, ponto de exclamação, reticências, ponto e vírgula e travessão.
Alternativas
Q1056767 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder às questões que a ele se referem.

A ECOLOGIA DA ORELHA



Fonte: SCHLÖGL, Emerli. A ecologia da orelha. Disponível em: <https://ipfer.com.br/gper/wp-content/uploads/sites/2/2018/02/ensino-religioso-5-ano.pdf>. Acesso em: 5 maio 2019. Adaptado.
As reticências, no trecho “Ele disse que...” (linha 12), foram empregadas para indicar
Alternativas
Q1049542 Português

Leia a tira para responder à questão.


                 


As reticências e as aspas estão respectivamente empregadas na frase da tira para indicar que o personagem
Alternativas
Q1019246 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.


No que se refere à pontuação, analise as seguintes proposições: I. Por ser uma abreviatura de “antes de Cristo”, o correto seria escrever “a. C.” na primeira linha do texto. II. No final do segundo parágrafo, o autor poderia combinar o ponto de interrogação com um ponto de exclamação, se assim quisesse. III. As reticências, que constam no encerramento do texto, não podem ser usadas no fim de um período gramaticalmente completo.
Quais estão corretas?
Alternativas
Q1008025 Português

                               PINACOTECA E FILATELIA


Dia desses me contaram uma ótima piada, que eu não ouvia há muitos anos.

O japonês chegou todo feliz para registrar seu filho no Brasil, mas não sabia que nome ia escolher.

- Que tal Pedro?

O japonês não gostou.

- Que tal Paulo?

Também não.

Aí o escrivão pensou, pensou e falou:

- Eu sugiro...

- Sugiro é um bom nome! – gritou o japonês.

Mas o leitor não fique aí, rindo dos japoneses, porque nós, brasileiros, temos nomes mais malucos do que esse da piada. O Guia dos curiosos, por exemplo, garante que já existiram coisas do tipo Açafrão Fagundes, Errata de Campos, Restos Mortais de Catarina, Um Dois Três de Oliveira Quatro. Acredito que o Marcelo Duarte, organizador do Guia, tenha conferido um por um.

O pior é que sempre aparece um gaiato querendo ser mais realista do que o rei (ou mais cartorial do que o cartório) e inventa que conheceu gêmeas chamadas Pinacoteca e Filatelia, ou trigêmeas chamadas Naída, Navinda e Navolta Pereira. Como não é fácil verificar a autenticidade desse tipo de coisa, muitos desses “causos” acabam se espalhando por aí. Viram lendas urbanas.

          (CUNHA, Leo. Ninguém me entende nessa casa. São Paulo: FTD, 2011.)

Sobre o uso de sinais de pontuação no texto, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q1007262 Português

                                   Natal na barca


      Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E que me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu.

      O velho, um bêbado esfarrapado, deitara-se de comprido no banco, dirigira palavras amenas a um vizinho invisível e agora dormia. A mulher estava sentada entre nós, apertando nos braços a criança enrolada em panos. Era uma mulher jovem e pálida. O longo manto escuro que lhe cobria a cabeça dava-lhe o aspecto de uma figura antiga.

      Pensei em falar-lhe assim que entrei na barca. Mas já devíamos estar quase no fim da viagem e até aquele instante não me ocorrera dizer-lhe qualquer palavra. Nem combinava mesmo com uma barca tão despojada, tão sem artifícios, a ociosidade de um diálogo. Estávamos sós. E o melhor ainda era não fazer nada, não dizer nada, apenas olhar o sulco negro que a embarcação ia fazendo no rio.

      Debrucei-me na grade de madeira carcomida. Acendi um cigarro. Ali estávamos os quatro, silenciosos como mortos num antigo barco de mortos deslizando na escuridão. Contudo, estávamos vivos. E era Natal.

      A caixa de fósforos escapou-me das mãos e quase resvalou para o rio. Agachei-me para apanhá-la. Sentindo então alguns respingos no rosto, inclinei-me mais até mergulhar as pontas dos dedos na água.

      — Tão gelada — estranhei, enxugando a mão.

      — Mas de manhã é quente.

      Voltei-me para a mulher que embalava a criança e me observava com um meio sorriso. Sentei-me no banco ao seu lado. Tinha belos olhos claros, extraordinariamente brilhantes. Reparei em que suas roupas (pobres roupas puídas) tinham muito caráter, revestidas de uma certa dignidade.

      — De manhã esse rio é quente — insistiu ela, me encarando.

      — Quente?

      — Quente e verde, tão verde que a primeira vez que lavei nele uma peça de roupa pensei que a roupa fosse sair esverdeada. É a primeira vez que vem por estas bandas?

      Desviei o olhar para o chão de largas tábuas gastas. E respondi com uma outra pergunta:

      — Mas a senhora mora aqui por perto?

      — Em Lucena. Já tomei esta barca não sei quantas vezes, mas não esperava que justamente hoje…

      A criança agitou-se, choramingando. A mulher apertou-a mais contra o peito. Cobriu-lhe a cabeça com o xale e pôs-se a niná-la com um brando movimento de cadeira de balanço. Suas mãos destacavam-se exaltadas sobre o xale preto, mas o rosto era tranquilo.

      — Seu filho?

      — É. Está doente, vou ao especialista, o farmacêutico de Lucena achou que eu devia ver um médico hoje mesmo. Ainda ontem ele estava bem, mas piorou de repente. Uma febre, só febre…

      — Levantou a cabeça com energia. O queixo agudo era altivo, mas o olhar tinha a expressão doce. — Só sei que Deus não vai me abandonar.

      — É o caçula?

      — É o único. O meu primeiro morreu o ano passado. Subiu no muro, estava brincando de mágico quando de repente avisou, vou voar! E atirou-se. A queda não foi grande, o muro não era alto, mas caiu de tal jeito… Tinha pouco mais de quatro anos.

      Atirei o cigarro na direção do rio, mas o toco bateu na grade e voltou, rolando aceso pelo chão. Alcancei-o com a ponta do sapato e fiquei a esfregá-lo devagar. Era preciso desviar o assunto para aquele filho que estava ali, doente, embora. Mas vivo.

      — E esse? Que idade tem?

      — Vai completar um ano. — E, noutro tom, inclinando a cabeça para o ombro: — Era um menino tão alegre. Tinha verdadeira mania com mágicas. Claro que não saía nada, mas era muito engraçado… Só a última mágica que fez foi perfeita, vou voar! disse abrindo os braços. E voou.

      Levantei-me. Eu queria ficar só naquela noite, sem lembranças, sem piedade. Mas os laços (os tais laços humanos) já ameaçavam me envolver. Conseguira evitá-los até aquele instante. Mas agora não tinha forças para rompê-los.

      — Seu marido está à sua espera?

      — Meu marido me abandonou.

      Sentei-me e tive vontade de rir. Era incrível. Fora uma loucura fazer a primeira pergunta, mas agora não podia mais parar.

      — Há muito tempo? Que seu marido…

      — Faz uns seis meses. Imagine que nós vivíamos tão bem, mas tão bem. Quando ele encontrou por acaso essa antiga namorada, falou comigo sobre ela, fez até uma brincadeira, a Ducha enfeiou, de nós dois fui eu que acabei ficando mais bonito... E não falou mais no assunto. Uma manhã ele se levantou como todas as manhãs, tomou café, leu o jornal, brincou com o menino e foi trabalhar. Antes de sair ainda me acenou, eu estava na cozinha lavando a louça e ele me acenou através da tela de arame da porta, me lembro até que eu quis abrir a porta, não gosto de ver ninguém falar comigo com aquela tela no meio… Mas eu estava com a mão molhada. Recebi a carta de tardinha, ele mandou uma carta. Fui morar com minha mãe numa casa que alugamos perto da minha escolinha. Sou professora.

      Fixei-me nas nuvens tumultuadas que corriam na mesma direção do rio. Incrível. Ia contando as sucessivas desgraças com tamanha calma, num tom de quem relata fatos sem ter realmente participado deles. Como se não bastasse a pobreza que espiava pelos remendos da sua roupa, perdera o filhinho, o marido e ainda via pairar uma sombra sobre o segundo filho que ninava nos braços. E ali estava sem a menor revolta, confiante. Intocável. Apatia? Não, não podiam ser de uma apática aqueles olhos vivíssimos, aquelas mãos enérgicas. Inconsciência? Uma obscura irritação me fez andar.

      [...]

TELLES, Lygia Fagundes. Antes do baile verde. 7 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982, p. 74-76. Fragmento. 

“[...] Já tomei esta barca não sei quantas vezes, mas não esperava que justamente hoje…”


Nesse trecho, as reticências indicam

Alternativas
Q1005888 Português
No texto, as reticências foram usadas para
Alternativas
Q989711 Português

Imagem associada para resolução da questão


o slogan e o hino

Carlos bozzo Junior


Em 04 de janeiro, o slogan “Pátria Amada Brasil” e a logomarca – uma bandeira do país estilizada, que remete ao nascer do sol – do novo governo presidido por Jair Bolsonaro foram anunciados via redes sociais. Reafirmando o discurso nacionalista manifesto durante sua campanha, o presidente eleito usa o último verso do Hino Nacional brasileiro como marca da recém-iniciada administração.

Símbolos patrióticos oficiais, os hinos nacionais surgiram no final do século 18 para despertar o senti mento de identidade nacional. Tanto faz se é uma marcha simples, que sua letra seja trivial, rebuscada, cheia de metáforas, pretensiosa, ou escrita no estilo parnasiano, como é o caso do hino brasileiro. Em ocasiões como a Copa do Mundo ou Olimpíadas, muitos entoam o hino com orgulho e respeito à nação que há dentro de nós.

(Folha de São Paulo, 9. Jan. 2019, p. B8. Adaptado.)


Preencha corretamente as lacunas, observando o que está em discussão.


Se o slogan do governo federal “Pátria Amada Brasil” fosse transcrito rigorosamente do Hino Nacional Brasileiro e obedecesse à gramática, ele deveria conter um (a) _______________ antes do nome do país, porque nessa estrutura frasal, “Pátria amada” é o _______________ e “Brasil”, o _______________.


A sequência que preenche corretamente as lacunas do texto é

Alternativas
Q962357 Português

      Solidão Coletiva – uma crônica sobre o vazio de uma cidade grande


      Se pararmos para pensar, a solidão nos persegue. Sempre estamos tão juntos e, ao mesmo tempo, tão sozinhos.

      O simples fato de estarmos rodeados por dezenas, centenas ou milhares de pessoas, não nos garante que pertençamos ao grupo.

      A cidade é um dos maiores exemplos. Trem, metrô, ônibus em horário de pico. Homens ou mulheres. Jovens ou velhos. Gordos ou magros. Trabalho ou estudo. Cada um do seu jeito, indo cuidar da sua própria vida. Não há conversa ou um sorriso amigável. Rostos sérios e cansados sem ao menos se preocupar em lhe desejar um bom dia. Parece que ninguém está tendo um bom dia.

      Na rua, todos têm pressa. Mochila à frente do corpo, senão você é roubado. Olhar no chão para manter o ritmo do passo, ou logo à frente, como quem quer chegar logo sem ser importunado.

      Um braço estendido me tira do devaneio. É alguém sentado no chão, com um cobertor fino, pedindo algumas moedas. Como boa integrante de uma multidão fria e apressada, ignoro e continuo meu caminho. Essa é uma visão tão rotineira que se torna banal e, assim como eu, ninguém ali observou aquele cidadão com olhos sinceros. Não me julgue, eu sei que você faz o mesmo. O calor humano não parece suficiente para aquecer corações.

      É um mar de gente. Mas não me sinto como mais uma onda, que compõe a beleza do oceano. Sinto-me em um pequeno barco à vela, perdida em alto mar. Parada no meio da multidão, sinto sua tensão constante, como se a qualquer momento fosse chegar um tsunami. Sinto-me naufragando.

      Você já pegou a estrada à noite? É ali que percebemos que a cidade nunca dorme por completo. Carros a perder de vista em qualquer horário, com luzes que compõem uma beleza única. Porém, esquecemos que em cada carro não existe somente uma pessoa ou outra, mas sim histórias.

      Para onde cada um está indo é um mistério. Neste momento, percebo que, assim como eu enxergava alguns minutos atrás, ninguém ali me vê como ser humano. Veem-me como mais um carro, mais uma máquina que atrapalha o trânsito de um local tão movimentado. Só eu sei meu próprio caminho e para onde vou. Estou sozinha entre centenas de pessoas.

      Mesmo assim, muitas dizem preferir a cidade ao campo. Morar no interior não é uma opção para a maior parte das multidões – elas dizem que lá não há nada de interessante acontecendo e o silêncio da natureza as faz sentir muito distantes do mundo.

Por Beatriz Gimenez Disponível em: https://falauniversidades.com.br/cronica-solidao-cidade-grande/

Os travessões utilizados pela autora no título e no último parágrafo do texto poderiam ser substituídos, respectivamente, por:
Alternativas
Q2037191 Português
MEU VALOR

    Como todo homem tem seu preço e a corrupção é o que mais dá dinheiro no Brasil, hoje, decidi calcular o meu valor para o caso de quererem me comprar. É bom ter o nosso preço na ponta da língua e sempre atualizado, pois – para usar a fraselema do Brasil dos nossos dias – nunca se sabe. 
    Nossa autoavaliação deve ser objetiva. Costumamos nos dar mais valor do que realmente temos e há o perigo de, por uma questão de amor próprio, nos colocarmos fora do mercado. Também tendemos a valorizar coisas que, no mundo eminentemente prático da corrupção, não valem muito, como bons hábitos de higiene e a capacidade de mexer as orelhas. O que vale é o que podemos oferecer para o lucro imediato de quem nos comprar. 
    As pessoas se queixam da falta de ética no Brasil e não se dão conta de que isso se deve à pouca oportunidade que o brasileiro comum tem de escolher ser ético ou não. Eu tenho tanto direito a ser corrupto quanto qualquer outro cidadão, mas não tenho oportunidade de sequer ouvir uma proposta para decidir se aceito. A corrupção continua ao alcance apenas de uns poucos privilegiados. Por que só uma pequena casta pode decidir se vai ter um comportamento ético enquanto a maioria permanece condenada à ética compulsória, por falta de alternativas? Quando me perguntam se sou ético, a única resposta que posso dar é a mesma que dou quando me perguntam se gosto do vinho Chateau Petrus: não sei. Nunca provei.
    Quem me comprar pode não lucrar com minhas conexões no governo ou com o conteúdo, inclusive, dos meus bolsos. Mas e o casco? Quanto me dão pelo vasilhame? Pagando agora eu garanto a entrega do corpo na hora da minha morte, com os sapatos de brinde. Tenho muitos anos de uso mas todos os sistemas em razoável estado de conservação, precisando apenas de alguns ajustes das partes que se deterioraram com o tempo. Meus cabelos são poucos mas os que ficaram são da melhor qualidade, do contrário não teriam ficado. Não dão para uma peruca inteira, mas ainda dão para um bom bigode.
   Meu cérebro, vendido à ciência, daria para alimentar vários ratos de laboratório durante semanas. Prejudicaria um pouco seu desempenho no labirinto, mas em compensação eles saberiam toda a letra do bolero No Sé Tú. Minhas entranhas dariam um bom preço em qualquer feira de órgãos usados, dependendo, claro, do poder de persuasão do leiloeiro (“Leve um sistema cardiovascular e eu incluo uma caixa de Isordil!”). Meu apêndice, por exemplo, nunca foi usado.
    Tudo calculado, descontada a depreciação, devo estar valendo aí uns, deixa ver… Mas é melhor não me anunciar. Vai que aparece um corruptor em potencial e eu descubra que não só não valho nada como estou lhe devendo.

Luis Fernando Veríssimo
Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/meu-valor-cronica-de-luis-fernando-verissimo
Em “Tudo calculado, descontada a depreciação, devo estar valendo aí uns, deixa ver… Mas é melhor não me anunciar.”, a utilização de reticências se deu para:
Alternativas
Q1761309 Português
O uso das reticências pode transmitir várias sensações, emoções do personagem. No terceiro quadrinho as reticências nos permite observar que o personagem está:
Alternativas
Q1749793 Português
A questão diz respeito ao TEXTO. Leia-o atentamente antes de respondê-las.

TEXTO

“Alguns comparavam o som de um trovão vulcânico ao barulho de pipoca estourando, mas só quem havia presenciado a erupção de um vulcão de verdade era capaz de fazer comparações... Até agora.” (linhas 1 a 5). É correto afirmar que as reticências (...) foram empregadas no trecho retirado do Texto para indicar:
Alternativas
Q1699067 Português
Assinale a alternativa em que a pontuação deixa claro que a amiga de Carlota se chama Juraci.
Alternativas
Respostas
141: C
142: D
143: A
144: D
145: E
146: D
147: B
148: A
149: C
150: B
151: C
152: A
153: D
154: D
155: A
156: E
157: B
158: D
159: A
160: C